
Um homem para Amanda
Nora Roberts




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PRLOGO
 
Bar Harbor - 8 de junho de 1913

Pela tarde, caminhei bastante pelas escarpas. O primeiro dia de volta a Las Torres, estava quente e espaoso. O rumor do mar no tinha mudado desde que deixei de 
ouvi-lo dez longos meses atrs. Havia um barquinho de pesca navegando o mar verde e azul. Tudo seguia igual e, entretanto, produziu-se uma mudana vital.
Ele no estava.
Era um engano de minha parte esperar encontr-lo ali onde o tinha deixado fazia j tantos meses. Encontr-lo pintando ao ar livre, como era seu costume. Era um engano 
de minha parte esperar v-lo e que se voltasse de repente para mim, me olhando com aqueles olhos cinzas de olhar intenso. Sorrindo-me, pronunciando meu nome...
O corao danava em meu peito enquanto saa com toda pressa de casa para correr pela grama, atravessar os jardins e descer a costa.
Ali estavam as escarpas, altas e orgulhosas. A meus ps, ao fundo, o mar batia nas rochas. Atrs, as torres de minha residncia de vero, a casa de meu marido, elevavam-se 
arrogantes e formosas. Que estranho amar aquela casa quando tantas desgraas tinham acontecido ali dentro. Recordei-me de quem era: Bianca Calhoun, esposa do Fergus 
Calhoun, me de Colleen, do Ethan e de Sean. Sou uma mulher respeitada, uma esposa abnegada, uma me devota. Meu matrimnio no  feliz, mas isso no pode mudar 
os sagrados votos que contra. No h lugar em minha vida para romnticas fantasias ou sonhos pecaminosos.
Mesmo assim, fiquei ali e esperei. Mas ele no veio. Christian, o amante que tomei sozinha em meu corao, no veio. Talvez nem sequer estava mais na ilha. Possivelmente 
tinha empacotado suas telas e pincis e partiu para pintar outro mar, outro cu.
Seria melhor assim. Sei que seria melhor. Desde que o conheci no vero passado, no deixei nem um s dia de pensar nele. Mas tenho um marido ao qual respeito, trs 
filhos aos quais quero mais que a minha vida.  a eles a quem devo ser fiel, e no  lembrana de algo que nunca foi. Nem nunca poder ser.
Contemplo o pr-do-sol da janela de minha torre. Dentro de pouco tempo terei que descer e ajudar a Nanny a deitar os meninos. O pequeno Sean cresceu muito e j est 
comeando a engatinhar. Logo engatinhar to rpido como Ethan. Colleen, a jovem daminha de quatro anos, que j quer um novo vestido.
 neles em quem devo pensar, em meus filhos, meus preciosos tesouros, e no em Christian.
Esta ser uma noite tranqila, uma das poucas das quais poderei desfrutar durante nosso veraneio na ilha do Mount Desert. Fergus j falou em dar uma festa na semana 
que vem. Devo...
Est ali. Nas escarpas. Com esta luz e  distncia que se encontra, no  mais que uma sombra. Mas sei que  ele. De p, com a mo apoiada contra o vidro da janela, 
sabia que estava me olhando. Parece impossvel, mas estou segura de que o ouvi pronunciar meu nome. Suavemente.
Bianca.
Captulo 1
 
Foi como se chocar contra uma slida parede de carne e msculo. O impacto lhe cortou a respirao e os pacotes que levavam na mo caramno cho. Estava com pressa, 
nem sequer se incomodou em olh-lo.
Mordendo a lngua, Amanda disse  a si mesma que se aquele sujeito tivesse olhado por onde ia, ela no teria se chocado contra ele. Ajoelhada na calada, na porta 
da boutique onde tinha estado fazendo compras, dedicou-se a recuperar seus numerosos e dispersos pacotes.
-Deixe-me lhe dar uma mo, querida.
Aquele acento do oeste a irritou sobremaneira. Tinha um milho de coisas a fazer, e brigar na calada com um turista no figurava em sua agenda.
-Eu mesma arrumo -murmuro, baixando a cabea de modo que seu rosto ficou oculto pela cortina que formou seus cabelos. "Hoje tudo est tirando minha pacincia", pensou 
enquanto recolhia caixas e bolsas. E aquela pequena irritao no seria a ltima de uma longa srie.
- muito para que uma pessoa sozinha leve.
-No se preocupe, eu mesma levo, obrigado -recolheu uma caixa no exato momento em que aquele insistente tipo fazia o mesmo. E, como a tampa da caixa estava aberta, 
e a tira frouxa, o contedo da caixa caiu ao cho.
-Hei, que preciosidade -comentou o desconhecido com um tom de voz to divertido como aprovador, quando tocou o que parecia ser uma camisola vermelha, de fina seda.
Amanda a tirou de suas mos e o guardou em uma das bolsas.
-Importa-se?
-No, claro que no...
Amanda jogou o cabelo para trs e o olhou pela primeira vez. At agora a nica coisa que tinha visto dele eram as botas e a cala de vaqueiro texano. Mas agora estava 
vendo muito mais. Inclusive ajoelhado frente a ela parecia enorme. Tudo nele era grande: os ombros, as mos... Estava sorrindo em sua direo, com um sorriso que 
em outras circunstncias, teria sido cativante. Tinha um rosto atraente, bronzeado, de feies duras, olhos verdes. E cabelos encaracolados, da cor loira avermelhada, 
que chegava at o pescoo da camisa de flanela, ele seria simplesmente irresistvel... Se nesse momento no tivesse estado interpondo-se em seu caminho.
-Estou com pressa.
-Percebi -estendeu uma mo para recolher delicadamente uma mecha de cabelo detrs da orelha. -Parecia que ia apagar um fogo quando se chocou contra mim.
-Voc que se colocou na minha frente... - comeou a dizer Amanda, mas de repente se interrompeu, sacudindo a cabea. Nem sequer tinha tempo de discutir.- No importa 
- terminando de recolher os pacotes, levantou-se -Desculpe.
-Espere.
Ergueu-se enquanto ela o olhava impaciente, com o cenho franzido.
Com seu metro e oitenta de altura, estava acostumada a no ter que erguer a cabea para olhar um homem. Mas com aquele se viu obrigada a faz-lo.
-O que?
-Posso lev-la em meu carro para apagar esse fogo, se precisar.
-No ser necessrio -lanou um olhar frio para ele.
Com um dedo, o desconhecido empurrou uma caixa, evitando que lhe voltasse a cair ao cho.
- Para mim parece que voc precisa de ajuda.
-Sou perfeitamente capaz de chegar aonde quero ir, obrigado.
-Ento possivelmente voc pode me ajudar -gostava da franja que caa sobre o rosto dela, e o gesto impaciente que a todo momento a afastava dos olhos.- Acabo de 
chegar  cidade esta mesma manh. Pensei que talvez poderia me dar alguma sugesto sobre... o que poderia fazer comigo mesmo.
Naquele instante, Amanda teria podido lhe oferecer numerosas idias a respeito.
-Olhe, amigo, eu no sei quais so os costumes vigentes em Tuckson...
-Oklahoma City - a corrigiu ele.
-No Oklahoma. Mas, aqui, a polcia v com maus olhos os homens que incomodam s mulheres na rua.
-Ah, sim?
-Pode estar certo disso.
-Pois ento terei que andar com cuidado, j que tenho inteno de ficar por aqui algum tempo.
-Como queira. Agora, desculpe-me...
-S uma coisa mais -lhe estendeu um par de meias negras, com rosas bordadas. -Acredito que esqueceu isso.
Amanda agarrou as meias e partiu enquanto as guardava no bolso.
- Foi um prazer conhece-la! - gritou o desconhecido a suas costas, tornando a rir ao ver que acelerava at mais o passo.
Vinte minutos depois, Amanda tirava suas compras do assento traseiro de seu carro. Novamente carregada de bolsas e pacotes, fechou a porta com o p. Quase tinha 
esquecido do irritante encontro que tinha sofrido. Tinha muitas coisas na cabea. A suas costas a manso se recortava contra o cu, ptrea, com suas artsticas torres 
e pinculos. Fora sua famlia, no havia nada no mundo que Amanda quisesse mais que As Torre.
Subiu os degraus, saltando um madeira quebrada, e conseguiu liberar uma mo para abrir a porta principal.
-Tia Cordy! - no instante em que entrou no vestbulo, um cachorrinho, de cor negra, desceu as escadas correndo. Quando faltava pouco para chegar, rodou como uma 
bola peluda e aterrissou escancarado no reluzente cho de madeira de castanho. - Ol, Fred!
Saltando contente, Fred comeeou a correr em torno de Amanda, que seguia chamando a sua tia.
-J vou, j vou... - alta e distinta Cordelia Calhoun McPike chegou correndo. Sob o avental branco, usava uma blusa e uma cala amarela de linho-. Estava na cozinha. 
Esta noite vai provar uma nova receita de canelones  italiana.
-C.C.  est em casa?
-Oh, no, querida - Cordy mexeu no cabelo, que tinha tingido de loiro claro no dia anterior. Como sempre tinha costume, olhou-se no espelho do vestbulo para certificar-se 
de que o tom lhe assentava bem... No momento, -est  l abaixo, em sua oficina. Na verdade no tenho nem idia do que est fazendo.
-Melhor assim. Suba comigo. Quero mostrar o que comprei.
-Parece que esvaziou todas as lojas da cidade. Deixe-me ajud-la -Cordy agarrou duas bolsas antes que Amanda comeasse a subir as escadas.
-Meu passeio foi genial.
-Mas voc detesta ir s compras.
-Isto foi diferente. O rum  que me entretive muito, e temia no poder chegar a tempo e esconder tudo antes que C.C. voltasse - correu para o quarto para deixar 
suas compras sobre a grande cama de dossel.- A depois aquele estpido ficou no meio do caminho e todos os pacotes caram no cho - tirou a jaqueta, dobrou-a e a 
colocou cuidadosamente no respaldo de uma cadeira. - O cumulo foi, aquele descarado tentar flertar comigo.
- Verdade? - sempre interessada em romances e aventuras, Cordy lhe perguntou:- Era atraente?
-Se voc gostar de jeans de aspecto sujo, sim. Olhe, encontrei todos estes fantsticos enfeites para a festa que estamos preparando para antes das bodas-enquanto 
Fred tentava em vo subir na cama, Amanda comeou a tirar da bolsa sininhos prateados, grinaldas brancas, globos... - Eu adoro esta sombrinha to enfeitada. Possivelmente 
no  o estilo de C.C., mas pensei que poderamos pendur-la por a... Tia Cordy -com um suspiro, sentou-se na cama-. Por favor, no chore outra vez.
-No posso evitar -tirou um leno bordado de um bolso de seu avental e enxugou as lgrimas-.  uma menina, apenas uma menina. A mais jovem de minhas quatro pequenas.
-No h uma s mulher Calhoun que merea o qualificativo de "pequena" -assinalou Amanda.
-Vocs continuam sendo minhas meninas. Sempre o foram desde que seus pais morreram. Cada vez que penso que ela vai se casar, e s faltam alguns dias, meus olhos 
enchem de lgrimas. Adoro Trenton, j sabe -pensando em seu futuro sobrinho, soou-se brandamente o nariz.-  um homem maravilhoso, e eu sabia desde o comeo que 
faziam um belo casal, mas tudo foi to rpido que...
-No me diga isso. No tive tempo de organizar nada. No entendo como se pode marcar data de casamento com s trs semanas. Fariam muito melhor se fugissem.
-Por favor, no diga isso -escandalizada, Cordy guardou seu leno no bolso.- Eu ficaria muito furiosa se no me manteivessem a par do que acontecia. E se acredita 
que poder me enganar quando chegar o seu momento est muito enganada.
-Passaro anos antes que chegue esse momento, se  que chegar. Meticulosamente, Amanda ficou a ordenar os adornos do casamento.- Os homens se encontram em um lugar 
muito inferior da minha lista de prioridades.
-Voc e suas listas -replicou Cordy, estalando a lngua.-Deixe lhe dizer algo, Mandy: a nica coisa que no pode planejar nesta vida  se apaixonar. Sua irm no 
planejou, e olha-a agora. Seu momento pode chegar antes do que esperas. Olhe, esta mesma manh estive lendo as xcaras de ch e...
-Oh, tia Cordy. As xcaras do ch outra vez no, por favor...
-Tenho lido coisas fascinantes nas xcaras de ch. Depois de nossa ltima sesso de espiritismo, pensava que havia se tornada menos ctica...
-Bom, possivelmente ocorreu algo nessa sesso, mas...
-Possivelmente?
-De acordo, algo ocorreu -suspirando, Amanda se encolheu de ombros-. Sei que C.C. teve uma imagem...
-Uma viso.
-O que seja... Uma viso do colar de esmeraldas da bisav Bianca -pensou, embora no chegou a diz-lo, que tinha sido assutador a perfeio com que C.C. tinha o 
descrito, apesar de fazer dcadas que ningum via aquele colar-. E ningum que tenha vivido nesta casa poderia negar que se pode perceber... Alguma presena ou fenmeno 
estranho na torre da Bianca.
-Enfim!
Mas isso no quer dizer que eu v comear a ler bolas de cristal!
-Sua mente  muito estreita, Mandy. No sei a quem puxou. Talvez  minha tia Colleen. Fred, no coma o bordado irlands... -falou ao cachorrinho, que estava mordendo 
a colcha da cama de Amanda-. Em qualquer caso, estvamos falando das xcaras de ch. Bom, quando esta manh os estava lendo, vi um homem.
Amanda levantou para esconder em seu armrio as decoraes que tinha comprado.
-Viu um homem em sua xcara de ch.
-Pois sim. Vi um homem, e tenho o forte pressentimento de que se encontra muito perto.
-Possivelmente seja o encanador. Est a dias dizendo que est a ponto de chegar por aqui.
-No, no  o encanador. Este homem... est perto, mas no  da ilha -entreabriu as plpebras, como sempre fazia quando tinha vises ou exercitava seus poderes mentais-. 
De fato,  de muito longe daqui. Vai tornar-se parte importante de nossas vidas. E, estou segura disso, exercer uma influncia transcendental sobre uma de vocs.
-Que leve Lilah -sugeriu Amanda, pensando em sua irm maior-. Falando nela, onde est?
-Saiu com um rapaz do trabalho. No sei se era Rod, ou Tod, ou Dominick.
-Maldita seja -Amanda recolheu sua jaqueta para pendur-la cuidadosamente em um cabide do armrio-. Ns tnhamos que revisar todos esses papis no estoque. Temos 
que encontrar alguma pista que nos leve a esconderijo dessas esmeraldas.
-Encontraremos-as, querida -distrada, Cordy bisbilhotava o resto das compras-. Quando chegar o momento, a prpria Bianca nos dir isso. Acredito que muito em breve 
voltar a manifestar-se.
-Pois eu acredito que vamos necessitar de algo mais que uma f cega e vises msticas. Bianca teve que as esconder em alguma parte -franzindo o cenho, Amanda voltou 
a sentar-se na cama.
No se preocupava tanto com o dinheiro, embora dizessem que as esmeraldas da famlia Calhoun valiam uma verdadeira fortuna, como  com a publicidade provocada pela 
compra de Las Torres por parte de Trent, o prometido de sua irm. A partir daquele momento, a velha lenda tinha sado  luz pblica. E os planos da prpria Amanda 
de levar uma existncia tranqila e ordenada se viram definitivamente frustrados.
Certamente aquela antiga histria tinha alcanado grande repercusso, refletiu Amanda, enquanto sua tia se desfazia em elogios com as lingeries que Amanda havia 
comprado para sua irm. A princpios da segunda dcada do sculo XX, quando a manso de Bar Harbor se encontrava em seu apogeu, Fergus Calhoun tinha construdo As 
Torres a modo de opulenta residncia de veraneio. Ali, nas escarpas da baa do Francs, era onde tinha veraneado com sua esposa Bianca e seus trs filhos, e organizado 
incontveis festas para os membros da alta sociedade a que pertenciam.
E ali tambm Bianca tinha conhecido  um jovem artista. Apaixonaram-se. Ao que parecia, Bianca havia se sentido dividida entre seus sentimentos e seus deveres conjugais. 
Seu matrimnio, arrumado por seus pais, tinha sido um fracasso. Finalmente, seguindo os ditados de seu corao e decidida a abandonar  seu marido, Bianca tinha preparado 
uma valiosa bagagem que inclua as esmeraldas que Fergus tinha lhe presenteado na ocasio do nascimento de seu primeiro e de seu segundo filho. O esconderijo do 
famoso colar era um mistrio j que, segundo a lenda, a prpria Bianca se jogou para o vazio do alto da torre, presa pela culpa e o desespero.
Agora, oitenta anos depois, o interesse por aquele colar se reavivou. Enquanto os ltimos membros da dinastia Calhoun procuravam alguma pista entre montanhas de 
papis antigos, os jornalistas e os caadores de fortuna se transformavam em um aborrecimento constante. E Amanda se sentia muito mal. A lenda, e os protagonistas 
da lenda pertenciam a sua famlia. Quanto antes fosse localizado aquele colar, melhor para todos. Uma vez que resolvesse o mistrio, o interesse no demoraria em 
evaporar-se tambm.
-Quando Trent retorna? -perguntou a sua tia.
-Logo -suspirando, Cordy alisou a camisa vermelha de seda-. Logo que tenha terminado de arrumar suas coisas em Boston, se por a caminho. No suporta estar longe 
do C.C. Mal haver tempo de comear com as reformas da ala oeste antes que se vo de lua de mel -seus olhos encheram-se novamente de lgrimas.
-No comece outra vez, tia Cordy. Pensa no fabuloso trabalho anfitri  que vai desempenhar no banquete de bodas. Ir faze-lo muito bem. Ento, no ano que vem poder 
comear sua nova carreira como cozinheira no Refgio de Las Torres, o hotel mais acolhedor e ntimo das cadeias St. James.
-Imagina? -Cordy levou uma mo ao peito, emocionada.
De repente bateram na porta. Fred, sobressaltado, comeou a uivar.
-Fique aqui imaginando tia Cordy. Eu abro.
Desceu apressada a escada, seguida do Fred. Quando o cachorro voltou a tropear, Amanda o pegou nos braos, rindo, e abriu a porta.
-Voc!
O tom de sua voz assustou ao pobre Fred. Mas no ao homem que tinha aparecido na soleira, sorridente.
-O mundo  muito pequeno.
-Seguiu-me.
-Oh, no. Embora no teria sido de todo mal faze-lo. Meu nome  Ou'Riley. Sloan Ou'Riley.
-No me importa como voc se chama, porque j pode dar meia volta e seguir seu caminho - e ia fechando a porta em seu nariz, mas ele a impediu estendendo uma mo.
-No acredito que seja uma boa idia, vim de muito longe para ver esta casa.
-Ah, sim? -Amanda cerrou as plpebras-. Bem, pois deixe-me lhe dizer algo: esta propriedade  particular. No me importa o que tenha lido nos jornais ou a vontade 
desesperada que tenha de procurar as esmeraldas. Esta no  a ilha do tesouro, e estou farta de conhecer pessoas como voc, que se acreditam com direito de bater 
nesta porta e ficar espiando de noite no jardim da casa.

" muito bonita", disse-se Sloan enquanto esperava ela terminar seu discurso malcriado. Era alta e magra. Mas no muito magra: com volumosas curvas nos lugares adequados. 
Dava a impresso de ter uma energia inesgotvel. Gostava de seu queixo saliente, indcio de tenacidade. Seus cabelos de cor castanhos se agitavam a cada movimento 
que fazia com a cabea, com verdadeira fria.
Tinha enormes olhos azuis. E aquela boca fresca, de aspecto to saboroso...
-J terminou? -perguntou-lhe quando Amanda se interrompeu para tomar flego.
-No, e se no partir agora mesmo, vou jogar o cachorro contra voc.
Com a deixa, Fred saltou de seus braos e emitiu um grunhido.
-Parece muito feroz -comentou Sloan, e se agachou para passar a mo no dorso do animal. Fred a farejou, e imediatamente comeou a mover alegremente o rabo enquanto 
se deixava acariciar nas orelhas-. Viu, que ferocidade...
-Muito bem -disse Amanda, com as mos nos quadris-. Pois ento pegarei a escopeta.
Mas antes que pudesse procurar aquela arma imaginria, Cordy baixou as escadas.
-Quem , Amanda?
-Um cadver.
-Como? -aproximou-se da porta. No preciso instante em que viu Sloan, seu instinto coquete veio a tona e ela imediatamente tirou o avental-. Ol -esboou um radiante 
sorriso enquanto estendia a mo-. Sou Cordelia McPike.
- um verdadeiro prazer, senhora -Sloan levou sua mo aos lbios-. Precisamente estava dizendo a sua irm que...
-Oh, no -Cordy soltou uma gargalhada de puro deleite-. Amanda no  minha irm.  minha sobrinha. A terceira filha de meu irmo mais velho... Que era bem mais velho 
que eu.
-Perdo.
-Tia Cordy, este tipinho me atirou no cho na porta da loja, e depois me seguiu at aqui. S veio at aqui pelo colar.
-Mandy, por favor, no seja mal educada...
-Tem uma parte de razo, senhora McPike -pronunciou Sloan-. Sua sobrinha e eu tivemos um... Encontro na rua. Suponho que no consegui desviar a tempo de seu caminho. 
E tambm estou interessado em ver a casa, isso no posso negar.
-Entendo -dividida entre a esperana e dvida, Cordy suspirou-. Lamento terrivelmente, mas temo que no vai ser possvel lhe mostrar a casa. Estamos muito ocupadas 
com as bodas e...
Sloan se voltou para olhar para Amanda.
-Vai se casar?
-Eu no, minha irm -respondeu, tensa-. Mas isso no  assunto seu
-Oh, no  minha inteno incomod-las, assim seguirei meu caminho. Por favor, digam a Trent que O'Riley estive aqui, eu ficaria muito agradecido.
-Ou'Riley? -repetiu Cordy, juntando as mos-. Meu Deus  voc o senhor O'Riley? Por favor, entre. Oh me perdoe...
-Tia Cordy...
- o senhor O'Riley, Amanda.
-Eu sei. Mas por que diabos deixou-o entrar?
-O senhor O'Riley -continuou Cordy-. O mesmo de que nos falou Trenton esta manh, nos avisando que ele vinha. No se lembra...? Claro que no se lembra, eu no lhe 
disse isso - levou as mos a face-. Estou to envergonhada por te-lo feito esperar tanto na porta...
-Oh, no se preocupe -disse Sloan a Cordy-.  um engano compreensvel.
-Tia Cordy -Amanda no se afastou da porta, ainda disposta a jogar a pontaps a aquele intruso para fora-. Quem  O'Riley e por que Trent disse que esperava que 
viesse?
-O senhor O'Riley  o arquiteto -explicou Cordy, radiante.
Entreabrindo as plpebras, Amanda o olhou dos ps  cabea: das pontas de suas empoeiradas botas at seu cabelo despenteado.
- arquiteto?
- nosso arquiteto. O senhor O'Riley vai fazer a reforma de todo o edifcio: tanto da nova hospedagem como de nossas moradias. Trabalharemos juntas com ele.
-Me chame Sloan, por favor.
-Trabalharemos com o Sloan... -Cordy bateu graciosamente as pestanas-... Durante algum tempo.
-Fantstico -disse Amanda, batendo a porta.
Com os polegares enganchados nos bolsos de seu jeans, Sloan lhe lanou um lento sorriso.
-Isso  exatamente o que eu penso.
 

Captulo 2
 
-Que grosseria por nossa parte, -exclamou Cordy-. Faze-lo esperar, na porta... Entre, por favor, e sente-se. O que gostaria de tomar? Ch, caf?
-Uma cerveja em uma garrafa longneck -murmurou Amanda, irnica.
Sloan se voltou para ela, sorridente.
-Isso mesmo. Acertou.
-Cerveja? -Cordy o fez entrar na salo-. Na cozinha tenho uma cerveja muito boa que uso para alguns pratos de fruto do mar. Amanda, por favor, queira entreter ao 
Sloan enquanto a trago?
-Claro. Por que no? -a contra gosto, Amanda lhe indicou uma cadeira, tomando assento frente  lareira-. Suponho que deveria me desculpar.
Sloan se agachou para acariciar Fred, que os tinha seguido.
-Por que?
-No teria sido to brusca se soubesse para que estava aqui.
-Ser mesmo? -enquanto o cachorro se instalava no tapete entre eles, Sloan se recostou em sua cadeira e observou tranqilamente sua pouco hospitalar anfitri.
Depois de uns dez segundos de tenso silncio, Amanda procurou dominar sua impacincia.
-Foi um equvoco bastante natural.
-Se voc pensa assim. Acusou-me de querer desenterrar umas esmeraldas. A que se referia?
-s esmeraldas das Calhoun -ao ver que se limitava a arquear uma sobrancelha, sacudiu a cabea. O colar de esmeraldas de minha bisav. Saiu em todos os jornais.
-No tive oportunidade de ler jornais durante algum tempo. Estava em Budapeste -levou uma mo ao bolso e tirou um comprido e fino charuto-. Importa-se que eu fume?
-Adiante -levantou-se para pegar um cinzeiro-. Surpreende-me que Trent no lhe dissesse nada.
Sloan acendeu um fsforo e ficou alguns instantes para acender o charuto. Logo deu uma profunda e prazerosa tragada e soltou lentamente uma baforada de fumaa.
-Trent me enviou uma mensagem falando sobre a casa e dos planos de reforma, e me pediu que se encarregasse dela.
-Aceitou um trabalho como este sem sequer ver primeiro a propriedade?
-Sim, pareceu-me o mais adequado -pensou que tinha belos olhos. Carregados de suspeita, mas belos-. Alm disso, Trent no teria me pedido isso se no tivesse estado 
seguro de que eu aprovaria o projeto.
-Parece que conhece Trent muito bem.
-Estudamos juntos em Harvard.
- Harvard? -inquiriu surpreendida-. Esteve em Harvard?
Qualquer outro homem teria se sentido insultado. Sloan, ao contrrio, mostrou-se divertido.
-Para seu assombro... sim -murmurou, vendo como ela ruborizava.
-Sinto muito, no queria...  que no me parecia...
-O tipo clssico de universitrio de elite? -sugeriu-lhe antes de dar outra tragada em seu charuto-. s vezes as aparncias enganam. Esta casa, por exemplo.
-A casa?
-Vendo-a por fora fica difcil saber se foi uma fortaleza, um castelo ou o delrio de um arquiteto. Mas quando a contempla atentamente, nota-se que  tudo isso de 
uma vez. Uma obra intemporal, sbria e poderosa, e ao mesmo tempo cheia de encanto e fantasia -lhe disse sorrindo. H pessoas que pensam que uma casa reflete a personalidade 
das pessoas que vivem em seu interior.
Levantou-se quando Cordy voltou empurrando um carrinho com uma bandeja.
-Oh, sente-se, por favor.  um prazer ter um homem em casa, no  verdade, Mandy?
-.  
-Espero que voc goste da cerveja.
-Com certeza que sim.
-Prove esses canaps. Mandy trouxe para ns -deleitada com aquela oportunidade para socializar, sorriu para Sloan por cima da borda de sua taa-. Amanda j lhe falou 
sobre a casa?
-Estvamos comeando a abordar o tema -Sloan bebeu um grande gole de cerveja-. Na mensagem que me enviou, Trent me dizia que tinha pertencido a sua famlia desde 
princpios de sculo.
-Oh, sim. Com os filhos da Suzanna, minha sobrinha mais velha, j  a quinta gerao que viveu em Las Torres. Fergus -mostrou o retrato do homem de gesto srio que 
estava pendurado acima da lareira-, meu av, construiu As Torres em 1904, como uma residncia do vero. Sua esposa Bianca e ele tiveram trs filhos antes que ela 
se suicidasse jogando-se da janela da torre -como sempre, a idia da morte por amor lhe arrancava um nostlgico suspiro-. No acredito que meu av ficou muito contente 
depois daquilo. No final de sua vida enlouqueceu, e o ingressamos em um hospital psiquitrico muito bom.
-Tia Cordy, estou segura de que Sloan no est interessado na histria da famlia.
-Oh, interessado no -exclamou, aproximando seu charuto ao cinzeiro-. Fascinado, mas bem, senhora McPike...
-Por favor, me chame Cordy. Todo mundo o faz -afastou o cabelo-. A casa passou para meu pai, Ethan. Era seu segundo filho, mas o primeiro varo. O av estava obcecado 
perpetuando a estirpe dos Calhoun. A irm maior de Ethan, Colleen, zangou-se muito. At esta data no nos tornou a dirigir a palavra.
-Algo pelo qual lhe estaremos eternamente agradecidos -assinalou Amanda.
-Bom, sim.  um pouquinho... Avassaladora. Logo ali esta o tio Sean, irmo mais novo de meu pai. Teve um monto de problemas com uma mulher, meteu-se a marinheiro 
e emigrou s ndias Ocidentais antes que eu nascesse. Depois de seu matrimnio, sua esposa e ele decidiram viver um ano por aqui. Adoravam esta casa. Judson tinha 
planos maravilhosos para arrum-la, mas tragicamente Deliah e ele morreram antes de que pudessem comear. Logo eu vim para cuidar de Amanda e de suas trs irms. 
Quer outro canap?
-Obrigado. Posso perguntar por que decidiram transformar parte da casa em um hotel?
-Foi idia do Trent. Estamos to animadas, no , Amanda?
-Sim, tia.
-Mas, para ser sincera -tomou delicadamente um gole de vinho-, estamos passando certos apuros econmicos. Acredita no destino, Sloan?
-Sou de origem irlandesa e cherokee. No tenho outro remdio.
-Bom, ento o compreender perfeitamente. Estava escrito que o pai de Trent descobrisse As Torres quando estava navegando em seu iate pela Baa do Francs, e que 
imediatamente se apaixonasse pela manso. Quando a cadeia St. James se ofereceu para comprar a casa e a convert-la em um hotel de temporada, no soubemos o que 
fazer. Depois de tudo era nosso lar, o nico que tinham conhecido minhas meninas, mas sua manuteno era muito cara.
-Entendo.
-Em qualquer caso, no h mal que no venha para o  bem. Tudo foi to romntico e excitante... Estvamos a ponto de vender, quando Trent se apaixonou pela C.C.  
obvio, ele sabia quanto esta casa significava para ela, e concebeu o fantstico plano de converter somente a ala oeste em uma srie de sutes de hotel. Dessa maneira 
poderemos manter a casa e superar as dificuldades financeiras para mant-la.
-E, finalmente, todos esto contentes -assentiu Sloan.
-Exatamente -Cordy se inclinou para ele, com um gesto de cumplicidade-. Imagino que, seus antecedentes liam cartas, e tambm acreditavam nos espritos.
-Tia Cordy...
-Mandy, por favor. Voc sempre to ctica.  incrvel -disse ao Sloan-. Todo este sangue celta correndo por suas veias e no tem nem um grama de espiritualismo no 
corpo.
Amanda a apontou com sua taa.
-Esta parte deixo para voc e Lilah.
-Lilah  minha outra sobrinha -informou Cordy a Sloan-.  muito fantasiosa. Mas agora estamos falando do sobrenatural. Tem alguma opinio formada a respeito?
Sloan deixou seu copo de lado.
-No acredito que se possa ter uma casa como esta sem conviver com alguns fantasmas.
-timo -Cordy juntou as mos, entusiasmada-. Logo que te vi soube que seramos almas gmeas. Bianca ainda esta aqui. Em nossa ltima sesso de espiritismo a senti 
com tanta intensidade... -ignorou o grunhido de desgosto de Amanda-. C.C. tambm participou, ela no  to ctica como Amanda. Bianca quer que encontremos o colar.
-As esmeraldas dos Calhoun? -inquiriu Sloan.
-Sim. Estivemos procurando alguma pista, mas  difcil, depois de oitenta anos. E a publicidade foi um aborrecimento.
-Para utilizar um eufemismo -apontou Amanda, franzindo o cenho.
-Talvez aparea durante as obras de reforma -sugeriu Sloan.
-Quem dera -Cordy levou um dedo aos lbios, pensativa-. Acredito que no se importe se eu organizar outra sesso de espiritismo. Estou seguro de que tem uma sensibilidade 
especial.
Amanda se engasgou com o vinho.
-Tia Cordy, Sloan veio aqui para trabalhar, no para caar fantasmas.
-OH, sempre gosto de mesclar os negcios com o prazer -levantou seu copo para Amanda, a modo de brinde-. De fato,  um costume que tenho.
Um novo pensamento assaltou a mente de Cordy.
-Voc no  da ilha, Sloan.
-No. Sou do Oklahoma.
-De verdade? Isso  muito longe daqui -olhou a sua sobrinha, satisfeita-. Como arquiteto encarregado de realizar as reformas vais ser muito importante para todas 
ns...
-Eu gostaria de pensar que sim -disse, desconcertado com o jeito que Cordy olhava para a sobrinha.
-As xcaras de ch -murmurou entre dentes Cordy, e se levantou-. Bom, tenho que seguir preparando o jantar. Espero que nos faa companhia no jantar.
Sloan tinha planejado dar uma rpida olhada na casa e depois voltar para hotel para dormir dez horas seguidas. Mas a expresso de desgosto que viu nos olhos de Amanda 
lhe fez mudar de idia. Uma tarde com ela poderia ser a melhor maneira de repor o cansao da viagem.
-Seria um prazer.
-Maravilhoso. Mandy, por que no mostra a Sloan a ala oeste enquanto eu termino de preparar o jantar?
-Xcaras de ch? -perguntou-Sloan a Amanda uma vez que Cordy abandonou o salo.
-Ser melhor que no fale nada -resignada, levantou-se-. Bom, comeamos com o percurso?
-Seria uma boa idia -a seguiu ao-vestbulo, e subiram pela escada de caracol-. Como voc gosta que a chamem? Amanda ou Mandy?
-Responderei a qualquer dos dois nomes -encolheu os ombros.
-Bom, eu acredito que so bastante distintos, evocam diferentes imagens. Amanda evoca uma imagem de frieza e formalidade. Mandy...  mais suave mais tenro - ela 
cheirava maravilhosamente bem. Como a brisa fresca em um dia de vero.
J no alto das escadas, voltou-se para olh-lo.
-Que tipo de imagem evoca Sloan? 
Ficou um degrau abaixo dela, para que seus olhos ficassem  na mesma altura. 
-Diga-me voc. 
Amanda pensou que aquele homem tinha o sorriso mais presunoso que j tinha visto em toda sua vida. Sempre que o usava com ela, experimentava um tremor que no podia 
ser mais que de desgosto. 
-Dodge City? Inquiriu com tom suave-. Na costa leste no  se v muitos vaqueiros -se voltou, e j tinha dado um passo para corredor quando ele a segurou o brao. 
-Sempre tem tanta pressa? 
-Eu no gosto de perder o tempo. 
No a soltou enquanto continuaram caminhando.
-Tomarei nota. 
"Meu deus, este lugar  fabuloso", pensou Sloan ao contemplar o trabalho artesanal do teto, todo esculpido, as paredes forradas de madeira de mogno. Deteve-se diante 
uma vidraa em forma de arco, para acariciar o cristal esmerilhado, e colorido. Tinha que ser original, igual ao cho de madeira de mogno e o revestimento das paredes. 
Certamente havia trincas nas paredes, algumas delas muito grandes. Aqui e ali o teto apresentava buracos, e faltavam alguns pedaos de moldura. Constituiria um desafio 
devolver a casa sua antiga glria. Um desafio e um verdadeiro prazer.
-Faz anos que ningum usa esta parte da casa -Amanda abriu uma porta de madeira de carvalho, lavrada, e tirou uma teia de aranha-. Por isso no a esquentamos durante 
o inverno.
Sloan entrou. O cho rangeu fnebre sob suas botas. Faltavam dois dos pequenos cristais das portas do terrao, que tinham sido substitudos com compensado. Os ratos 
fizeram a festa com o rodap. No teto se podia ver um deteriorado afresco que representava anjos e cupidos.
-Esta era a ala dos convidados -lhe explicou Amanda-. Fergus a reservava para as pessoas a que queria impressionar. Supostamente aqui estiveram vrios membros da 
famlia Rockefeller. Tem seu prprio banheiro e seu closet -empurrou uma porta quebrada.
Ignorando-a, Sloan se aproximou da lareira de mrmore negro. A parede, coberta papel de parede de seda, estava escurecida pela fumaa. O canto estilhaado do suporte 
lhe partiu o corao.
-Como puderam...?
-Perdo?
-Como puderam deixar que se deteriorasse tanto um lugar como este? -o olhar que nessa ocasio lhe lanou no foi nem sedutor nem divertido. Foi de autntica ira-. 
Uma lareira como esta  nica no mundo.
Ruborizada, contemplou o suporte de mrmore.
-Bom, eu no o quebrei...
-E olhe estas paredes. O trabalho do revestimento  uma jia, uma arte to pura como uma obra do Rembrandt. Um Rembrandt sim, vocs cuidariam, no ? 
- obvio, mas...
-Ao menos teve o bom senso de no pintar a moldura -passou diante dela e entrou no banheiro anexo. E comeou a praguejar.-. E estes ladrilhos, pelo amor de Deus. 
Olhe estas trincas.
-No entendo o que...
-Claro que no o entende -voltou-se para ela-. No tem nem a mais remota idia do que h aqui. Esta casa  um monumento  arte do princpio do sculo XX, e deixou 
que se deteriorasse pouco a pouco. V isto? So autnticos lampies de gs.
-Sei perfeitamente o que so -disse Amanda-. Esta casa pode ser um monumento para voc, mas para mim  meu lar. Fizemos todo o possvel para conservar os telhados. 
Se o revestimento est quebrado  porque tivemos que nos concentrar em manter funcionando o aquecimento. E se no nos preocupamos em reparar os ladrilhos de uma 
ala que ningum usa,  porque tivemos que arrumar o encanamento de outra. Voc foi contratado para reformar, no para filosofar.
-Pois, farei as duas coisas pelo mesmo preo -estendeu uma mo para a Amanda. Assustada, retrocedeu um passo.
-O que est fazendo?
-Calma, querida. Tem uma teia de aranha no seu cabelo.
-Eu tiro isso sozinha -disse, enrrijecendo quando sentiu seus dedos no cabelo-. E no me chame de "querida".
-Acalme-se. Por que no continua me mostrando o resto da casa?
-No sei para que. No est anotando nada do que v.
Sloan baixou o olhar at seus lbios, deteve-a ali por um instante e voltou logo para olh-la nos olhos.
-Eu gosto de dar uma primeira olhada antes de comear a me preocupar... com os detalhes. Bem, sigamos com o percurso. 
Amanda continuou lhe mostrando a ala oeste, fazendo todo o possvel para manter distncia. Mas Sloan tinha tendncia a aproximar-se muito, interpondo-se sempre quando 
ia sair de uma ala, encurralando-a contra uma esquina, voltando-se de repente para ela. 
Estavam na torre oeste quando, pela terceira vez, Amanda tropeou nele. 
-Eu gostaria que deixasse de fazer isso. 
-Fazer o que? 
-Estar sempre no meio. Em meu caminho. 
- voc a que sempre tem muita pressa. Parece que, em vez de apreciar o lugar onde est, sempre quer ir a outra parte. 
-Mais filosofia-resmungou Amanda, aproximando-se da janela em forma de arco que dava para os jardins. 
Via-se obrigada a admitir que aquele homem a incomodava, afetava-a a um nvel bsico, profundo. Possivelmente foi seu porte: aquelas costas largas e aquelas mos 
imensas, gigantescas. Ou aquela estatura desproporcional. Estava acostumada a relacionar-se de igual a igual com os homens.
Ou talvez fora sua voz rouca, lenta, preguiosa, to presunosa e quanto o sorriso. Ou a maneira que tinha de olh-la, destemido, insistente, com um certo brilho 
de diverso. Fosse o que fosse, teria que aprender a suport-lo e super-lo.
-Esta  a ltima parada -disse-. A idia de Trent  converter esta torre em um restaurante, de ambiente mais ntimo que o do piso baixo. Aqui deveriam caber amplamente 
cinco mesas, com vistas aos jardins e  baa.
Voltou-se enquanto falava, e um raio de sol do entardecer entrou pela janela criando um maravilhoso halo em torno de seu cabelo. A luz parecia filtrar-se por aquelas 
mechas de cor castanha clara, salpicando os de ouro. Admirado por aquele efeito, com a mente em branco, Sloan ficou olhando-a de cima em baixo.
-Algum problema?
-No - ele disse se aproximando.
J no havia diverso alguma em seus olhos, a no ser algo muito mais perigoso. Retrocedeu um passo. E outro mais.
-Se no tem nenhuma pergunta mais a fazer sobre a torre, ou sobre o resto da ala, acredito que poderamos... -interrompeu-se, sem flego, quando de repente Sloan 
lhe rodeou a cintura com um brao, atraindo-a para si-. Que diabos pensa que est fazendo?
-Evitando que repita o mesmo salto que fez sua bisav -mostrou a janela que tinha a suas costas-. Se tivesse seguido retrocedendo, poderia ter atravessado esse cristal. 
Essas vidraas no parecem muito resistentes.
-Vamos -pronunciou, com o corao acelerado.
Mas ele no a soltou, mas sim aproximou o rosto a seu cabelo, aspirando seu perfume.
-Deveria haver me agradecido por isso, Amanda. Provavelmente salvei sua vida.
Amanda sentia o corao batendo rpido, mas por nada no mundo se deixaria intimidar por aquele vaqueiro.
-Se no me soltar agora mesmo, temo que algum ter que salvar a sua.
Sloan se ps-se a rir, encantado com sua sada, e tentado levant-la nos braos. Mas no momento, quase sem dar-se conta, viu-se impulsionado para trs e aterrissou 
com o traseiro no cho. Com um sorriso de imensa satisfao, Amanda inclinou a cabea.
-Com isto conclui nosso percurso desta tarde. E agora, se me desculpar... -deu meia volta e se disps a sair.
Mas Sloan, de onde estava, agarrou-a por um tornozelo. Amanda teve tempo de soltar um grito antes de aterrissar tambm no cho, a seu lado.
-Oh...! Bruto! -gritou-lhe, zangada, e tirou o cabelo dos olhos.
-O que  bom para o ganso  bom para a gansa -lhe tocou o queixo com um dedo-. Mais filosofia. Move-se muito rpido, Amanda, mas tem que recordar no perder nunca 
de vista seu objetivo.
-Se fosse um homem...
-No seria to divertido -rindo, deu-lhe um rpido beijo, e se dedicou a desfrutar de sua sobressaltada reao-. Nunca mais repita isso...
Amanda teria terminado por empurr-lo. Estava absolutamente segura disso. A pesar do arrepio que lhe percorria as costas. Apesar do melao derretido, em vez de sangue, 
que parecia correr por suas veias. O teria empurrado, e inclusive tinha levantado uma mo com essa inteno... quando passos ressonaram nos degraus de ferro que 
levavam a torre.
Sloan ergueu o olhar para ver uma mulher alta, de generosas curvas, na soleira. Usava um jeans com um rasgo no joelho, e uma camiseta branca atada  cintura. Tinha 
o cabelo curto e liso, com uma graciosa franja. Seus olhos expressaram primeiro surpresa, e logo uma genuna diverso.
-Ol -olhou a Amanda, sorrindo ao reparar no rosto ruborizado e no cabelo despenteado de sua irm. O nico lugar no que no esperava ver sua fria e sempre formal 
Amanda Calhoun era no cho, e alm do mais com um desconhecido. Um desconhecido muito atraente-. O que est acontecendo aqui?
-Oh, Estvamos verificando o estado do solo -mentiu Sloan. Levantou-se e ajudou Amanda a levantar-se, ela se afastou rapidamente para sacudir o p das calas.
-Esta  minha irm, C.C.
-E voc deve ser Sloan -entrou na sala, lhe dando a mo-. Trent me falou de voc -com um brilho em seus olhos verdes, olhou rapidamente para sua irm-. Pois, suponho 
que no exagerou em nada.
Sloan disse que C.C. no encaixava absolutamente em nada com o tipo de mulher que esperava que se relacionasse seu velho amigo. E, como Trent era um grande amigo 
dele, no podia alegrar-se mais.
-Agora entendo por que Trent se encontra to apaixonado.
-Como pode ver, Sloan tem um senso de humor muito particular -assinalou Amanda, irnica.
Soltando uma gargalhada, C.C, passou-lhe um brao pelos ombros de sua irm.
-J me disseram isso. Fico feliz em conhece-lo, Sloan. Sinceramente. Quando fui a Boston com o Trent h uma semana, todo mundo que encontrei era to...
-Fria? - sugeriu, sorrindo.
-Isso mesmo -afirmou, um pouco sobressaltada-. Suponho que para alguns  difcil aceitar que Trent v se casar com uma mecnica pouco aficionada  pera.
-Pelo meu parecer Trent saiu ganhando e muito.
-Logo veremos. Tia Cordy me disse que vai ficar para o jantar. Esperava que, durante sua estadia, se instalasse em um dos quartos para convidados da casa.
Sloan no podia v-la, mas teria apostado que Amanda estava mordendo a lngua. A idia de alter-la at esse ponto o incitava a trocar de planos.
-Obrigado, mas j estou hospedado em um hotel.
-Bom, como queira. Mas saiba que pode vir s Torres quando quiser.
-Vou descer para ver se tia Cordy necessita de alguma ajuda -Amanda se despediu de Sloan com uma fria inclinao de cabea-. Deixo-o nas mos de C.C.
Sloan lhe piscou um olho.
-Obrigado pelo passeio, querida.
Quase pde ouvir o ranger dos dentes quando se retirava.
-Sua irm tem um temperamento difcil.
-Sim -concordou C.C. com um sorriso, e acrescentou a modo de advertncia-: Trent me disse que foi um grande mulherengo.
-Ainda continua zangado porque tirei-lhe uma mulher bem deibaixo de seu nariz quando ainda ramos jovens amalucados -a tomou pela mo e saram do quarto-.  mesmo 
verdade que est apaixonada por ele?
C. C. no pde deixar de rir.
-Agora entendo por que Trent disse para prender as minhas irms sob chave.
-S se parecerem com voc, espero que saibam cuidar de si mesmas.
-Oh, sabem sim. As mulheres Calhoun so talahdas de madeira especial -se deteve no alto da escada de caracol-. Ser melhor que o avise. A tia Cordy disse que o viu 
nas xcaras de ch esta manh.
-Nas... Ah.
-Sim -encolheu de ombros-.  um hobby. O caso  que pode comear a manipul-lo a qualquer momento, ainda mais se colocar na cabea que o destino o ligou a uma das 
minhas irms. Tem um bom corao, mas...
-Bom, os homens O'Riley tambm sabem cuidar de si mesmos.
-Muito bem -deu uns tapinhas no ombro-. Sorte sua.
-Me diga uma coisa, C.C. vou ter que afugentar  algum homem... Com o qual Amanda esteja se relacionando?
C.C. deteve-se, olhando-o fixamente.
-No -respondeu-. Ela sozinha se encarrega de afugent-los.
-Que bom - sorriu enquanto a seguia descendo as escadas. Quando chegaram ao segundo piso, ouviu um eco de gritaria infantil misturada com os latidos do Fred.
-So os filhos de minha irm Suzanne -explicou C.C. antes que ele pudesse lhe perguntar-. Alex e Jenny so as tpicas crianas tranqilas e nada escandalosas -acrescentou, 
irnica.
-Percebo.
Uma espcie de mssil de cabelo loiro subia a toda velocidade pelas escadas. Sloan teve o reflexo de intercept-lo e se encontrou olhando um curioso e simptico 
rosto, de enormes olhos azuis.
-Voc  alto! -exclamou Jenny.
- voc que  baixa.
-Quer brincar de cavalinho?
-Monta.
Sloan a carregou nas costas e prosseguiu descendo. Ao p da escada, Amanda segurava pela orelha  outra criatura, um menino pequeno e moreno.
-Onde est Suzanna? -perguntou-lhe C.C. a sua irm.
-Na cozinha. Deixou-me encarregada de vigiar a esses dois -olhou para Jenny-. E essa pequenina acabou de escapar.
-Quem  esse? -quis saber Alex.
-Sloan O'Riley -Sloan estendeu a mo. O menino vacilou por um instante antes de estreitar-lhe
-Fala engraado.  do Texas?
-Oklahoma.
-Hei, isso  legal. Alguma vez matou algum com uma arma?
-Ultimamente no.
-J  suficiente, que menino mais curioso! -exclamou C.C.-. Vamos lavar as meos para jantar -e desceu Jenny das costas de Sloan.
-Parecem bons meninos -comentou Sloan quando C. C. os levava escada abaixo.
-Os so -Amanda lhe lanou um genuno sorriso. O fato de hav-lo visto levando Jenny a cavalinho parecia hav-la enternecido-. Passam a maior parte do dia no colgio, 
assim no acredito que lhe incomodem muito em seu trabalho.
-Oh, lhe asseguro que no me incomodaro. Eu gosto de crianas. Em casa tenho um sobrinho que  um verdadeiro diabinho.
-Temo que estes ainda podem ser piores. Sabe? -sorriu de novo-.  bom que vejam de vez em quando a um homem em casa.
-E o marido de sua irm?
Amanda deixou de sorrir.
-Esto divorciados. Chama-se Baxter Dumont.
-Ouvi falar dele -respondeu, adotando de repente um tom frio, distante.
-Bom, mas isso j  outra histria. O jantar est quase pronto. Vou te mostrar o banheiro para que possa lavar as mos.
-Obrigado -distrado, Sloan a seguiu. Estava pensando que havia alguns episdios da histria que tinham o mau costume de coincidir no tempo. E de ocultar uns com 
outros.
 


Captulo 3
 
Amanda se afundou de repente na gua fria da piscina. E comeou a nadar seus habituais cinqenta metros. No havia nada que gostasse mais que comear o dia com um 
vigoroso exerccio fsico. Um exerccio que descarregasse a tenso acumulada e a pusesse em ponto para confrontar uma nova jornada de trabalho.
No a desgostava trabalhar de ajudante executiva no hotel BayWatch. Sobre tudo desde que gozava do privilgio de utilizar a piscina do hotel antes que se enchesse 
de clientes. Maio esta no fim e cada vez fazia mais calor.  obvio, aquilo no era nada comparado com as temperaturas de meios do vero, mas a maior parte dos quartos 
estava j ocupada, o que significava que Amanda estava cheia de trabalho.
Enquanto nadava, pensou que ao cabo de um ano seria a diretora do Refgio de Las Torres. Um hotel da cadeia do St. James. Era seu objetivo desde que aceitou seu 
primeiro trabalho a tempo parcial como recepcionista de hotel, com s dezesseis anos, estava j ao alcance de sua mo.
No podia negar que, de vez em quando, incomodava-a pensar que esse trabalho somente seria dela porque Trent ia casar-se com sua irm. Mas esse pensamento sempre 
acabava por fortalecer sua vontade de demonstrar a todo mundo que o merecia. Que era a pessoa mais capacitada para esse posto. Ao cabo de um ano chegaria a dirigir 
um hotel de elite, pertencente a uma das 'cadeias mais importantes do pas. E no simplesmente um hotel, recordou-se, As Torres. Parte de sua prpria herana, de 
sua prpria histria, de sua prpria famlia.
As dez luxuosas sutes que Trent pretendia criar na ala oeste estariam sob sua direta responsabilidade. E se suas previses eram certas, a aura legendria que rodeava 
As Torres manteria essas sutes cheias durante todo o ano. Faria um trabalho estupendo, excepcional; estava segura disso. Cada cliente das Torres voltaria para sua 
casa com a lembrana de um excelente e impecvel servio. No teria que depender de um exigente e suscetvel superior, nem se frustrar ao ver que ela fazia o trabalho 
e outros levavam os benefcios, ou o mrito. Ao final, o xito ou o fracasso seria somente dela. Mas teria que esperar a reforma do edifcio.
E o curso desses pensamentos a levava indevidamente a Sloan Ou'Riley. Certamente esperava que Trent soubesse o que estava fazendo ao contrata-lo. O que mais a desconcertava 
era como um homem to refinado e sofisticado como Trenton St. James III tinha podido fazer amizade com um tipo como O'Riley.
Amanda continuou nadando com energia. No se arrependia nem por um momento da grosseria com a que o tinha tratado. Aquele tipo se comportou com tanta arrogncia 
e insolncia desde o momento em que o conheceu... E, alm disso, atreveu-se a beij-la. Ela no o tinha animado absolutamente a faz-lo. Mas ele tinha esboado um 
estpido sorriso e a tinha beijado.
No tinha gostado desse beijo,  obvio. Se C.C. no tivesse entrado naquele preciso instante, lhe teria dado um castigo a O'Riley. O problema era que no tinha podido 
faz-lo. No era possvel que se sentisse atrada por um tipo duro, habituado ao viver  vida ao ar livre, de grandes mos calosas e velhas botas cheias de p. No 
era to estpida para deixar-se atrair por um par de olhos verdes, sempre com aquele brilho de diverso. Sua imagem de homem ideal inclua um certo refinamento, 
maneiras finas, cultura e uma certa aura de xito. Quando estivesse interessada em ter uma relao, esses seriam seus requisitos. E no vaqueiros arrogantes.
Possivelmente tinha visto algo tenro naquele homem quando ele falou com as crianas, mas isso no bastava para compensar seus outros defeitos. Recordava muito bem 
seu flerte com Cordy durante o jantar. Tinha conseguido divertir C.C. com piadas de seu tempo de estudante com Trent na universidade, e tinha respondido de bom humor 
s perguntas que os pirralhos lhe tinham feito sobre ndios, vaqueiros e cavalos.
Mas tinha olhado Suzanna com muito interesse para o gosto de Amanda, embora tambm com uma certa suspeita. Sim, devia ser um impenitente mulherengo. Se Lilah tivesse 
estado presente, provavelmente teria flertado deste modo com ela. Mas Lilah,  sabia muito bem como defender-se.
Suzanna era diferente. Era formosa, sensvel e vulnervel. Seu ex-marido a fizera sofrer muito, e ningum, nem sequer o arrogante Sloan Ou'Riley teria a menor oportunidade 
de lhe magoar mais A prpria Amanda se asseguraria disso.
Desta vez, quando pela ensima vez chegou ao extremo da piscina, acreditou ver algum na borda.
-Bom dia -Sloan sorria. O sol arrancava reflexos acobreados a seu cabelo despenteado-. Vejo que tem uma boa forma fsica.
-Que diabos est fazendo aqui?
-Aqui? -assinalou com o polegar o edifcio do hotel, a suas costas-. Bom, como dizem os vaqueiros, pendurei meu chapu neste stio. Quarto 320.
-Est alojado no BayWatch? -Amanda apoiou os braos na borda da piscina.
-Parece que sim.
Sem deixar de sorrir, Sloan se abaixou. E contemplou admirado a brancura de sua pele, que parecia uma caracterstica das Calhoun.
-Uma boa maneira de comear o dia.
-Era-franziu o cenho.
-Posso perguntar... O que est fazendo voc aqui?
-Eu trabalho aqui.
-Ah, sim? -pensou que as coisas estavam ficando cada vez mais interessantes.
-Sou ajudante executiva.
-Sei -apontou para a gua-. E est comprovando a temperatura da gua da piscina para os clientes? Isso sim que  dedicao.
-A piscina no abre at as dez.
-No se preocupe -enganchou os polegares nos bolsos de seu jeans-. Ainda no estava pensando em dar um mergulho de cabea -o que tinha pensado fazer era dar um passeio, 
longo e solitrio. Mas isso tinha sido antes de v-la nadar-. Suponho que, ento, se tiver alguma pergunta sobre o hotel, poderia faze-la a voc.
-Sim, poderia -Amanda se aproximou da escada para sair da piscina. Seu traje de banho cor azul safira, de uma s pea, grudava em seu corpo como uma segunda pele-. 
Gostou de seu quarto?
-Hum? -pensou que aquelas pernas pareciam ter sido desenhadas para fazer um homem suar . To largas e bem torneadas...
 -Seu quarto -repetiu enquanto recolhia sua toalha-. Voc gostou?
-Gostei muito -foi subindo o olhar desde seus finos tornozelos at suas coxas e quadris-. Acredito que, por esse preo, a vista vale muita a pena.
Amanda colocou a toalha ao pescoo.
-A vista da baa  grtis... Assim como o caf da manh europeu que agora mesmo esto servindo no restaurante. Suponho que queira aproveit-lo.
-J sei que dois pezinhos e um xcara de caf no saciam meu apetite. -como no queria que partisse ainda, agarrou-lhe a toalha com as mos-. Por que no se senta 
e desfruta comigo de um caf da manh de verdade?
-Sinto muito -o corao estava to acelerando que ela se preocupou-. Os empregados no podem se relacionar com os clientes.
-Suponho que poderamos fazer uma exceo neste caso, dado que somos... velhos amigos.
-Nem sequer somos novos amigos.
"Outra vez esse sorriso", pensou Amanda. Lenta, insistente, muito conhecedora.
-Isso  algo que poderamos arrumar diante de um bom caf da manh.
-Sinto muito. No estou interessada -comeou a voltar-se, mas Sloan a impediu ao no soltar a toalha.
-No lugar de que procedo as pessoas so um pouquinho mais amvel.
Dado que no lhe deixava mais remdio, Amanda ficou onde estava.
-E no lugar de que eu procedo, as pessoas so muitssimo mais amvel. Se tiver algum problema com o servio durante sua estadia no BayWatch, estarei encantada de 
te atender. Se tiver alguma pergunta mais sobre As Torres, poderei lhe responder com muito prazer. Mas, alm disso, no temos nada que falar.
Observou-a pacientemente, admirando sua capacidade de adotar um frio tom de voz que desmentia o brilho de seus olhos. Aquela era uma mulher dotada de um grande controle 
de si mesmo. E com muita garra.
-A que hora comea sua jornada aqui?
-s nove. E agora, se me desculpar, eu gostaria de me vestir.
Sloan elevou o olhar para comprovar a posio do sol.
-Parece-me que ainda dispe de uma hora antes que tenha que entrar. E por sua maneira de vestir, no demorar nem meia hora em se preparar.
Amanda fechou os olhos por um instante, a ponto de gritar.
-Sloan, voc est tentando me irritar? 
-No h  nenhuma necessidade. Voc se  irrita sozinha -com aparente naturalidade puxou-a pelos dois extremos da toalha, aproximando-a de si. Sorriu ao ver que levantava 
rapidamente a cabea-. O que foi        ?
Amanda estava desgostosa consigo mesma pela forma que se corao tinha se acelerado, e pelo n de tenso que sentia no estmago.
-O que h, O'Riley? -perguntou-. J deixei claro que no estou interessada.
-Srio? -aproximou-a ainda mais. O humor que at esse momento tinha brilhado em seus olhos se transformou imediatamente em algo diferente. Estava to escuro e perigoso 
como excitante-.  como um manancial de gua fresca. Cada vez que estou perto de voc, me d uma sede terrvel -com um ltimo puxo, a fez perder o equilbrio e 
cair diretamente sobre ele. As mos ficaram aprisionadas contra seu poderoso corpo-. E esse pequeno beijo que roubei ontem no foi suficiente -inclinando a cabea, 
mordiscou-lhe o lbio inferior.
Sloan pde perceber seu tremor, mas enquanto a olhava nos olhos, no viu medo neles. Uma pontada de pnico possivelmente, mas no medo. Mesmo assim, esperou que 
ela resistisse, Ou que pronunciasse uma negativa. Isso era algo que teria que respeitar, por muito intensa que fosse sua necessidade de sabore-la.
Mas Amanda no disse nada, simplesmente ficou olhando com aqueles enormes olhos cheios de suspeita. Brandamente Sloan lhe acariciou os lbios com os seus.
-Quero mais -murmurou. E insistiu.
Amanda tinha fechado os punhos, mas no podia us-los para empurr-lo. O combate estava liberando em seu interior, uma selvagem e cruel batalha que estava transtornando 
completamente seu sistema nervoso inclusive enquanto ele bombardeava daquela forma seus sentidos. Apanhada entre dois fogos deixou de pensar.
A boca do Sloan no se movia com lassido, nem suas mos com lentido. Seus lbios arrasavam os seus enquanto com uma mo lhe pressionava as costas nua e mida. 
Pouco a pouco Amanda foi abrindo os dedos e, depois de subir por seus ombros, por seu pescoo, terminou enterrando-os em seu cabelo. Aquele desespero que estava 
sentindo era algo novo, aterrador, maravilhoso. Algo que a impulsionava a agarrar-se contra seu peito com a mesma urgncia com que ele a estava abraando.
Aquela repentina mudana o desconcertou. Estava acostumado que lhe nublassem os sentidos com uma mulher. Mas aquilo era diferente. No preciso instante em que Amanda 
passou de uma aturdida rendio para aquela febril urgncia, descobriu em si mesmo uma necessidade to intensa e aguada que parecia lhe perfurar a alma. A partir 
de ento, somente sentiu-a. A mida e sedosa textura de sua pele. O doce calor de seus lbios.
Amanda temia que o corao fosse pular fora do peito. Era como se o calor de seu corpo tivesse convertido a gua de sua pele em vapor, e aqueles vapores tivessem 
subido ao crebro.
-Amanda -pronunciou Sloan, respirando profundamente. Abriu os olhos e, ao olh-la, voltou a sofrer aquela pavorosa pontada de desejo-. Suba para meu quarto.
-Seu quarto? -levou uma mo trmula at os lbios, e depois a tmpora-. Seu quarto?
Aquela voz rouca e aquele olhar aturdido estavam a ponto de enlouquec-lo, de faz-lo cair de amores diante dela. At hoje nunca suplicara a uma mulher, mas com 
a Amanda suspeitava que isso era algo inevitvel.
-Venha comigo -com gesto possessivo, deslizou as mos por seus ombros. Em algum momento a toalha tinha escorregado e cado ao cho-. Precisamos terminar isto em 
particular.
-Terminar isto?
Com um grunhido, voltou a beij-la. Foi um ltimo, longo e faminto beijo.
-Acredito que v chegar tarde ao trabalho.
Antes que pudesse recuperar-se, Amanda se deu conta de que a estava empurrando brandamente para a porta. "Seu quarto?", perguntou-se, enjoada. Oh, Deus, o que tinha 
feito? O que estava a ponto de fazer? "No", pensou, decidida.
-No vou a nenhuma parte -exclamou, separando-se bruscamente dele.
- um pouco tarde para brincar -estendeu uma mo, segurando sua nuca-. Desejo-a. E no pode dissimular que voc tambm me deseja. No depois do que acaba de ocorrer.
-Eu no brinco -replicou com tom firme, perguntando-se se ele poderia escutar os batimentos acelerados de seu corao-. E no penso  em come-lo a  faz-lo agora 
-se recordou que era uma mulher razovel. No das que corriam para um quarto de hotel para fazer amor com um estranho. - Quero que me deixe em paz.
-Nem pensar. Eu sempre termino o que comeo.
-Pois considere isto como terminado. No tinha nenhum sentido come-lo.
-Por que?
Amanda se voltou para pegar o penhoar.
-Conheo o seu tipo, O'Riley.
-Conhece?
-Vai viajando de cidade em cidade e dedica seu tempo livre a se deitar com a primeira mulher que encontra -amarrou com fora o cinturo-. Pois bem, eu no estou 
disposta.
-Creio que j me etiquetou, n? -no a tocou, mas sua expresso bastou para intimid-la. No se incomodou em lhe explicar que com ela era diferente. Isso era algo 
que nem sequer explicara a si mesmo-. Pode tomar isto como uma advertncia, Calhoun. No terminamos. No fim a terei.
-Me ter? -em um acesso de orgulho e fria, deu um passo em sua sireo-. Maldito arrogante...
-Reserve essas adulaes para mais tarde -a interrompeu-. Porque haver um depois, Amanda, e estaremos ss. E prometo que no ser algo rpido -sorriu-. Quando fizermos 
amor,  demorarei um longo tempo e me dedicarei a satisfaze-la-deslizou um dedo pelo pescoo at seu penhoar-. E a deixarei louca.
Retirou-lhe bruscamente a mo.
-Isso j conseguiu.
-Obrigado. Bom, agora vou tomar o caf da manh. Que tenha um bom dia.
"Terei-o", pensou Amanda enquanto Sloan se afastava tranqilamente, assobiando. Teria sempre um bom dia,enquanto no voltasse a cruzar com ele.

J era bastante ruim ficar trabalhando at tarde, mas ter que agentar um dos habituais sermes do senhor Stenerson sobre a eficincia era demais. Como diretor do 
hotel BayWatch, Stenerson era to exigente como manaco e enxerido com seus empregados. Seu mtodo preferido de superviso era delegar. Dessa maneira sempre podia 
jogar a culpa a algum quando as coisas saam mal, e levar o mrito quando davam certo.
Em seu escritrio decorado em tons pasteis, Amanda escutava pacientemente a lista de queixa daquela semana.
-O servio de limpeza se atrasou vinte minutos. Quando fiz a  vigilncia no terceiro piso, descobri este pacote de celofane sob a cama da 302 -levantou a mo e agito 
o plstico como se fosse uma bandeira-. Espero que tome mais cuidado, senhorita Calhoun.
-Sim, senhor. Falarei pessoalmente com o servio de limpeza.
-Ser melhor que o faa -tomou seu caderno, de que nunca se separava-. A velocidade do servio de quartos caiu em oito por cento. A este ritmo, quando chegarmos 
ao pico de temporada ter descido em vinte.
Ao contrrio de Stenerson, Amanda tinha trabalhado tempo extra na cozinha durante as horas do caf da manh e almoo.
-Possivelmente se contratssemos a um garom ou dois mais... -comeou a dizer.
-A soluo no esta em ampliar os funcionrios, mas sim em melhorar a eficincia deles-tamborilou com os dedos em seu caderno-. Espero que para a semana que vem 
o servio de quartos renda ao mximo de sua capacidade.
-Sim, senhor.
-Espero tambm que esteja disposta a arregaar as mangas e trabalhar no que seja e quando for necessrio, senhorita Calhoun -entrelaou suas brancas e finas mos 
e se inclinou para frente. Antes que voltasse a abrir a boca, Amanda j sabia o que ia seguir-: Faz vinte anos que trabalhei de garom neste hotel, e s  fora 
de pura determinao foi que alcancei a posio que ostento hoje. Se voc espera ter o mesmo xito, possivelmente inclusive ocupar meu posto quando me aposentar, 
dever viver por e para o BayWatch. Recorde que a eficincia da empresa  sempre um reflexo da de cada empregado, senhorita Calhoun.
-Sim, senhor -ansiava em lhe dizer que ao cabo de um ano ela teria sua prpria empresa e seu prprio escritrio, e que com muito prazer 'mandaria aquele emprego 
ao diabo. Mas no disse. At que chegasse o momento, necessitava do posto e do pagamento semanal-. Agora mesmo tenho uma reunio com os funcionrios da cozinha.
-Bem, bem.Esta tarde deixo voc cuidando de tudo. No quero que me incomode. Oh, e quanto s reservas de agosto, quero um relatrio. Ah, e fale com o menino da piscina 
a respeito dessas toalhas desaparecidas. Este ms perdemos cinco.
-Sim, senhor, algo mais? -"quer que lhe abrilhante os sapatos, que lhe lave o carro?", disse mentalmente.
-No. Isso  tudo.
Amanda abriu a porta e se esforou em parecer uma profissional fria e imperturbvel. Naquele instante tinha vontade de atirar coisas ao cho e dar cabeadas contra 
a parede. Mas antes que tivesse oportunidade de retirar-se para  um lugar discreto e privado para faz-lo, chamaram-na recepo.
Sloan se sentou no vestbulo com a nica inteno de observ-la. Surpreendeu-se ao ver que ainda estava trabalhando. Tinha passado o dia inteiro em Las Torres, e 
a maleta que tinha ao lado estava cheio de notas, medidas e esboos. H essas horas, as nicas que queria era tomar uma boa cerveja e comer um saboroso fil.
Mas ali estava Amanda, informando aos clientes, dando ordens a seus ajudantes, assinando papis. E, apesar disso, to fresca e to bela como aquela manh. Em certo 
momento viu como segurava ao telefone enquanto atendia  uma chamada.
Era um verdadeiro prazer contempl-la. Transbordava uma incansvel atividade, sem esforo aparente. Mas no. Porque, quando se olhava melhor, via que tinha o cenho 
levemente franzido. Talvez de frustrao, ou de desgosto. Ou de simples teimosia.
Sentiu o poderoso impulso de levantar-se e ir para ela para apagar aquele sombrio cenho. Mas, em lugar disso, chamou um garoto.
-Senhor?
-H alguma floricultura aqui perto?
-Sim, senhor. Aqui ao lado, descendo a rua.
Ainda observando Amanda, Sloan tirou a carteira e entregou ao menino vinte dlares.
-Por favor, voc pode me comprar uma rosa vermelha? Quero uma com as ptalas ainda fechadas. E fica com o troco.
-Sim, senhor. Muito obrigado.
Enquanto esperava, Sloan pediu uma cerveja e acendeu um charuto. Logo, com as pernas estiradas, preparou-se para desfrutar do que seguiria a seguir.
Agarrando com fora o telefone, Amanda levou uma mo ao estmago. Ao menos quando descia  cozinha para falar com os trabalhadores podia beliscar algo. Um olhar 
ao relgio lhe confirmou que no teria tempo para revisar os papis de sua famlia, como estava acostumado a fazer diariamente,  busca de alguma pista do colar 
de esmeraldas. A nica coisa boa daquela situao era que, quando voltasse para As Torres, no teria que agentar a aborrrecida presena do Sloan.
-Desculpe.
Amanda ergueu o olhar e viu um homem elegante e atraente, vestido com um traje de cor creme. Usava o cabelo escuro penteado para trs, e tinha olhos azuis de olhar 
clido, sorridente. Seu leve sotaque ingls acrescentava ainda um maior encanto a sua voz.
-Me diga, senhor, no que posso ajud-lo?
-Eu gostaria de falar com o diretor.
-Sinto muito, mas o senhor Stenerson no est disponvel neste momento. Se tiver algum problema, eu adoraria poder ajud-lo.
-Oh, no  nenhum problema, senhorita... -baixou o olhar no nome que aparecia em seu crach... Calhoun. Vou me hospedar aqui durante algumas semanas. Tenho a sute 
Island reservada.
-Ah,  obvio, senhor Livingston. Estvamos a sua espera -rpida e diligentemente, comprovou os dados no computador-. J se hospedou antes no hotel?
-No -sorriu-. Infelizmente.
-Espero que a sute seja de seu gosto -enquanto falava, entregou um carto de registro-. Se houver algo que possamos fazer para lhe fazer mais agradvel sua estadia 
aqui, no duvide em nos pedir isso.-Estou seguro de que minha estadia vai ser muito prazerosa -lhe lanou um olhar ao tempo que preenchia o documento-. Mas, por 
desgraa, tem que ser tambm produtiva. Queria me informar a respeito da possibilidade de alugar uma mquina de fax durante minha estadia...
-No hotel temos um servio de fax a disposio dos clientes.
-Temo-me que tenho trabalho pendente, e vou necessitar um aparelho prprio. No seria prtico ter que descer aqui cada vez que precisasse enviar ou receber algum 
documento. Naturalmente, estou disposto a pagar o que for necessrio. Se no puder alugar um, eu posso comprar.
-Verei o que posso fazer.
-Ficaria muito agradecido -lhe estendeu seu carto de crdito-. Ah, usarei o salo da sute como escritrio. Preferiria que o servio de limpeza no tocasse nos 
meus papis.
-Claro, como quiser.
-Seria indiscreto se lhe perguntasse se conhece bem a ilha?
-Nasci nela -sorrindo, Amanda lhe devolveu o carto e lhe entregou as chaves.
-Maravilhoso. Ento recorrerei a voc se tiver alguma pergunta. Muito obrigado por tudo, senhorita Calhoun -enquanto lhe estreitava a mo, voltou a olhar seu nome 
no crach-. Amanda.
-De nada -nervosa, chamou o carregador-. Que desfrute de sua estadia aqui, senhor Livingston.
-J estou fazendo.
Assim que se retirou, Karen, a jovem companheira de Amanda na recepo, soltou um profundo suspiro.
-Quem era esse?
-William Livingston.
-Um tipo magnfico. Se tivesse olhada para mim, como olhou para voc, eu teria me derretido por dentro.
"William Livingston", repetiu-se Amanda, com o olhar fixo no impresso de registro. De Nova Iorque. Ele pretendia passar duas semanas na sute Island, isso queria 
dizer que tinha tanto dinheiro como encanto, elegncia e bom gosto para  roupas. Se tivesse procurando um homem, aquele cavalheiro teria satisfeito todos seus requisitos. 
Abriu a lista telefnica e procurou um servio de aluguel de mquinas de fax.
-Ol, Calhoun.
Com um dedo em uma pgina da agenda, ergueu o olhar. Era Sloan, com sua camisa de flanela enrolada at os cotovelos, levemente despenteado, apoiado indolentemente 
sobre o balco.
-Estou ocupada -pronunciou, depreciativa.
-Trabalhando at tarde?
-Que sagaz.
-Est linda com esse traje -deslizou um dedo pela lapela de sua jaqueta vermelha-. Em plena moda e recatada, claro.
Longe do pequeno sobressalto que sofreu quando William Livingston lhe estreitou a mo, o contato de Sloan acelerou violentamente seu corao.
-Tem algum problema com seu quarto? -inquiriu irritada.
-No.  muito bonito.
-Com o servio?
-No poderia me queixar de nada.
-Ento, se me desculpar, tenho trabalho a fazer.
-Oh, imagineique sim. No deixei de observ-la durante a ltima meia hora.
-Esteve me observando? -exclamou, franzindo o cenho.
Sloan manteve o olhar fixo em seus lbios, lembrando seu sabor.
-Sim. Enquanto tomava uma cerveja.
-Deve ser muito agradvel ter tanto tempo livre. E agora...
-O importante no  a quantidade, se no souber aproveita-la. E j que no conseguiu tomar caf comigo, que tal se jantssemos juntos?
Consciente de que suas companheiras mantinham os ouvidos bem abertos, Amanda baixou a voz.
-Ainda no colocou na cabea que no estou interessada?
-No -sorriu, e deu uma piscada a Karen, que se aproximara discretamente-. Voc disse que no gosta de perder tempo. Assim pensei que poderamos jantar um pouco 
e retomar aquilo que tnhamos comeado esta manh.
Amanda recordou aqueles segundos em que se havia sentido perdida em seus braos. Com a mente nublada e o pulso lhe pulsando a toda velocidade. Ficou-se contemplando 
fixamente seus lbios quando um irnico sorriso a trouxe de repente  realidade.
-Estou ocupada, e no tenho nenhum desejo...
-Tem muito desejo, Amanda.
-No quero jantar com voc, est claro?
-Como o cristal. Estarei l em cima, caso voc mude de idia -de repente tirou a rosa que tinha mantido oculta atrs das costas e a ps na mo-. No trabalhe muito.
-Que sorte. Dois pretendentes em uma s tarde -murmurou segundos depois Karen, vendo Sloan afastar-se-. Meu Deus, como fica bem de jeans.
Em pensamento, Amanda no pde mais que lhe dar a razo, e se amaldioou.
- um homem grosseiro, irritante e insuportvel -e passou levemente a rosa no rosto.
-De acordo, ento eu ficarei com o segundo candidato. Assim poder se dedicar ao de Nova Iorque.
- Vou me dedicar  a trabalhar. E voc tambm. Stenerson est para se aposentar, e a ltima coisa que preciso  que um maldito vaqueiro altere minha rotina de trabalho.
-Quem dera, eu bem que gostaria que ele alterasse minha vida -murmurou Karen antes de continuar com suas tarefas.
Amanda se prometeu que no voltaria a pensar nele. Deixou a rosa de lado, mas voltou a peg-la. Depois de tudo, a culpa no era da flor, que merecia que a pusessem 
em gua e a admirassem por sua beleza. Um tanto abrandada aspirou seu aroma e sorriu. Sloan tinha tido um gesto muito doce ao dar a flor de presente. Ela estava 
muito irritada, mas teria que agradece-lo.
De repente o telefone soou. Com gesto ausente, pegou o telefone.
-Recepo, Amanda Calhoun. No que posso ajud-lo?
-S queria ouvi-la dizer isso -Sloan riu -. boa noite, Calhoun.
Resmungando, Amanda voltou a desligar.
No obstante, sem saber por que, ps-se a rir quando levou a rosa para seu escritrio para procurar um copo onde p-la.


Corri para ele. Era como se outra mulher estivesse correndo pela grama, ladeira abaixo, pelas rochas. Naquele momento no existia o justo ou o injusto. No existia 
nenhum dever exceto o que me exigia meu prprio corao. Porque indubitavelmente era meu corao que guiava meus passos, meus olhos, minha voz.
Virou-se de costas ao mar. A primeira vez que o vi se encontrava de frente para mar, liberando sua batalha pessoal com as pinturas e o tecido. Mas naquele instante 
s estava contemplando a gua. Quando o chamei, virou-se. Em seu rosto pude ver o reflexo de meu prprio prazer. Sua risada era a minha enquanto corria ao meu encontro. 
Abraou-me com tanta fora... Ocorreu o que tanto tinha sonhado. Sua boca se adaptava perfeitamente  minha, to tenra e ao mesmo tempo to impaciente...
O tempo no se detm. Enquanto estou aqui sentada escrevendo isto, agora sei. Mas ento... Oh, ento sim que se deteve. Somente existia o vento e o rumor do mar 
e a simples maravilha de estar em seus braos. Como se durante toda minha vida tivesse estado esperando que acontecesse aquele instante mgico.
De repente se afastou, deslizou as mos por meus braos at as entrelaar com as minhas, e as levou aos lbios. Seus olhos se obscureceram, tornou-se da cor da fumaa.
-Fiz as malas -disse-. J tinha preparado tudo para voltar a Inglaterra. Ficar aqui sem voc foi um inferno. Fiquei louco s de pensar que possivelmente nunca mais 
voltaria a v-la, a toc-la... Cada dia, cada noite, Bianca, suspirei por voc.
Eu lhe acariciava o rosto, delineando seus olhos como tantas vezes tinha sonhado faz-lo.
-Eu tambm temia no voltar a v-lo. Tentei rezar para que no fosse-me separei dele, repentinamente envergonhada-. Oh, o que pensar de mim? Sou a esposa de outro 
homem, a me de seus filhos...
-Aqui no -sua voz era dura, embora suas mos eram tenras-. Aqui me pertence. Aqui, onde a vi pela primeira vez faz agora um ano. No pense nele.
Beijou-me outra vez, e j no pude pensar. Nada importava.
-Esperei-a, Bianca, no frio do inverno, no calor da primavera. Quando tentava pintar, era sua imagem  que assaltava minha mente. Podia v-la aqui, onde est, com 
o vento fazendo seu cabelo ondear, com a luz do sol tornando-o avermelhado, e dourado. Tentei esquece-la -com suas mos em meus ombros, olhava-me como se queria 
devorar meu rosto-. Tentei me dizer que isto era um engano, que por seu bem, quando no pelo meu, devia partir daqui. Imaginava voc com ele, assistindo a um baile, 
ao teatro, se deitando em sua cama -seus dedos se enrrijeceram sobre meus ombros-. "Ela  sua esposa", pensava eu. "No tem direito a desej-la, e esperar que venha 
a voc. Que pertena a voc".
Acariciei-lhe os lbios com a ponta de meus dedos. Sua dor era a minha.
-Vim at voc. Perteno-lhe.
Deu-me a costa. A sensatez e o amor lutavam em seu interior.
-No tenho nada que oferecer.
-Seu amor sim. No desejo outra coisa -lhe respondi.
-J sou seu. Fui seu do primeiro momento em que o vi -se voltou outra vez para mim e me acariciou-me a face. Eu podia ver o arrependimento, e tambm o desejo, naqueles 
preciosos olhos-. Bianca, no h futuro para ns. Nem posso pedir, e no pedirei, que renuncie ao que tem.
-Christian...
-No. No o farei. Sei que me daria o que pedisse, o que no tenho nenhum direito a pedir, e que depois me odiaria por isso.
-No -naquele momento recordo que afloraram em meus olhos as lgrimas-. Eu nunca poderia odi-lo.
-Ento me odiaria eu. Mas sim pedirei umas poucas horas de sua companhia neste vero, quando puder vir aqui... E possamos fingir que o inverno nunca vir, sorrindo, 
beijou-me com ternura-. Venha aqui e se rena comigo, Bianca, sob a luz do sol. Deixe-me pint-la. Me contenterei com isso.
E assim cada manh, cada dia durante este doce e interminvel vero, passei com ele. Nos escarpados, frente ao mar, seremos felizes enquanto pudermos ser, dois apaixonados.
 

Captulo 4
 
-Ol.
Sloan ergueu o olhar das notas que estava tomando no salo de bilhar e viu uma esbelta cigana, vestida com uma bata estampada de flores. Seus olhos de olhar sonhador 
o examinaram enquanto entrava no salo, com a atitude de algum que tivesse todo o tempo do mundo e estivesse disposto a esbanj-lo generosamente.
-Ol -Sloan percebeu seu perfume sutil, como a flores secas, antes que lhe oferecesse a mo.
-Eu sou Lilah. Durante os dois ltimos dias no pudemos nos conhecer.
-E eu o lamento terrivelmente.
Ps-se a rir. As primeiras impresses contavam muito para Lilah, e a essa altura j tinha decidido que Sloan era encantador.
-Eu tambm. O que esteve fazendo?
-Me familiarizando com este lugar, e com as pessoas que o habitam. E voc?
-Estive ocupada tentando descobrir se estava apaixonada ou no.
-E?
-No -respondeu, mas a Sloan no passou desapercebido o olhar nostlgico que apareceu em seus olhos antes de voltar-se para caminhar pelo salo-. Bem, no que pensa 
transformar este salo?
-Em um elegante restaurante no estilo dos princpios de sculo. Derrubaremos parte dessa parede aqui, abriremos uma porta que comunicar com o outro lado, instalaremos 
um par de portas com vidraas e j teremos o restaurante.
-Assim, sem mais?
-Assim sem mais... Depois de ter solucionado os problemas que possa ter a estrutura. Dentro de alguns dias j terei preparado os esboos preliminares para mostrar 
ao Trent e a sua famlia.
-Parece-me estranho... -murmurou Lilah, deslizando um dedo pelo respaldo de uma antiga e empoeirada cadeira-... imaginar este lugar novo e reformado, com gente vivendo 
nele, como antes -entretanto, fechava os olhos, podia v-lo perfeitamente-. Aqui estavam acostumados a dar as grandes festas, muito elegantes. Imagino ameu bisav 
saboreando um uisque ao lado da mesa de bilhar... -voltou-se para Sloan-. Pensa nessas coisas quando faz seus esboos e calcula as medidas de tudo?
-Sim. Olhe, aqui, no cho, h um rastro de queimadura -indicou o lugar com sua caneta-. Imagino a um tipo grosseiro, vestido de fraque, que deixou cair por descuido 
a cinza de seu charuto enquanto discutia sobre a guerra na Europa. Outros dois estariam ao lado dessa janela, bebendo brandy e champanhe em uma conversao sobre 
o mercado de aes.
Rindo, Lilah lhe aproximou.
-E as senhoras estariam l embaixo, no salo.
-Escutando msica de piano e falando das ltimas novidades da moda de Paris.
-Ou discutindo sobre a possibilidade de alcanar o direito ao voto.
-Isso.
-Sabe? Acredito que voc  justo o que As Torre necessitam. Posso dar uma olhada em seus desenhos, ou tem vergonha mostr-los?
-Tenho por costume no contrariar jamais a uma mulher bonita.
-Ardiloso e inteligente -se inclinou sobre seu ombro e  espiou seus papis-. Mas esta  a sala do imperador.
-O que?
-A Sala do Imperador: assim  como chamamos a melhor ala de convidados. A que tem esse enfeite de anjinhos no teto -tirando o cabelo do rosto, examinou o desenho 
mais de perto-.  estupendo -advertiu que o closet tinha sido convertido em um pequeno e acolhedor salo. O banheiro tinha sofrido mudanas, com um moderno jacuzzi 
instalado no que tinha sido um velho chuveiro-. Todo no estilo de princpios de sculo. Logo no trocou a decorao original.
-Trent me disse que queria conseguir luxo e funcionalidade sem alterar a atmosfera, o ambiente originrio. Conservaremos a maior parte dos materiais e substituiremos 
os que sejam irrecuperveis.
-Conseguir -de repente, um brilho de emoo apareceu nos olhos do Lilah enquanto apoiava uma mo em seu ombro-. Meu pai queria faz-lo. Minha me e ele falavam 
o tempo todo sobre isso. Como seria bom se pudessem v-lo.
Comovido Sloan ps uma mo sobre a dela. E nessa postura estavam quando Amanda entrou na ala. Sua primeira reao foi assombro ao ver sua irm com a face quase encostada 
em Sloan. Logo sobreveio a pontada de cimes. Estava claro que tinha interrompido um momento privado, ntimo.
De todo jeito, por que se assombrava? Acaso no o tinham definido como um impertinente mulherengo?
-Perdo -pronunciou com voz fria, entrando na sala-. Estava procurando-a, Lilah.
-Pois me encontrou - respondeu, ainda com os olhos brilhantes de emoo. No se incomodou em separar-se dele-. Pensei que j era hora de conhecer  Sloan.
-Vejo que j o conheceu -decidida a aparentar um tom de naturalidade, Amanda afundou as mos nos bolsos das calas-. Hoje  sua vez de revisar os papis da famlia.
-Puxa,  para isto servem os dias livres -Lilah enrugou o nariz, e lanou a Sloan um sorriso cmplice-. As Calhoun se converteram em detetives,  caa e captura 
de pistas sobre o esconderijo das esmeraldas.
-Ouvi falar sobre isso.
-Possivelmente voc as encontrar um dia por acidente, atrs de uma parede falsa-com um suspiro, disps-se a retirar-se-. Bom, o dever me chama. Mandy deveria dar 
uma olhada nos esboos do Sloan. So estupendos.
-No duvido.
Seu tom irnico no refletia nenhuma dvida sobre sua atitude. Consciente disso, Lilah aproveitou para provocar sua irm, e antes de partir, inclinou-se para beijar 
Sloan  na face.
-Bem-vindo s Torres.
A inteno de Lilah era clara, ela tinha o olhar sonhador, mas neste momento brilhava neles pura malicia.
-Obrigado. Cada dia que passa, sinto-me mais e mais cmodo. Como se estivesse em meu prprio lar.
-Vejo-a no armazm dentro de quinze minutos -disse a Amanda, sorrindo, e abandonou a sala.
- esse seu novo uniforme? -perguntou Sloan a Amanda vendo-a parada no meio da sala, com as mos ainda nos bolsos de suas folgados calas cinzas.
-Hoje entro  no trabalho as duas.
-timo. Sabe? Eu gosto de sua irm. 
-Eu percebi.
-O que ela faz?
-Trabalha como naturalista no Parque Nacional da Acdia.
-Esse ofcio lhe cai bem.
Como se seu tom de admirao no a tivesse incomodado absolutamente, encolheu os ombros e se aproximou das portas que comunicavam com o terrao.
-Acreditei que estaria tomando medidas, ou algo assim... -por cima do ombro, lanou-lhe um olhar enviesado-. Das alas,  claro.
Sloan ps-se a rir.
- Fica muito bonita quando est com ciumes, Calhoun.
Amanda se voltou rapidamente.
-No sei do que est falando.
-Claro que sabe, mas pode ficar tranqila.  voc que desejo.
Acaso esperava que se sentisse adulada?, Perguntou-se.
-Pareo um objeto?
-Mas se parece com o grande prmio -ergueu uma mo com gesto conciliador-. Olhe, antes que voc exploda, por que no nos ocupamos de nosso negcio?
-Voc e eu no temos nenhum negcio em comum.
-Trent me disse que, at que voltasse, voc era a nica com quem devia covenrsar sobre as reformas. Ao que parecer  a pessoa mais capacitada para isso da famlia, 
e, alm disso, conhece bem o negcio hoteleiro.
-O que quer saber?
-Pensei que voc gostaria de dar uma olhada no meu trabalho.
Embora morria de vontade, procurou dissimul-lo.
-Tudo bem, Mas disponho s de alguns minutos.
-Terei que me conformar -esperou enquanto ela atravessava a sala-. Esbocei os planos de duas sutes -a informou, mexendo nos papis-. Alm da torre e da maior parte 
do restaurante que ocupar esta ala.
Amanda se aproximou. Ficou impressionada com seus esboos.
-Trabalha rpido -comentou, surpresa.
-Para isso me pagam -desfrutou observando a forma que erguia uma mo para afastar o cabelo dos olhos. Cheirava maravilhosamente bem.
-O que  isto?
-O que? -estava muito ocupado admirando o reflexo do sol em seu cabelo para prestar ateno a qualquer outra coisa.
-Isto -indicou um ponto no desenho.
-Hum.  uma antiga escada para uso dos empregados. Derrubando-a poderemos fazer uma sute de dois nveis: em um piso o salo e o banheiro, e no outro dois dormitrios 
e um banheiro maior. Dado que as escadas so abertas, isso nos permite uma separao de funes sem por isso reduzir o espao.
-Fica bem. Suponho que agora ter que conseguir os oramentos.
-J tenho feito algumas ligaes.
Amanda era consciente de que a afrouxava as defesas por alguns momentos. Estava muito perto dela.
-Bom, obviamente... -voltou a cabea para olh-lo. Olhava-a com expresso tranqila. Perigosamente tranqila-... sabe o que est fazendo.
-Sim.
"Claro que sabia", pensou no instante em que se viu irremediavelmente atrada para ele... Por uma espcie de fora interior, por uma clida necessidade que a percorria 
por dentro. Tinha que ceder, inclinar-se um pouco mais... Sim, poderia beijar esses lbios, e voltar a sentir, como no dia anterior, aquele inefvel prazer e aquela 
arrebatadora excitao. Estava-a esperando, observando-a com aqueles olhos verdes obscurecidos de desejo, desejando que fizesse aquele leve, mas significativo movimento. 
E conforme seguia deslizando-se a seu encontro, ouviu-se si mesmo suspirar.
Mas ento recordou.
Tinha-o pego em uma postura muito semelhante com Lilah fazia poucos minutos. Somente uma estpida se deixaria manipular por um homem que parecia seduzir mulheres 
to rpido quanto podia piscar. E Amanda Calhoun no era nenhuma estpida. Rapidamente se afastou.
-Aconteceu algo? -perguntou-lhe ele.
-No sei o que quer dizer.
- obvio que sabe. Estiveste a um passo de me beijar, Mandy. Podia ver em seus olhos. Mas agora seu olhar tornou a gelar.
Amanda gostaria de fazer o mesmo com seu sangue.
-Acredito que traiu seu prprio ego. Suponho que  algo tpico nos homens como voc. Se quiser um momento divertido com alguma mulher, volte a tent-lo com Lilah.
Sloan estava acostumado a dominar sua impacincia. Mas naquele momento, com Amanda, no estava nada fcil.
-Est-me dizendo que Lilah est disponvel para qualquer homem que a queira?
-Voc no sabe nada de minha irm, O'Riley -ficou, vermelha de fria-. Olhe bem o que diz ou eu...
-S te perguntava pelo que voc mesma havia dito -lhe recordou.
-Eu posso dizer o que quiser, voc no. Lilah tem um grande corao, generoso demais. Se lhe fizer mal...
-Espera, espera -rindo, ergueu as mos em um gesto de rendio-. Olhe, se tiver que me julgar, prefiro que o faa por algo que eu tenho feito... Ou ao menos pelo 
que pretendo fazer. Em primeiro lugar, no sou o perigoso depredador que parece pensar que sou. E, em segundo lugar, no estou interessado em... Flertar com o Lilah.
-Acabou? -disse Amanda, erguendo o queixo.
-Acabei. Agora me diga, herdou a demncia de sua bisav ou simplesmente  assim de obstinada?
Tinha chegado a um ponto em que se sentia to envergonhada como furiosa, e se aproximou da janela. Se Sloan era um depredador, isso no era problema dela. Seu problema 
era que tinha reagido de maneira exagerada ao v-lo com o Lilah. Estava-se complicando a vida por nada. Continuaria enfrentando ele cada vez que passavam cinco minutos 
juntos, sua relao profissional acabaria se desgastando. E, depois de tudo, o trabalho era o principal.
-Bem. Acredito que deveramos limitar nossa relao a um nvel profissional. E deix-la a.
-Faz muito bem -observou Sloan.
-O que?
-Enganar a si mesma. No deve ser nada fcil sentir por dentro a metade do que sinto eu -sorriu-.   Continue , ponha sua mscara de profissional.  algo que admiro 
muitssimo em voc.
Amanda no sabia se gritava, ou chorava, ou simplesmente reconhecia sua derrota. Finalmente sacudiu a cabea e o tentou de novo.
-Eu gosto de seu trabalho.
-Obrigado.
-Trent e eu j estivemos falando do projeto. Para que C.C. e ele sigam de lua de mel para quando comearmos a receber as primeiras ofertas. Se esse for o caso, voc 
e eu teremos que tomar decises. Por isso  parte da casa que ser o hotel, voc tem passe livre para fazer o que quiser. Sem limite. Quanto  outra parte da casa, 
a familiar, s nos interessa as reparaes mais essenciais.
-Por que? -inquiriu Sloan-. Todo o edifcio merece uma remodelao completa.
-Porque o hotel  um negcio, e as Calhoun e os St. James sero os scios. Ns temos a propriedade, ele tem o capital. Ns no vamos nos aproveitar da generosidade,e 
nem do fato de que ele vai se casar com C.C.
-Parece-me que Trent tem outros planos -refletiu por um momento-. E sei que jamais permitiria que algum se aproveitasse de sua generosidade.
-Sei -sorriu Amanda-, e ns, estamos muito agradecidas por seu desejo de nos ajudar, mas nossa deciso  firme. As Torres, ou melhor a parte das Torres que nos pertence, 
 um assunto das Calhoun. Aceitaremos as reparaes que tenham que se fazer na instalao eltrica, a da gua e as que sejam necessrias, mas depois lhe devolveremos 
a parte proporcional dos gastos. Se o negcio for bem, poderemos ser auto-suficientes durante os prximos anos.
Sloan percebeu que havia muito orgulho naquela atitude. E muita integridade.
-Bom voc falara tudo isso ao Trent. Enquanto isso, concentremo-nos na ala oeste.
-Bem. Se ao fim dispor de tempo, tambm poder dar uma olhada no resto. Seria timo se nos desse uma idia do oramento das obras na parte familiar da casa.
-Claro. Farei uma estimativa.
-Obrigado. E quando a tiver prefiro que a entregue a mim.
-Voc  a chefa.
Amanda arqueou uma sobrancelha. Era estranho, mas at esse momento no tinha tomado conscincia daquele fato. Sorriu.
-Vejo que comeamos a nos entender. Tem mais uma coisa.
-Tantas quantas voc quiser -respondeu, com as mos entrelaadas detrs da cabea.
-S uma. Quando estive revisando os planos de casamento, dei-me conta que voc constava como padrinho. Sua lista esta com tia Cordy.
-Minha lista?
-Sim. Com os horrios, as tarefas e deveres que lhe delegaram, tudo isso. Tambm h uma cpia com toda a informao necessria: o nome e o nmero de telefone do 
fotgrafo, o contato dos msicos, os garons que contratamos... Oh, e os nomes das trs lojas onde pode alugar um fraque.
- tremendamente eficaz, Calhoun -sacudiu a cabea, maravilhado.
-Sim eu sou. Bom, deixo-o trabalhar. At a uma hora estarei no depsito do terceiro piso, na outra ala. Depois, se tiver alguma outra pergunta a me fazer, estarei 
no BayWatch.
-Oh, j sei onde acha-la, Calhoun. Boa sorte espero que encontre alguma pista do colar.
Observou-a partir, e imaginou sentada na ala que fazia s vezes de deposito, rodeada de caixas empoeiradas e cheias de papis amarelados. Provavelmente j teria 
encontrado algum mtodo para orden-lo, pensou com um sorriso. Perguntou-se se ela estava consciente do maravilhoso contraste que oferecia sua tarefa: procurar, 
catalogar e ordenar tudo da maneira mais prtica possvel... Enquanto reconstrua as peas gastas de um antigo sonho.
Naquela manh, entretanto, pouco pde reconstruir Amanda daquele sonho. Quando chegou ao BayWatch, deu-se conta de que tinha estado quase cinco horas trabalhando 
no deposito. Quando semanas atrs comeou a busca do colar, teria se prometido a si mesmo que no se desanimaria, por muito pouco que encontrasse.
At aquele momento s tinham encontrado o recibo original das esmeraldas, e uma agenda onde Bianca as tinha mencionado. Suficiente para demonstrar que o colar tinha 
existido, e para manter viva a esperana de encontra-lo. Freqentemente Amanda se ps a refletir sobre o significado que teria tido aquele colar para sua bisav, 
e nos motivos que teria tido para escond-lo. Se acaso o tinha escondido realmente, porque outro antigo rumor dizia que Fergus o tinha jogado ao mar. Depois de todas 
as histrias que tinha ouvido a respeito da avareza do Fergus Calhoun, achava  difcil acreditar que pudesse ter renunciado to gratuitamente a um quarto de milho 
em jias.
Alm disso, no queria acreditar nesse rumor, admitiu Amanda enquanto colocava seu crach na lapela da jaqueta. No fundo de seu carter tinha uma forte veia romntica, 
e era esse aspecto de sua personalidade o que se aferrava  hiptese de que Bianca tinha escondido as esmeraldas,  espera de que pudesse necessitar delas outra 
vez.
Dada sua mentalidade prtica, envergonhava-a um tanto conceber aquela esperana. A prpria Bianca lhe era  to misteriosa e instavel como o colar de esmeraldas. 
Seu inveterado pragmatismo a impossibilitava compreender  uma mulher que tinha arriscado tudo, e finalmente se matou, por amor. Um sentimento to intenso e desesperado 
lhe resultava inverossmil, a no ser que o visse refletido nas pginas de uma novela.
-Amanda?
Como estava ocupada com as reservas realizadas em agosto, ergueu uma mo murmurando:
-Um momento -e terminou de fazer os clculos-. O que passa, Karen? Oh, Cus! -tirou o culo de leitura e observou admirada o enorme ramo de rosas que carregava nos 
braos-. Ganhou um concurso de beleza?
-No so minhas -Karen aspirou sua fragrncia, deleitada-. Antes fossem. Trouxeram-as para voc.
-Para mim?
-Sim, se  que ainda continua chamando Amanda Calhoun -Karen lhe entregou o carto da floricultura-. So trs dzias de rosas.
-Trs dzias?
-Contei-as -sorrindo, deixou-as sobre a mesa-. Bom, trs dzias e uma solta acrescentou, assinalando a rosa solitria que as acompanhava.
"Sloan", pensou imediatamente Amanda, sentindo que o corao dava um salto de ternura. Como teria podido adivinhar sua secreta paixo pelas rosas vermelhas?
-No vai ler o carto? -perguntou-lhe Karen.
-J sei quem mandou... -comeou a dizer, inconsciente do brilho de emoo que tinha aparecido em seus olhos-. Foi to amvel ao... -mas se interrompeu de repente 
ao ler o nome que figurava no carto-... Oh!
No era Sloan, disse-se com uma pontada de decepo que no pde menos que surpreend-la.
-Quem ? Quer que eu me ponha de joelhos?
Ainda desconcertada Amanda lhe entregou o carto.
-"Em agradecimento. William Livingston" -leu Karen-. Oua, o que tem feito para merecer semelhante gratido?
-Lhe conseguir uma mquina de fax.
-Conseguiu-lhe uma mquina de fax -repetiu Karen, lhe devolvendo o carto-. No domingo passado preparei um frango fantstico, com todo tipo de guarnio, e a nica 
coisa que consegui foi uma garrafa de vinho barato.
-Suponho que terei que lhe agradecer -pronunciou, franzindo o cenho.
-Sim, e pessoalmente -Karen tomou uma das rosas e a aproximou do nariz-. A no ser que queira delegar essa tarefa...
-Obrigado, farei isso sozinha -sorriu. Segundos depois pegava o telefone e discava para a sute Island.
-Livingston.
-Senhor Livingston, sou Amanda Calhoun.
-Ah, a eficiente senhorita Calhoun. O que posso fazer por voc?
-Queria lhe dizer obrigada pelas flores. So lindas. Foi gesto muito bonito.
-Oh, foi apenas uma maneira de demonstrar meu agradecimento pela ajuda que me meu. E pela rapidez de seu trabalho.
-Meu trabalho consiste precisamente nisso. Por favor, me avise se posso voltar a lhe ser til durante sua estadia aqui.
-De fato, h algo no que bem poderia voc me ajudar.
- obvio -Amanda tomou papel e caneta e se disps a tomar nota.
-Eu gostaria que jantasse comigo.
-Perdo?
-Eu gostaria de convid-la para jantar. Comer sozinho  bastante aborrecido.
-Sinto muito, senhor Livingston, mas vai contra as normas do hotel relacionar-se com os clientes. O Sr, foi muito amvel ao me propor isso.
-A amabilidade no tem nada a ver com isto. Posso lhe perguntar se poderiam... Flexibilizar um pouco as normas do hotel?
Isso no podia ser, pensou Amanda. No com um chefe to rgido como Stenerson.
-Eu adoraria agrad-lo -disse com muito tato-. Infelizmente, como cliente do BayWatch...
-Sim, sim. Por favor, desculpe-me. Eu entendo voc.
Amanda piscou assombrada e desligou ao telefone. Dez minutos depois, Stenerson entrava em seu escritrio.
-Senhorita Calhoun, o senhor Livingston gostaria de jantar com voc -pronunciou com seu habitual tom lambido-. E voc   livre para aceitar. Naturalmente, espero 
que se porte de uma maneira apropriada que no deixe em desonra a reputao deste hotel.
-Mas...
-De todas formas, no se acostume muito.
-Eu...
Mas Stenerson j se retirava. Amanda continuava assombrada quando voltou a soar o telefone.
-Amanda Calhoun.
-As oito lhe parece bem?
Suspirando profundamente, recostou-se em seu assento. Estava a ponto de negar quando se surpreendeu acariciando a rosa que Sloan havia lhe dado. Rapidamente retirou 
a mo.
-Lamento-o, mas hoje trabalho at as dez.
-Amanh ento. Onde poderei busca-la?
-Amanh estar bem -aceitou Amanda em um impulso-. Lhe darei meu endereo.
 

Captulo 5
 
Sloan soube o momento exato em que Trent chegou s Torres. Inclusive da biblioteca situada ao final do comprido corredor pde escutar os alegres latidos do co e 
a alegre gritaria das crianas. Deixando de lado seu caderno, levantou-se para saudar seu velho amigo.
Trent no tinha conseguido sair do vestbulo. Jenny segurava  suas pernas enquanto Fred corria em torno dele. Alex saltava e chiava em um esforo por chamar a ateno 
enquanto Cordy, Suzannah e Lilah o enchiam de perguntas. Somente C.C. permanecia em silncio, radiante de alegria, de brao dado ao seu prometido. De repente, ouviu 
um grito que vinha de cima, Sloan ergueu o olhar e viu  Amanda descendo as escadas correndo. Tinha uma expresso de prazer e felicidade que nunca antes tinha visto. 
Abrindo-se espao entre suas irms, lanou-se para abra-lo.
-Se no tivesse vindo hoje, teramos tido que enviar um comando de mercenrios para lhe buscar -disse a Trent-. Faltavam apenas quatro dias para o casamento e voc 
ainda estava em Boston.
-Confiava que voc se encarregaria de tudo.
-Mandy fez milhares de listas - confidenciou Cordy-.  terrvel.
-Esta vendo? -Trent deu em Amanda um beijo rpido.
-O que trouxe para mim? O que trouxe para mim? -perguntava Jenny.
-Falando de mercenrios... -rindo, Suzanna levantou sua filha nos braos. Mas quando viu Sloan no corredor, seu sorriso se apagou imediatamente. Tentou dizer-se 
que era sua imaginao a responsvel por aquele tremor em seu olhar sempre que a olhava. Tinha que s-lo. Que outro motivo podia haver para que, aparentemente, desgostasse 
de sua presena?
Sloan continuou observando-a: uma mulher alta e esbelta, com um cabelo de cor loira plida preso em uma rabo-de-cavalo, rosto de uma beleza clssica e olhos azuis 
que gotejavam tristeza. Logo olhou para Trent. E voltou a sorrir.
-Detesto interromper quando o vejo rodeado de to belas mulheres.
-Sloan -lhe estreitou a mo, sem separar-se de C.C. Entre os muito numerosos scios e colegas que tinha, Sloan era o nico ao que considerava um verdadeiro amigo-. 
J est trabalhando?
-Comeando.
-Qualquer um diria que acaba de retornar de umas longas frias no trpico, em vez de ter permanecido um ms e meio trabalhando em Budapeste. Alegro-me de v-lo.
-O mesmo digo eu-Sloan lanou uma rpida piscada de cumplicidade a C.C.-. Alegro-me de ver que finalmente demonstrou bom gosto.
-Eu gosto dele -comentou C.C.
-Como  maioria das mulheres -apontou Trent-. Como est est sua famlia?
De novo Sloan desviou o olhar para a Suzanna.
-Bem.
-Acredito que vocs tem muitas coisas para fazer -sentindo-se incmoda, Suzanna pegou seu filho pela mo-. Ns sairemos a dar um passeio antes de jantar.
Amanda esperou que Cordy levasse todos ao salo, antes de dirigir-se a Sloan.
-Espera um momento.
-Espero, Calhoun -sorriu.
-Quero saber por que olha assim para Suzanna.
O brilho de humor abandonou seus olhos.
-Assim como?
-Como se a detestasse.
-Tem mais imaginao do que acreditava.
-No  minha imaginao -desconcertada, sacudiu a cabea-. O que pode ter voc contra Suzanna?  a melhor pessoa que conheo.
Custou-lhe no esboar uma careta, mas se manteve imperturbvel.
-Eu nunca falei que tenho algo conta ela.  voc que esta dizendo.
-No precisa diz-lo. Obviamente no pude tirar nada, mas...
-Possivelmente seja porque prefira falar de ns. De voc e de mim.
-Se est tentando mudar de tema...
- Est franzindo o cenho outra vez-ergueu uma mo, como se quisesse apagar-lhe brandamente com o polegar-. Porque no sorri para mim, do mesmo modo que sorriu para 
Trent?
-Porque eu gosto de Trent.
- curioso, porque a maioria das pessoas pensa que eu sou um tipo afvel.
-A mim no -replicou Amanda, com tanto pressa que no pde nem sorrir. Sabia que Sloan teria ganhado o primeiro prmio em um concurso de tenacidade. E de repente 
teve que dominar o forte impulso de deslizar os dedos por aquele cabelo sempre despenteado, com aqueles reflexos acobreados-. "Afvel" no  a palavra que eu utilizaria. 
"Presunoso", "irritante", "tenaz" seriam qualificativos mais adequados.
-Eu gosto de tenaz -se aproximou dela, aspirando seu aroma-. Um homem no consegue nada dando cabeadas contra uma parede.  melhor, cavar um tnel por debaixo, 
ou demoli-la.
Amanda ps uma mo ems eu peito para conservar um mnimo de distncia.
-Ou pode romper a cabea se continuar dando cabeadas contra ela.
-Esse  um risco calculado, que vale a pena correr-se se detrs da parede h uma mulher olhando-o como voc me est me olhando agora .
-Eu no estou olhando-o de uma maneira especial.
-Quando se esquece de adotar uma atitude fria e distante, olha-me com uma enorme ternura nos olhos, e um certo medo. E muita curiosidade.  um olhar que me faz ansiar 
por levant-la nos braos e lev-la  para um lugar tranqilo o suficientemente para satisfazer essa curiosidade.
Amanda podia imaginar essa cena muito claramente. S havia uma soluo: escapar.
-Bem, at aqui foi divertido, mas tenho que me trocar.
-Vai voltar para o trabalho?
-No -comeou a afastar-se-. Vou a um jantar.
-Um jantar? -repetiu Sloan, mas Amanda j estava subindo as escadas.
Disse-se que no a estava esperando, embora estivesse mais de vinte minutos caminhando de um lado a outro do vestbulo. No ia ficar ali como um idiota para v-la 
partir ao encontro de outro homem... Depois de te-lo olhado como o tinha feito h apenas uns instantes. Tinha muitas coisas a fazer, que incluam desfrutar do jantar 
que Cordy o havia convidado, ou falar dos velhos tempos e elaborar novos planos com  Trent. No ia passar a noite toda lamentando o fato de que certa obstinada mulher 
tivesse preferido a companhia de outro homem  sua.
Depois de tudo, recordou-se Sloan enquanto seguia caminhando pelo vestbulo, Amanda era livre de ir com quem quisesse. E o mesmo acontecia com ele. No estavam ligados 
um ao outro. No se importaria tanto por ela passar algumas horas com outro homem...
Ao diabo. Claro que se importava.
-Calhoun? -subiu correndo as escadas e foi chamando por todas as portas do corredor-. Maldita seja, Calhoun, quero falar com voc -j tinha chegado ao final quando 
viu Amanda abrir a porta do fundo.
-O que houve?
Ficou olhando por um momento sua silhueta recortada contra a luz do quarto. Estava com um penteado muito sexy. E tambm se maquiara. Usava um vestido de cor azul 
plida, apertado na cintura e com duas alas finos que se destacavam contra a pele cremosa de seus ombros. Estava com brincos e colar de pedras azuis. Nada parecia 
profissional, pensou irado. No, nem profissional nem eficiente. Mas tinha um aspecto tremendamente delicioso.
Amanda j estava golpeando o cho com o p, impaciente, quando Sloan se aproximou. "Afvel?", perguntou-se para si mesma, resistindo o impulso de lhe dar com a porta 
no nariz. Naquele instante, ningum o teria qualificado de afvel.
-Que tipo de jantar? -perguntou-lhe Sloan, ainda mais alterado quando aspirou seu perfume.
Amanda inclinou lentamente a cabea e baixou as mos que antes estavam apoiadas nos quadris, com atitude desafiante. Pensou que quando algum enfrentava um touro 
bravo, o melhor no seria sacudir um trapo vermelho, e sim refugiar-se detrs da cerca mais prxima.
-O normal.
-Para um jantar normal se vestiu assim?
-O que tem de mau meu vestido?
O que tem de mau, Sloan a agarrou por um brao.
-Cancela-o.
-Cancele o que? -repetiu, assombrada.
-O jantar, maldita seja. Chame-o e diga que no pode ir.
-Est completamente louco -a essa altura, j tinha esquecido de touros bravos e de trapos vermelhos-. Vou aonde eu quiser e com quem eu quiser. Se acredita que vou 
cancelar um encontro com um homem inteligente, atraente e encantador, ento est muito, mas que muito equivocado. Sabe de uma coisa? sairei para jantar com sua anttese: 
um verdadeiro cavalheiro. E, agora, fora daqui.
-Irei daqui... -prometeu-lhe Sloan-... Depois de te dar algo no que pensar.
Antes que pudesse ser consciente de nada, encurralou-a contra a parede e a beijou na boca. Amanda podia saborear a fria em seus lbios, e contra isso sim podido 
lutar at o ltimo flego. Mas tambm podia perceber uma desesperada necessidade, e foi a isso que se rendeu. Uma necessidade que era um reflexo perfeito da sua 
prpria.
 Sloan no importava que tivesse razo ou no, que estivesse ou no cometendo uma estupidez. Queria amaldio-la por hav-lo obrigado a comportar-se como um adolescente 
irado, mas a nica coisa que podia fazer era sabore-la, afogar-se naquele delicioso sabor que parecia lhe haver impregnado a alma. Somente podia atrai-la mais e 
mais para si, at fundir-se com seu corpo. Sentia cada mudana que estava experimentando. Primeiro, a fria que o mantinha tenso, rgido. Depois a redeno, que 
o deixou entregue. E, por ltimo, a paixo que o deixou sem flego. Foi ento quando compreendeu que no podia viver sem ela.
Amanda sentia seu corpo vibrando e pulsando com uma dolorosa necessidade. Uma necessidade que sempre tinha sentido falta. Beijava e mordiscava seus lbios, consciente 
de que em qualquer instante o delrio se apoderaria dela. Desejando, ansiando aquele libertador torvelinho que somente ele podia acender em seu interior.
Em uma grande e possessiva carncia, Sloan deslizou as mos pelos seus ombros nus at suas mos, sentindo seu acelerado pulso. Quando ergueu a cabea, viu que apoiava 
languidamente as costas na parede, olhando-o nos olhos enquanto se esforava por recuperar o flego, enquanto lutava por sobrepor-se a aquela corrente de sensaes 
e compreender os sentimentos que se ocultavam detrs.
O pensamento de outro homem tocando-a, ou simplesmente olhando-a como ele a estava olhando nesse instante, vendo como seus olhos se nublavam de desejo, o mortificava. 
E porque preferia a fria ao medo, agarrou-a bruscamente pelos ombros.
-Pense nisso -lhe advertiu com uma voz perigosamente baixa.
O que lhe tinha feito aquele homem para lhe suscitar aquela terrvel necessidade?, Perguntou-se Amanda. Bastava aquele olhar para ele conseguir tudo o que queria 
dela. S tinha que voltar e acaricia-la  para  obter tudo o que to desesperadamente ela mesma ansiava lhe dar. Nem sequer tinha que lhe pedir nada. Esse a descoberta 
a envergonhava tanto que se obrigou a reagir:
-J  conseguiu-pronunciou, humilhada-. Quer me ouvir que pode conseguie o que deseja? Certo. O desejo. Est bem assim para voc?
O brilho das lgrimas em seus olhos demonstrou que a fria no tinha passado. Profundamente consternado, ergueu uma mo para lhe acariciar o rosto.
-Amanda...
Fechou os olhos com fora. Sabia que se renderia se ele se mostrasse terno agora. 
-J tem sua conquista. Agora, agradeceria se me soltasse. 
Deixou cair as mos ao lado do corpo antes de solt-la.
-No vou dizer que sinto -pronunciou Sloan, mas pela maneira que tinha de olh-la, parecia como se acabasse de destroar algo pequeno e frgil.
-Certo. Eu sinto pelos dois.
-Amanda -de repente, Lilah apareceu no alto das escadas, observando-os com curiosidade. Acaba de chegar seu acompanhante.
-Obrigado -desesperada para escapar, entrou em seu quarto para pegar a bolsa e a jaqueta. Logo, tendo o cuidado de no olhar na direo de Sloan, desceu apressadamente 
as escadas.
Depois de segui-la com o olhar, Lilah se aproximou do Sloan.
-Bem. Parece-me que neste momento necessita do conselho de uma boa amiga.
-Possivelmente o que preciso seja descer para o vestbulo e jogar esse sujeito pela janela.
-Poderia faz-lo -assentiu Lilah-, mas Mandy sempre teve uma fraqueza especial pelos mais fracos.
Amaldioando entre dentes, Sloan decidiu desafogar sua frustrao caminhando de um lado a outro do corredor.
-Bom, e quem ?
-Nunca o vi antes. Chama-se William Livingston.
-E?
- alto, bonito e moreno. Muito elegante, com sotaque britnico, traje italiano, de classe alta. Com o tpico brilho de riqueza e bom gosto, mas sem ser  ostentoso.
-Parece que acaba de descrever um dandy.
-S parece -reps, preocupada.
-O que acontece?
-Ms vibraes -respondeu, abraando-se-. E tem uma aura muito turva.
-Oh, Lilah, por favor...
-Fique tranquilo, Sloan -lhe sorriu Lilah-. Lembre-se que estou do seu lado. E o senhor William Livinsgston no tem nenhuma s oportunidade com minha irm. No  
seu tipo -rindo, acompanhou-o escada abaixo-. Ela pensa que sim, mas no. Assim relaxe e desfrute do jantar. No h nada como a truta que prepara a tia Cordy para 
coloc-lo de bom humor.


Fingindo que tinha apetite, Amanda leu o menu. O restaurante que William tinha escolhido era um elegante e acolhedor com vista para a Baa do Francs. Sentados no 
terrao,  diante de uma mesa decorada com velas, desfrutavam da fresca brisa do mar.
Amanda deixou que ele escolhesse o vinho e tentou convencer-se de que ia passar uma agradvel noite.
-Voc gosta de Bar Harbor? -perguntou-lhe.
-Muito. Espero sair logo a navegar, enquanto isso me contento admirando a paisagem.
-Visitou o parque?
-Ainda no -olhou a garrafa que o garom lhe mostrou, examinou a etiqueta e assentiu com gesto aprovador.
-No deve perder isso por nada do mundo. As vistas da montanha Cadillac so maravilhosas.
-J me disseram isso -saboreou o vinho, satisfeito, e esperou a que servissem para Amanda-. Possivelmente pode conseguir um pouco de tempo livre e me mostrar esses 
lugares.
-No acredito que...
-As normas do hotel j se flexibilizaram -a interrompeu, chocando sua taa com a sua.
-Era isso mesmo que eu queria perguntar. Como conseguiu?
-Muito simples. Deixei o senhor Stenerson escolher. Ou fazia uma exceo com suas normas, ou eu procuraria a outro hotel.
-Entendo -pensativa, tomou um gole de vinho-. Parece-me uma medida muito drstica somente por um jantar.
-Um jantar muito delicioso. Queria conhece-la  melhor. Espero que no se importe.
Qual mulher se importaria?, Perguntou-se Amanda, e se limitou a sorrir. Foi impossvel no relaxar, no se sentir cativada pelas histrias que lhe contou, e adulada 
por seus constantes cuidados. Tinha viajado por todo o mundo, e durante o jantar, escutando suas palavras, chegou a vislumbrar Paris e Roma, Londres e Rio do Janeiro.
Mas como seus pensamentos voltavam sempre a Sloan, chegou a duvidar de sua determinao de desfrutar realmente daquela companhia.
-A cmoda de pedra de seu vestbulo... -comentou William, j na sobremesas-...  uma pea nica.
-Obrigada.  do perodo da Regncia, acredito...
-Creio que sim -sorriu-. Se a tivesse conseguido em um leilo, ficaria me sentido muito afortunado.
-Meu bisav a trouxe da Inglaterra quando construiu a casa.
-Ah, a casa -levou a taa de caf aos lbios-. Impressionante. Quase esperei ver donzelas medievais passeando pelo jardim.
-Ou morcegos sobrevoando a torre -riu Amanda-. Sim, ns adoramos a casa. E talvez da prxima vez que visite a ilha possa se alojar no Refgio da Torres.
-O Refgio das Torres -murmurou, pensativo-. Onde ouvi isso antes?
-O novo projeto da cadeia hoteleira St. James?
- obvio. Li algo a respeito h algumas semanas.
-Esperamos reformar uma parte do edifcio  e transform-lo em um hotel. Dentro de um ano, mais ou menos.
-Fascinante. Mas no existia certa lenda associada a esse lugar? Algo a respeito de fantasmas e jias desaparecidas?
-As esmeraldas Calhoun. Pertenceram a minha bisav.
-Ah, so reais? -esboando um meio sorriso, inclinou a cabea-. Eu achei que fosse um truque publicitrio. "Aloje-se em uma casa encantada e procure o tesouro perdido". 
Esse tipo de coisas.
-No, de fato no gostamos que esse assunto transcendesse tanto. O colar existe... Ou ao menos existiu. O que no sabemos  onde pode estar escondido. Enquanto isso, 
temos que suportar o aborrecimento constante que so os jornalistas e afugentar aos caadores de tesouros.
-Eu, sinto muito.
-Temos que encontr-lo logo para pr um ponto final em todo este absurdo. Uma vez que comecemos as obras de reforma, talvez aparea debaixo de uma tabua.
-Ou atrs de uma porta secreta -acrescentou William, fazendo-a rir.
-Temo que no temos nenhuma dessas portas... ao menos que eu saiba.
-No pode ser. Uma casa como a sua merece ter ao menos uma porta secreta -ps uma mo sobre a sua-. Possivelmente me permita ajud-la a procurar esse colar... ou, 
em todo caso, utiliz-lo como desculpa para voltar a v-la.
-Sinto muito, mas durante os prximos dois dias vou estar muito ocupada. Minha irm se casa na sbado.
-Sempre resta o domingo -sorriu-. Eu gostaria de v- la outra vez, Amanda. Eu gostaria muito -no insistiu mais, e ela discretamente retirou a mo.
Durante o trajeto de volta para casa conversaram sobre temas gerais. Amanda agradeceu por no voltar a pression-la. William Livingston era o tipo de homem que sabia 
tratar  uma mulher tanto com respeito como  com ateno. Ao contrrio de Sloan.
Mas, ento, por que se sentiu to abatida quando, ao deter-se frente a casa, no viu em parte nenhuma o carro do Sloan? Tentando refazer-se de sua decepo esperou 
que Willian desce a volta no carro para abrir sua porta.
-Obrigado pela noite -disse-. Foi maravilhosa.
-Sim. E voc tambm -com extremada delicadeza, colocou as mos sobre seus ombros antes de beij-la nos lbios. Foi um beijo leve e tenro. Mas, para sua decepo, 
deixou-a completamente indiferente-. De verdade que vai fazer eu  esper-la at domingo para voltar a v-la?
Seus olhos diziam que aquele contato, ao contrrio dela, no o tinha deixado indiferente. Amanda esperou sentir uma mnima pontada de desejo. Nada.
-William, eu...
-Um almoo juntos -a interrompeu, esboando um sorriso encantador-. Um simples almoo, no hotel. Assim poder co tinuar falando-me sobre a casa.
-De acordo -se afastou antes que pudesse beij-la de novo-. Obrigada novamente.
-Foi um verdadeiro prazer, Amanda -esperou, como um perfeito cavalheiro, at que ela entrasse em casa. Quando a porta se fechou a suas costas, seu sorriso se transformou 
ligeiramente; fez-se mais duro, mais frio-. Acredite. E o prazer ser ainda maior.
Voltou para seu carro. afastou-se de Las Torres, at perder-se de vista. Mas logo voltaria para dar uma rpida e sigilosa volta pelo imvel, procurando algum acesso 
mais discreto.
Se Amanda Calhoun podia lhe servir para penetrar nas Torres, tudo sairia bem. E contaria com o benefcio de uma aventura fcil com uma bela mulher. Mas se esse no 
fosse o caso... simplesmente encontraria um meio diferente para obter o mesmo fim.
Em qualquer caso, no partiria da ilha Mount Desert sem as esmeraldas Calhoun.
-Aconteceu algo? -perguntou Suzanna a Amanda ao v-la entrar.
-Suze -divertida, mas no surpreendida, Sacudiu a cabea-. Ficou acordada me esperando?
-Oh, no -para demonstrar indicou a taa que sustentava em uma mo-. Estava preparando um ch para mim.
Amanda se ps a rir enquanto se aproximava dela para lhe pr carinhosamente as mos sobre os ombros.
-Por que ser que as Calhoun so to incapazes de mentir?
-No sei -reconheceu por fim Suzanna, rendendo-se  evidncia-. Suponho que deveramos praticar mais.
-Querida, parece cansada.
-Hum -pensou que "exausta" teria sido uma palavra mais adequada, mas no disse. Tomou um gole de ch antes que comeassem a subir juntas as escadas-.  primavera. 
E todo mundo quer ter suas flores quanto antes. Bom, ao menos parece que o negcio est comeando a dar benefcios.
-Continuo pensando que deveria contratar algum para ajud-la. Entre o negcio e os meninos, vai acabar esgotada.
-E agora quem est parecendo  mame? Em qualquer caso,os Jardins da Ilha precisam agentar uma temporada mais antes de poder permitir-se contratar um trabalhador 
de meia jornada. Alm disso, eu gosto de me manter ocupada -se deteve ante a porta do quarto de Amanda-. Mandy, posso falar com voc um momento antes que se deite?
-Claro. Entre -a fez passar, e comeou a descalar-se-. Aconteceu algo errado?
-No. Eu gostaria de saber o que pensa do Sloan.
-O que penso dele? -repetiu enquanto guardava cuidadosamente seus sapatos no armrio.
-Sim, a impresso que ele produz em voc. Parece um homem muito agradvel. Os meninos esto encantados com ele, e isso  importante.
-Sim,  muito carinhoso com eles -Amanda tirou os brincos e os guardou em seu porta jias.
-Sei -preocupada, Suzanna comeou a caminhar pelo quarto-. Tia Cordy j o adotou. E se d muito bem com Lilah. C.C. tambm o aprecia, e no s porque  um grande 
amigo do Trent.
-Sim -Amanda  tirou o colar-.Sujeitos como ele sempre tem xito com as mulheres.
Distrada Suzanna negou com a cabea.
-No, no  me referia a isso. Acredito que tem uma simpatia natural. Parece um homem muito bom.
-Mas?
-Provavelmente seja imaginao minha, mas sempre que me olha, percebo uma vibraes estranhas, como hostilidade -, encolheu-se os ombros-. Nossa, estou comeando 
a ficar com medo de me parecer com Lilah...
Amanda olhou a sua irm no reflexo do espelho da penteadeira.
-No, eu tambm j senti isso. Mas no consigo explicar o por que.
-Disse algo a voc? No espero agradar a todos, mas quando percebo um desgosto to intenso, ao menos quero saber a que se deve.
-Ele me negou isso. No sei o que dizer, Suzanna, exceto no me parece o tipo de homem que reaja assim, de uma maneira to gratuita, ante uma pessoa a que nem sequer 
conhece -fez um gesto de impotncia-. No sei. Pode ser que ambas estejamos sendo muito desconfiadas.
-Talvez. Bom, todas estamos muito alteradas com o casamento de C. C., e com as obras de reforma. Em qualquer caso, seguro que esse homem no vai me tirar o sono 
esta noite -beijou Amando no rosto-. Boa noite.
-Boa noite.
Enquanto se deitava, Amanda soltou um longo e profundo suspiro. Sabia que era lamentvel. E irritante. Mas estava completamente segura de que, a essas alturas, Sloan 
,sim, estava lhe tirando o sono.


Captulo 6

Amanda chegou na hora exata. "To pontual como sempre", pensou Sloan. Caminhava com rapidez, como era habitual nela, assim teve que se apressar para alcan-la na 
porta que comunicava o ptio com a piscina. Sobressaltou-se ao v-lo.
-No tem nada melhor que fazer?
-Quero falar com voc.
-Esta  minha hora livre -abriu a porta e se voltou para ele-. Assim no tenho por que falar com voc -e, para demonstrar fechou a porta em sua cara.
Sloan suspirou profundamente antes de abri-la de novo.
-De acordo, ento s me escute -aproximou no momento em que estava deixando sua toalha sobre uma cadeira.
-Nem vou falar contigo nem vou escut-lo. No me interessa nada do que possa me dizer - tirou o roupo e, ato seguido, mergulhou na gua.
Sloan a observou enquanto nadava. Se no fosse por bem, teria que ser por mal.
A cada braada que dava, Amanda o amaldioava.  Tinha passado a metade da noite recordando o encontro que tinham tido. E se havia sentido humilhada, ao mesmo tempo 
que furiosa. Quando despertou aquela manh, prometeu-se a si mema que nunca mais lhe daria a oportunidade de toc-la outra vez. E, sobre tudo, jamais lhe daria a 
oportunidade de faz-la sentir-se to impotente e necessitada. Estava levando a vida que queria. E nem Sloan O'Riley nem ningum iria mudar seu caminho ou alterar 
seus planos.
Mas quando estava fazendo a volta, viu-o. E, mais que v-lo, quase se chocou contra seu peito nu. 
-O que est fazendo?
-Pensei que poderia conseguir que me escutasse se eu entrasse na gua, em vez de ficar l fora, gritando.
Estreitando os olhos, afastou o cabelo da rosto. Por muito que lhe desgostasse reconhec-lo, sentia vontade de rir.
-At as dez a psicina no abre para clientes.
-Srio? Isso eu achoq ue voc j tinha me dito. O que nio me disse  como a gua era gelada.
Nesse momento Amanda j no pde conter-se mais e sorriu.
-Sei. Por isso nunca fico parada aqui dentro.
E continuou nadando. Em poucos segundos, ele conseguiu ficar a sua altura. Amanda descobriu que tinha tirado algo mais que a camisa. De fato, usava somente uma pequena 
sunga, de cor azul marinho. Cada vez que colocava a cabea sob a gua, no podia resistir a tentao de admirar seu corpo.
Seus ombros largos terminavam em uma estreita cintura. No parecia ter um s grama de gordura sobrando. Tinha o estmago plano, musculoso, e a pele brilhava como 
se fosse  cobre. Perguntou-se como seria deslizar os dedos por aquela pele, e sentir aqueles fortes msculos sob os dedos...
Estava to excitada que de repente a piscina parecia haver-se convertido em uma sauna. Acelerou o ritmo. Talvez se o deixasse para trs, tambm poderia deixar trs 
aqueles pensamentos indesejveis.
Mas Sloan continuava nadando a seu lado. Ambos atravessavam a piscina em completa harmonia, sincronizando seus movimentos. Era maravilhosa, quase sensual, a forma 
que tinham de erguer os braos e perfurar a gua sem esforo aparente, impulsionando-se ao mesmo tempo com os ps. "Quase como se estivssemos fazendo o amor", pensou 
Amanda por um instante, antes de sacudir a cabea para desprezar aquela ocorrncia.
Decidiu derrubar toda aquela frustrada paixo na velocidade. Mesmo assim, os braos e pernas de ambos seguiam cortando a gua em sicronia. E Amanda comeou a desfrutar 
daquela espcie de tcita competio. Perdeu a conta das voltas que davam, e no lhe importou. Quando j no pde mais, apoiou-se na bordo da piscina, rindo.
Sloan pensou que nunca lhe tinha parecido to linda como naquele momento, com aquele brilho de prazer e deleite nos olhos. Ansiava mais que nunca abra-la, mas 
tinha feito uma firme promessa a si meamo durante a noite anterior, quando no conseguira pregar o olho. E tinha inteno de cumpri-la.
-Nada muito bem. Sendo de Oklahoma. 
-Voc tambm.
Amanda comeou a rir e apoiou a cabea nos braos para olh-lo.
-Eu gosto de competir.
-Competir?  isso o que estivemos fazendo? Eu acreditava que estvamos desfrutando de um banho relaxante.
De brincadeira Amando lhe atirou gua nos olhos.
-Vai  me ouvir agora? -perguntou Sloan, e ela ficou repentinamente sria.
-Deixemos disso, por favor -tomando impulso, sentou agilmente na borda da piscina.
-Mandy...
-No quero voltar a discutir com voc. Por que no podemos deixar assim?
-Porque quero pedir desculpas.
-O que? -exclamou, olhando-o assombrada.
-Quero me desculpar -sentou-se a seu lado na borda da piscina, e deslizou as mos por seus braos at apoi-las levemente em seus ombros-. Ontem  noite perdi as 
estribeiras, e sinto muito.
-Oh -baixou o olhar, desconcertada.
-Agora se supe que tenha que dizer: " Certo, Sloan, aceito suas desculpas".
Amanda o olhou. Sentia-se muito a vontade com ele para persistir em seu aborrecimento.
-De acordo -sorriu-. Comportou-se como um autntico estpido.
-Muito obrigado -esboou uma careta.
-Sim, como um estpido e um louco. Cuspindo ameaas e ordens... At fumaa saa por suas orelhas.
-Quer saber por que?
Amanda se disps a levantar-se, mas ele a impediu.
-No podia suportar a idia que visse outro homem. Olhe para mim-ergueu seu queixo delicadamente-. Foi como se ativasse uma estranha engrenagem no meu interior. 
 algo que no posso evitar. Nem quero faz-lo.
-No penso que...
-Pensar nada tem nada a ver com isso. Sei o que sinto quando a olho.
A pontada de pnico que por um instante sentiu Amanda no podia competir com a onda de prazer que a imundava.
-Direi isso de forma mais clara -acrescentou Sloan-:estou apaixonando por voc.
-No pode estar falando  srio -se voltou para olh-lo, estupefata.
-Claro que sim. E voc sabe, porque caso contrrio no me estaria olhando assim.
-Eu no...
-No estou perguntando o que sente -a interrompeu-.Estou dizendo o que sinto, para que v se acostumando com isso.
Amanda no acreditava que pudesse se acostumar a isso. Muito menos que pudesse se acostumar a ele. E, certamente, seria impossvel acostumar-se aos sentimentos que 
buliam em seu interior. Seria isso o amor? perguntou-se. Aquela inquietante e aterradora sensao que podia tornar-se clida e tenra sem prvio aviso?
-No... no estou segura de que...
-Me beije, Calhoun.
Amanda se liberou de seu abrao:
-No vou voltar a beij-lo, s porque penso nisso.  como se meu crebro derretesse.
-Querida -sorriu-, isso  a coisa mais bonita que me disse ate agora.
Enquanto ele terminava de sair da piscina, Amanda recolheu rapidamente sua toalha, tensa.
-Fique afastado de mim. Falo  srio. Ou me d um tempo para assimilar tudo isto... ou juro que brigaremos. Estou acostumada a golpear abaixo da cintura -havia tanto 
diverso quanto desafio em seus olhos-. Em uma regio que, neste momento, no esta  nada protegida.
-Estou a sua disposio. O que acha de darmos uma volta por a quando sair do trabalho?
Pensou que seria maravilhoso percorrer com ele as colinas, desfrutando da brisa fresca. Mas, infelizmente, o dever estava em primeiro lugar.
-No posso. Esta noite  a festa do C.C. Queremos lhe fazer uma boa surpresa quando voltar do trabalho -de repente franziu o cenho-. Est na lista que lhe dei. No 
se lembra?
-Bem, imagino que esqueci. Amanh ento.
-Tenho uma entrevista com o fotgrafo, e depois terei que ajudar  Suzanna com as flores. E a tarde seguinte tampouco -se adiantou antes que pudesse lhe perguntar-. 
Chegar a maioria dos convidados de fora, e, alm disso, tem o jantar.
-E logo o casamento -pronunciou Sloan, assentindo-. E depois do casamento...
-Depois do casamento... -sorriu, dando-se conta, de repente, que estava gostando daquela situao-. Logo saber -e, recolhendo seu roupo, dirigiu-se para a porta.
-Hei. Eu no tenho toalha.
-Eu sei -respondeu, rindo.
Naquela mesma tarde Sloan se encontrava no terrao do andar de baixo, fazendo esboos do exterior DasTorres. Queria acrescentar outra escada externa, mas sem que 
afetasse  harmonia do edifcio. De repente, deixou de desenhar quando Suzanna apareceu com duas cestas de flores.
-Desculpe-me -hesitou, e a seguir ensaiou um sorriso-. No sabia que estava aqui. Queria decorar a terrao para a festa de C. C.
-Sairei dentro de um momento.
-Oh, no importa -deixou as cestas no cho e voltou a entrar na casa.
Durante os minutos seguintes ficou entrando e saindo, carregada com cadeiras e artigos decorativos. E tudo isso em meio de um tenso e pesado silncio, at que finalmente 
se deteve para olh-lo.
-Senhor O'Riley, nos vimos antes? Perguntava-me isso porque tinha a sensao de que voc me conhecia... e que tinha algo contra mim.
-No a conheo... senhora Dumont.
-Ento por que...? -interrompeu-se. Detestava  discusses, provocavam-lhe uma tenso insuportvel. Voltando-se, disps-se a retroceder. Podia sentir seu olhar fixo 
nela, frio e ressentido-.Estou em minha casa, senhor O'Riley, e quero saber que problemas voc tem comigo.
Sloan lanou seu caderno de esboos sobre a mesa mais prxima.
-Meu sobrenome no lhe faz lembrar de nada, senhora Dumont?
-No, por que teria que me lembrar?
-Talvez sim, se lhe acrescentasse um nome: Megan O'Riley. Recorda agora?
-No -frustrada, passou-se uma mo pelo cabelo-. Aonde quer chegar?
-Suponho que para algum como voc seja fcil esquecer. Sim, ela no foi mais que uma ligeira inconvenincia em sua vida.
-Quem?
-Megan. Minha irm Megan.
Completamente desorientada, Suzanna negou com a cabea.
-Eu no conheo sua irm.
O fato de que seu nome nada significasse para ela no fez mais que aumentar sua irritao. Levantou-se, ignorando o temor que se refletia em seus olhos.
-No, claro, voc alguma vez chegou a encontr-la cara a cara? -disse, furioso-. Para que se incomodar? Conseguiu se livrar dela, como se fosse um aborrecimento. 
Baxter Dumont sempre foi um miservel, mas ela o amava.
-Sua irm? -Suzanna levou uma mo trmula a tmpora-. Sua irm e Bax.
-J comeou a lembrar? -quando ela comeou a afastar-se, ele a impediu agarrando-a pelo brao-. Foi por amor ou por dinheiro? -perguntou-lhe-. Em qualquer caso, 
poderia ter tido um pouco de compaixo. Maldita seja, ela estava sozinha, tinha dezessete anos e estava grvida. Custava pelo  menos permitir que o canalha visitasse 
a criana?
Ficou-se branca como a cera.
-Seu filho -sussurrou.
-S era um menino, um menino assustado que acreditava em todas as mentiras que lhe contavam. Eu queria matar  seu pai, mas com isso somente teria conseguido piorar 
as coisas para Meg. Entretanto voc... voc no sentiu piedade alguma. Seguiu adiante com sua vida fcil, como se Megan e o menino no existissem. E quando ela a 
chamou suplicando-lhe que deixasse Baxter ver o menino uma ou duas vezes ao ano, voc a insultou e a ameaou tirar a criana se voltasse a incomodar seu maridinho.
Suzanna no podia respirar.
-Por favor. Por favor, preciso me sentar.
Mas Sloan continuava olhando-a fixamente. Enquanto o mpeto de sua raiva cedia pouco a pouco, pde ver que no havia vergonha em seus olhos, nem tampouco desprezo, 
ou fria. No. Havia somente um puro assombro.
-Meu deus -exclamou em voz baixa-. No sabia.
A nica coisa que Suzanne pode fazer foi negar com a cabea. Ao sentir que a presso de sua mo afrouxava, voltou-se e entrou na casa. Sloan ficou durante uns segundos 
onde estava, sem se mover. Todo o desgosto que tinha sentido por Suzanna se voltou de repente contra si mesmo.
Quando ia sairt em sua busca, tropeou com uma furiosa Amanda na soleira.
-Que diabos voc lhe disse para que esteja chorando assim?
-Para onde ela foi?
-No voltar a se aproximar dela. Quando penso que tinha comeado a acreditar que poderia... maldito seja, Sloan.
-Nada do que diga poder piorar a opinio que tenho de mim mesmo. Onde ela est?
-V pro inferno -fechou bruscamente a porta do terrao e trancou a porta.
Sloan pensou por um instante em derrubar com um chute, mas logo, praguejando entre dentes, dirigiu-se  escada de pedra que rodeava a casa. Encontrou Suzanna no 
terrao do segundo piso, contemplando as escarpas e o mar. J tinha dado um passo para ela quando Amanda apareceu de novo.
-Afaste-se dela -gritou, rodeando com um brao os ombros de sua irm-. No se aproxime. E volte para o lugar de onde veio.
-Isto no  assunto seu.
-Est bem -murmurou Suzanna, apertando a mo de Amanda-. Preciso falar com ele, Mandy. A ss.
-Mas...
-Por favor.  importante. Desa e termina de preparar tudo, ok? 
Desconfiada, Amanda deu um passo para trs
-Se isso  o que quer... -murmurou, mas lanou em seguida um olhar assassino para Sloan. - E voc, tome cuidado.
Uma vez sozinhos, Sloan no sabia por onde comear.
-Suzanna...
-Como se chama o menino?
-No...
-Maldio, como se chama? -sua expresso de estupor tinha sido substituda por lgrimas de fria-.  o meio-irmo de meus filhos. Quero saber como se chama.
-Kevin. Kevin O'Riley.
-Quantos anos tm?
-Sete.
Voltando-se de novo a olhar o mar, Suzanna fechou os olhos. Sete anos atrs ela tinha sido uma jovem feliz e apaixonada, cheia de sonhos e iluses.
-E Baxter sabia? Sabia que ela tinha tido um filho dele?
-Sim, sabia. Ao princpio Megan no disse a ningum quem era o pai. Mas depois que a chamou e falou contigo... mas na realidade no falou com voc, certo?
-No -Suzanna continuava com o olhar fixo no mar-. Possivelmente foi com a me do Baxter.
-Quero me desculpar.
-No h necessidade. Se isso lhe tivesse acontecido a uma de minhas irms, acredito que teria reagido muito pior que voc. Continue.
Sloan percebeu que era mais dura do que tinha acreditado, mas isso no conseguiu aliviar em nada o peso de sua culpa.
-Depois de fazer aquela ligao, ela desmoronou. Foi ento quando finalmente me contou tudo. Tinha conhecido Dumont em uma viagem que fez a Nova Iorque, com uns 
amigos. Ele se encontrava a negcios e se mostrou interessado por ela. Minha irm nunca tinha estado em Nova Iorque antes, e se sentiu entusiasmada. Era apenas uma 
menina.
-Dezessete anos -murmurou Suzanna.
-Era muito ingnua -acrescentou Sloan com um tom de amargura-. Baxter lhe contou a histria de costume: que estava disposto a ir a Oklahoma e conhecer sua famlia, 
e que queria casar-se com ela. Mas uma vez que Megan retornou para casa, j no voltou a ter notcias dele. Falou com ele por telefone vrias vezes, e s recebeu 
desculpas e mais promessas. Logo descobriu que estava grvida -se esforou por dominar-se, procurando no recordar de como ficou furioso quanto soube da noticia-. 
Quando contou a , Baxter ele mudou a ttica. Disse a ela palavras horrveis, e minha irm amadureceu. Muito rpido.
-Foi uma situao terrivelmente difcil para ela... ter um filho sozinha ...
-Mas conseguiu. A famlia a apoiou. Felizmente, o dinheiro no constituiu nenhum problema, assim pde atender perfeitamente s necessidades do menino e dela mesma. 
Ela nunca aceitou seu dinheiro, Suzanna.
-Compreendo.
Sloan assentiu lentamente.
-E quando Kevin nasceu... bom, Megan se comportou estupidamente. Vivia pensando em Baxter e tentou falar novamente com ele, sem xito, e ao final apelou pars sua 
esposa. A nica coisa que ela queria era que seu filho tivesse algum contato com o pai.
-Sloan, se eu tivesse alguma influncia sobre o Bax, a teria usado -ergueu as mos e depois as deixou cair, impotente-. Mas no tinha.
-Suponho que no final foi melhor para o Kevin. Suzanna... -passou a mo pelo cabelo-... com que diabos uma mulher como voc pde relacionar-se com um sujeito como 
Dumont?
Suzanna sorriu levemente.
-Era jovem e ingnua, como sua irm, e acreditava nas histrias com finais felizes.
Sloan sentiu o impulso de tomar uma mo, mas vacilou. Temia que pudesse ser rejeitado.
-Voc me disse antes que no queria que eu pedisse desculpas, mas eu se sentiria muito melhor se as aceitasse.
Finalmente foi ela quem lhe ofereceu a mo.
-Isso, entre familiares, sempre  fcil. Porque suponho que, de uma maneira certamente estranha, voc e eu estamos aparentados -mais tarde, prometeu-se a si mesmo, 
teria tempo e lugar adequado para desafogar sua dor-. Quero lhe pedir algo. Eu gostaria que meus filhos conhecessem  Kevin, a no ser que sua irm no queira, ou 
lhe afete muito...
-Acredito que isso significaria muito para ela. Farei todo o possvel.
-Jenny e Alex adorariam -olhou seu relgio-.Provavelmente j voltaram do colgio e  deveme estar deixando tia Cordy louca. Ser melhor eu ir.
Sloan desviou o olhar para a escada que conduzia ao terrao superior. E pensou em Amanda.
-Eu tambm. Tenho outro assunto para tratar.
Suzanna o olhou arqueando uma sobrancelha.
-Boa sorte.
Sloan teve o pressentimento de que ia necessitar. E, quando chegou ao terrao, estava absolutamente seguro disso. Ali estava Amanda, pendurando grinaldas e serpentinas 
enquanto Lilah atava globos brancos nos respaldos das cadeiras. Tinha desdobrado uma larga mesa coberta com um fino jogo de mesa.
Amanda ouviu os passos de suas botas nos degraus e se voltou para lhe lanar um olhar letal.
-Bom -pronunciou Lilah enquanto terminava de atar um globo-,irei ver se tia Cordy j terminou com aqueles palitinhos de chocolate -ao passar do lado de Sloan, deteve-se 
por um instante. Ao contrrio do olhar de Amanda, o seu no revelava hostilidade, mas o sentido de suas palavras no deixava lugar para dvidas-. Detestaria ter 
me equivocado em relao a voc -e saiu do terrao, deixando-os a ss.
Amanda, por sua parte, no perdeu o tempo:
-Ainda tem o descaramento de aparecer diante de mim depois do que fez?
-Suzanna e eu j nos acertamos.
-Ah, espera que eu acredite nisso? Quando penso que h apenas algumas horas esteve a ponto de me convencer de que  o tipo de homem que eu... Quando volto para casa, 
encontro voc fazendo minha irm chorar. Quero saber o que voc fez.
-Tinha uma informao equivocada sobre ela. E sinto terrivelmente.
-Isso no basta.
Depois de todo o ocorrido, Sloan no se sentia em condies de mostrar-se razovel.
-Bom, pois ter que te bastar. Se quiser saber mais, pergunte a ela.
-Estou perguntando a voc.
-E eu estou dizendo que o que aconteceu foi algo particular... entre ela e eu. No tem nada a ver com voc.
-A  onde se engana -cruzou o terrao e se aproximou dele-. Se tiver incomodado a uma Calhoun, incomodou  todas as demais. Quando terminar o casamento, farei todo 
o possvel para que voc volte de onde veio.
Cada vez mais tenso Sloan a agarrou pelas lapelas da jaqueta.
-J lhe disse isso antes: eu sempre acabo o que comeo.
- voc que est acabado, O'Riley. Esta casa no precisa de voc e eu to pouco. Estava a ponto de lhe demonstrar quo equivocada estava quando Trent saiu para o 
terrao. Depois de lanar um olhar para seu amigo e para sua futura cunhada, claramente no meio de uma discusso, levou a mo a garganta.
-Parece que foi importuno de minha parte...
-Foi sim -o interrompeu Amanda-. Esta noite  a festa de C.C., e no queremos homens na casa. Assim... por que no leva  este estpido com voc? - saiu do terrao, 
furiosa.
-Bom -suspirou Trent-, Sinto muito no t-loprevenido sobre o temperamento das Calhoun quando o chamei para lhe oferecer este trabalho.
-No, no me avisou. Diga-me, h neste povoado algum escuro e ruidoso bar onde se possa tomar algo?
-Suponho que poderamos encontrar algum.
-Bem. Pois vamos nos embebedar.

Trent encontrou o bar, e Sloan a garrafa. Ia j pela segunda taa de usque quando lhe contou sobre a  conversa com Suzanna.
-Baxter Dumont  o pai do Kevin? No havia me dito isso.
-Prometi a Meg que nunca contaria para ningum. Nem seus amigos sabem.
Trent ficou em silencio por um momento, pensativo.
- difcil imaginar que um canalha to egosta como ele tenha podido ter trs filhos to maravilhosos.
-Sim,  um verdadeiro enigma. O caso   que desabafei com Suzanna -se interrompeu, praguejando entre dentes-. Maldio, Trent, nunca esquecerei a maneira que me 
olhou quando lhe disse todas aquelas coisas.
-Ela vai superar. C.C me contou que, Suzanna j enfrentou coisas piores.
-J, possivelmente. O problema  que se encontrava nesse estado de nimo quando Amanda nos encontrou.
-Imagino. As duas so muito unidas. Mas por que no explicou tudo a ela?
-No era assunto dela.
-Mas a mim acaba de explicar.
- diferente.
-Oua, no quer pedir algo para comer com isso? -assinalou sua taa de usque.
-No.
Permaneceram durante um momento em silncio. Como sentia raiva de si mesmo, Sloan estava comeando a desfrutar da sensao de embebedar-se pouco a pouco. E Trent, 
que reconhecia os sintomas, mantinha-se sbrio.
-Sabe? Essa maldita mulher esta me deixando louco desde a primeira vez que a vi -lhe confessou Sloan, se referindo a Amanda.
-Sei -recostando-se em seu assento, Trent sorriu-. Acredite, entendo a sensao.
-Primeiro se aproxima de mim, e logo me despede me dando uma patada no traseiro. Depois no posso pronunciar duas palavras sem que me mostre as garras -depois de 
pedir outra taa, inclinou-se sobre a mesa-. Faz dez anos que me conhece. No  verdade que sou um tipo de homem afvel, de bom carter?
-Absolutamente -sorriu Trent-. Exceto quando  perde e se pe de mau humor.
-A est -deu um tapa na mesa e tirou um charuto-. Ento, que diabos acontece com essa mulher?
-No sei. Diga-me isso voc.
-Eu lhe direi isso. Tem um carter endiabrado e a teimosia de uma mula.
Ao ver que engolia de um s vez outra taa, Trent esboou uma careta.
-Vou ter que lev-la carregada para casa?
-Muito provavelmente. Por que quer se casar, Trent? Estava to bem sozinho, sem complicaes de nenhum tipo...
-Porque amo C.C.
-Sei -suspirou-. Elas sempre fazem de tudo para conseguir. Atam-lhe e lhe enredam at que deixa de pensar com lgica. Viu o jeito que ela tem de se mover? O jeito 
que ela inclina a cabea quando briga ou grita? Tomou outro gole de usque-. Queima-me por dentro. Fico aturdido. Perco a conscincia. E quando me recupero, estou 
atordoado, tremendo.
Cuidadosamente, Trent deixou sua taa sobre a mesa e observou atentamente  seu amigo.
-Sloan, isto est chegando ao ponto que parece est chegando, ou est simplesmente bbado?
-No o suficiente. Desde que a vi, no pude dormir nenhuma s noite bem. E desde que pus pela primeira vez os olhos nela  como se j no existisse ningum mais. 
Como se j no fosse  existir ningum mais -acotovelando-se na mesa, esfregou o rosto com as duas mos-. Estou loucamente apaixonado por ela, Trent.
-Isso so as Colhoun! -comentou, sorrindo-. Bem-vindo ao clube.


Esteve chovendo o dia todo, assim no pude descer aos escarpados para ver Christian. Durante a maior parte da manh estive brincando com os meninos. Para mim, foi 
um daqueles dias to agradveis que as mes sempre recordam: a risada dos meninos, as graciosas perguntas que insistem fazer, a doura com que dormem em seu colo 
quando se aproxima a hora da siesta...
Acredito que a lembrana desse dia comum  um dos mais belas que j tive. Muito em breve meus meninos comearo a deixar de ser criana. Colleen j est falando 
de bailes e vestidos longos. Isso me tem feito perguntar como teria sido minha vida se tivesse casada com o Christian. Ser que ele se mostraria indiferente com 
os meus filhos? Teria brincado e rido com eles? Teria rido como o rira naquelas horas preciosas nas escarpas?
E teria sido feliz, sem essa amarga dor que me corri o corao. Sem esta culpa. Ento... no teria necessitado procurar o silncio e a solido de minha torre, ou 
ficar sentada sozinha contemplando a chuva cinza enquanto recolho meus pensamentos neste dirio.
Teria podido viver meus prprios sonhos.
Mas tudo isto no deixa de ser uma fantasia, como um desses contos que leio aos meninos na cama. Um conto com final feliz, de preciosas princesas e formosos prncipes. 
E minha vida no  um conto de fadas. Mas, possivelmente, algum dia algum leia estas pginas e descubra minha histria. Espero que essa pessoa tenha um corao 
amvel e generoso, e no me condene por deslealdade a um marido ao que nunca amei, mas sim se regozije comigo por aqueles poucos momentos compartilhados com um homem 
ao qual amarei inclusive depois da morte.
 


Captulo 7

 
Sloan tinha o crebro cheio de homenzinhos batendo martelos e fazendo rudo. Ou ao menos essa era sua sensao. Com o intento de sossega-los, rolou algumas vezes 
na cama. Tremendo engano, j que aquele movimento parecia ter dado o sinal para que uma pequena banda de msica executasse uma marcha marcial, com todo luxo de instrumentos 
de percusso.
Em vo cobriu uma e outra vez a cabea com o travesseiro, porque no demorou em dar-se conta de que o rudo que torturava seu sistema nervoso no procedia somente 
de sua ressaca. Algum estava chamando a sua porta. Ao fim, dando-se por vencido, levantou-se da cama e foi abrir.
Amanda percebeu imediatamente que tinha um aspecto lamentvel, com aquelas olheiras, a barba sem fazer e a expresso azedo. Usava o jeans aberto, como se tivesse 
dormido antes de conseguir tir-lo.
-Puxa, parece que sua noite foi de arrasar.
Ela, pelo contrrio, tinha um aspecto fresco e descansado.
-Se veio aqui tentar estragar meu dia, chegou muito tarde -tentou fechar a porta, mas ela o impediu e entrou no quarto.
-Tenho algo para lhe dizer.
-J me disse.
-Suponho que esteja se sentindo muito mal -comentou, comovida por seu tom abatido.
-Bastante mal? -fechou os olhos-. No, me sinto timo. Eu adoro as ressacas.
-O que precisa  uma ducha fria, uma aspirina e um caf da manh decente.
-Calhoun, est pisando em um terreno perigoso -voltou para o dormitrio.
-No vou demorar muito -o seguiu, decidida a cumprir sua misso-. S quero falar com voc sobre... -interrompeu-se quando Sloan fechou a porta do banheiro em sau 
cara-. Grosso -suspirando, apoiou as mos nos quadris.
Dentro do banheiro, Sloan tirou os jeans e entrou na ducha. Apoiando-se na parede de azulejo, abriu a gua fria. A maldio que soltou ressonou em toda o quarto. 
Pouco depois saiu e tomou uma aspirina. Bem, pensou irnico, a ressaca no desapareceu. Mas pelo menos estou desperto o bastante para aprecia-la em todos seus nuances. 
Depois de enrolar uma toalha  cintura, saiu do banheiro.
Tinha pensado que Amanda captaria sua mensagem, mas ali estava ela, inclinada sobre sua mesa de desenho. Antes tinha arrumado o quarto, esvaziado os cinzeiros, retirando 
copos e pratos, separando a roupa suja. De fato, naquele instante tinha as mos carregadas de roupa enquanto contemplava seus desenhos, com os culos de leitura.
-Que diabos est fazendo?
Elevou o olhar e sorriu, decidida a mostrar-se amvel.
-Oh, j saiu -ao v-lo vestido unicamente com uma pequena toalha, procurou por todos os meios no baixar o olhar de seus olhos-. S estava dando uma olhada em seu 
trabalho.
-No referia a isso, por que no foi embora? Voc no trabalha no servio de quarto, no ?
-No entendi como conseguia trabalhar em meio de um semelhante caos, assim arrumei um pouco isto aqui.
-Eu gosto de trabalhar no caos. Se no fosse assim, teria arrumado eu mesmo este maldito quarto.
-timo -repentinamente furiosa, lanou no ar o monte de roupa que at aquele momento tinha estado carregando nos braos-. Melhor assim?
Lentamente Sloan recolheu a camiseta que tinha aterrissado sobre sua cabea.
-Calhoun, sabe o que  mais perigoso que um homem com ressaca?
-No.
-Nada -j tinha dado um passo em sua direo quando voltaram a bater na porta.
- seu caf da manh -o informou Amanda quando foi abrir-. Eu mesma me encarreguei disso.
Dando-se por vencido, Sloan se deixou cair no sof.
-No quero nenhum maldito caf da manh.
-Bem, coma isso e deixe de se compadecer de si mesmo -mostrou a comida e recolheu a bandeja para deposit-la na mesa baixa, de frente a ele-. Caf puro, torradas 
e suco de tomate com molho picante.
A contra gosto, Sloan tomou um gole de caf. Satisfeita com aquele bom comeo, Amanda tirou os culos e as guardou em um bolso. Ele estava com um aspecto verdadeiramente 
pattico. Mesmo assim,  sentiu o forte impulso de ajoelhar-se a seu lado e lhe acariciar o cabelo molhado.
Mas estava segura de que ele lhe daria um tapa e seu instinto de sobrevivncia era to forte ou mais que aquele impulso.
-Trent me disse que ontem esteve bebendo muito.
Depois de provar o suco de tomate, olhou-a carrancudo.
-Por isso veio correndo comprovar com seus prprios olhos.
-No exatamente. Pensei que possivelmente tinha se embebedado por minha culpa, e me pareceu que devia...
-Espere um momento. Se me embebedei foi porque quis.
-Esta bem, mas...
-No quero sua compaixo, Calhoun. Nem tampouco seu arrependimento.
-Tudo bem -no interior de Amanda comearam a batalhar o orgulho e a fria. Ganhou o orgulho-. Queria apenas lhe pedir desculpas.
-Por que? -perguntou Sloan, mordendo uma torrada.
-Pelo queeu falei e por meu comportamente de ontem -incapaz de ficar quieta, aproximou-se da janela e a abriu de fora a fora-. Embora siga pensando que estava plenamente 
justificado. Depois de tudo, eu sabia que havia dito a Suzanna algo que a tinha afetado terrivelmente -entretanto, havia um brilho de culpa em seus olhos quando 
se voltou para ele-. Quando ela me contou sobre sua irm, e  Bax, percebi que tinha agido errado. Maldio, Sloan, voc devia ter me contado.
-Possivelmente. E possivelmente voc no acreditaria em mim.
-No foi um problema de confiana, mas sim de reflexo automtico. Voc no sabe o quanto Suzanna sofreu. Voc viu o sofrimento de sua irm, ento deve compreender 
por que no pude suportar v-la assim outra vez -Ela tinha os olhos cheios de lagrimas-. E foi ainda pior, porque... sinto algo por voc.
Se havia algo contra  o que Sloan no tinha nenhuma defesa, eram as lgrimas. Desesperado por consol-la, levantou-se para lhe tomar as mos.
-Ontem cometi um monto de enganos -sorrindo, acariciou-lhe a face com o dorso da mo-. Suponho que pedir desculpas  to difcil para voc quanto para mim.
-Tem razo.
-Por que no o deixamos um empate? -perguntou.
Mas quando baixou a cabea para beij-la, ela se afastou.
-Preciso pensar com um mnimo de claridade.
-E eu preciso fazer amor com voc -voltou a lhe tomar a mo.
-Eu... -o corao tinha subido  garganta-... Bem ... estou trabalhando. J acabou minha meia hora livre, e Stenerson... -Sorrindo comeou a lhe beijar os dedos. 
A ressaca se transformou em uma dor discreta, no to perceptvel como outra, mais doce, que lhe atava as vsceras-. Diga-lhe que necessito dos servios de sua ajudante 
executiva por um par de horas.
-Penso que...
-Outra vez pensando... -murmurou Sloan, acariciando os lbios com os seus.
-No, de verdade, tenho que... -a mente se nublou quando ele comeou a beijar seu pescoo-. Tenho que voltar para o trabalho. E eu... -inspirou profundamente-... 
preciso estar segura -. Tenho que saber o que estou fazendo.
-Vou lhe dizer uma coisa Calhoun, pense nisso. E pense profundamente. Pois depois do casamento, voltaremos a conversar sobre isso. Como combinado. -antes que ela 
pudesse relaxar, segurou firmemente seu queixo com uma das mos-. E depois do casamento, se no vim at a mim, ser melhor que saia correndo.
-Isso parece um ultimato -replicou Amanda, franzindo o cenho.
-No,  um fato. E se eu fosse voc, sairia agora mesmo por essa porta, quando ainda est em tempo de faz-lo.
Toda digna Amanda partiu no sem antes se voltar para ele com um sorriso que o desenquadrou ainda mais.
-Aproveite de seu caf da manh.
E fechou batendo a porta, em vingana. Quase podia imaginar ele segurando a cabea dolorida com as mos.


-No imaginava que ficaria to nervosa -C.C. contemplava fixamente o vestido de casamento, de seda, pendurado no armrio-. Possivelmente seria melhor que me pusesse 
simplesmente uma roupa normal...
-No seja ridcula. E fique quieta -Amanda se inclinou para ela para acrescentar um pouco de ruge a suas bochechas-. Suponho que voc tem que estar tranquila- verdade 
-desgostada consigo mesma, C.C. levou uma mo ao estmago-. Amo Trent e quero me casar com ele, por que teria que ficar nervosa agora, quando isso vai acontecer? 
-voltou a olhar o vestido e engoliu saliva-. Falta menos de uma hora.
-Possivelmente deveria chamar tia Cordy para anim-la - Amanda sorriu.
-Muito engraado. Suzanna no vem?
-J lhe disse isso, logo que termine de vestir aos meninos.  Jenny adora a idia de vestir-se de dama de honra, mas Alex no parece muito contente com a idia de 
ter que levar os anis em uma almofada de cetim. E, antes que me pergunte isso outra vez, supe-se que Lilah tenha que ficar l em baixo e ocupar-se dos detalhes 
de ltima hora. Embora ainda no sei por que diabos temos que confiar nela...
-Ela far o trabalho muito bem. Nunca falha nos momentos importantes -a tranqilizou C.C.-. E este o , Mandy.
-Sei, querida.  o dia mais importante de sua vida -com os olhos nublados de emoo, aproximou e beijou seu rosto-. Oh, tenho a sensao de que deveria dizer algo 
profundo, mas a nica coisa que me ocorre dizer  que seja feliz.
-Serei. E no pense que estou indo embora de casa. Viveremos aqui a maior parte do tempo, exceto quando... quando estivermos em Boston -sua graganta se apertou em 
um n.
-No comece outra vez -lhe advertiu Amanda-. Falo srio. Depois de todo o trabalho de ficar linda, no vai comear a chorar agora. Vamos nos vestir ento...
Quando Suzanna desceu pouco depois, com um filho em cada mo, tambm teve que fazer um esforo por no chorar.
-Oh, C.C.! Est maravilhosa!
-Srio? -nervosa, ajustou-se um lao no pescoo. O vestido era de uma elegante simplicidade, quase sem adornos-. Possivelmente teria que ter vestido algo menos formal...
-No,  perfeito -comentou, e se dirigiu depois ao seu filho-. Alex, fique quieto, por favor.
-Odeio esta jaqueta.
-J sei, mas ter que agentar. Tenho algo para voc -disse a C.C. enquanto lhe dava uma pequena caixa. Dentro havia uma safira em forma de lgrima, no meio de uma 
corrente de ouro.
-A corrente de mame.
-Tia Cordy me deu isso quando... no dia de meu casamento -abraou  sua irm, emocionada-. Quero que a leve e conserve como se fora sua.
C.C. fechou os dedos sobre a safira.
-J no estou nervosa.
-Agora sou eu que estou a ponto de chorar -temerosa de dizer mais, Amanda lhe deu um rpido beijo-. Vou descer para me assegurar de que tudo est preparado.
-Mandy...
-Sim, direi a Lilah que suba -e saiu do quarto para descer correndo as escadas. Somente se deteve um instante no corredor para ajeitar o penteado ante o espelho, 
mas foi quando viu o Sloan.
-Est linda. Simplesmente linda.
-Obrigado. 
Olharam-se durante alguns instantes. Ele de fraque, e ela com um lindo vestido comprido cor de pssego.
-Er... sabe onde est Trent?
-Precisava de alguns minutos de solido. Seu pai lhe deu alguns conselhos... -sorriu-. Quando um homem se casou tantas vezes como o senhor St. James, sempre se acha 
no direito de dar algum conselho interessante -e ps-se a rir ao ver a expresso da Amanda-. No se preocupe, eu o levei ao jardim para que tomasse uma taa de champanhe 
com Cordy. Parece que so velhos amigos.
-Acredito que se conhecem h muito tempo-ao ver que se aproximava dela, Amanda comeou a falar com rapidez, tagarelando de puro nervosismo-. Est magnfico. No 
imaginava que ficaria to bem de fraque -e acrescentou, quando comeou a rir-. No, no queria dizer isso, mas sim...
-Fica muito bonita quando ruboriza.
-Bom, devo ir -pronunciou-. Comearemos dentro de uns minutos. Ter que se ocupar dos convidados.
-A maior parte est j no jardim.
-O fotgrafo.
-J falei com ele.
-O champanhe?
-No gelo -deu um passo em sua direo e ergueu o queixo com um dedo-. Fica to nervosa em casamentos, Calhoun?
-Sim.
-Vai danar comigo?
- obvio.
Coemou a brincar com as flores que adornavam seu cabelo.
-E depois?
-Eu...
-C.C. j est preparada! -gritou de repente Alex, aparecendo no alto das escadas.
-Muito bem -sorriu Sloan-. J vou me assegurar de que o noivo est em seu posto.
-De acordo... maldio! -exclamou Amanda quando soou seu celular-. Diga? Oh, William, no posso falar agora com voc. Vai comear o casamento... Amanh? -levou uma 
mo ao penteado, com gesto distrado-. No,  obvio. Hum... sim, est bem. A primeira hora da tarde seria  melhor. As trs? O verei a essa hora -quando desligou 
o telefone, voltou-se para descobrir que Sloan olhava-a com frieza.
-Est correndo um grande risco, Calhoun.
-O que quer dizer? -perguntou-lhe, franzindo o cenho.
-Falaremos disso depois. Temos um casamento para fazer.
-Tem toda a razo.
Momentos depois, as mulheres da famlia Calhoun ocuparam seus lugares no caminho do jardim que levava ao altar, situado sob uma carpa. Primeiro Suzanna e logo Lilah 
e Amanda, seguidas de uma radiante Jenny e um visivelmente envergonhado Alex. Amanda se esforava para no olhar na direo de Sloan, mas no demorou para esquecer-se 
de tudo ao ver sua irm avanar, coberta por um vu branco, de brao dado com Cordy.
Embargada de emoo contemplou a cerimnia. Atravs das lgrimas viu quando Trent deslizou um anel de esmeraldas no dedo de C.C. O olhar de amor que trocaram foi 
mais eloquente do que todas as promessas e votos do mundo. Segurando a mo de Lilah e de Suzanna, pde ver a expresso radiante que iluminou o rosto de sua irm 
quando recebeu o primeiro beijo de seu marido.
-J terminou tudo? -quis saber Meg.
-No -respondeu Amanda enquanto seu olhar se desviava para o Sloan-. Acaba de comear.
- Um maravilhoso casamento -depois de beij-la nas bochechas, o pai de Trent felicitou efusivamente  Amanda-. Meu filho comentou que voc tinha organizado tudo.
- Eu gosto de detalhes -respondeu, e lhe ofereceu um prato do buffet.
-Eu j tinha ouvido falar sobre isso -alto, esbelto e de tez bronzeada, St. James sorriu-. E tambm que todas as irms Calhoun eram maravilhosas. Agora pude comprov-lo 
com meus prprios olhos.
- Nos sentimo encantadas de te-lo na famlia - Amanda sorriu enquanto lhe servia um prato de comida.
-Que maravilha  a vida. H um ano eu estava navegando em meu iate por essa baa e me fixei nesta casa. Nada mais via a no ser ela, disse-me que tinha que ser minha. 
E agora no s  parte de meu negcio, mas tambm de minha famlia -olhou para C. C. e para Trent, danando na terrao-. Ela o tem feito feliz -acrescentou com tom 
suave-. E isso  algo que eu no consegui -encolheu os ombros, colocou de lado este pensamento-. Gostaria de danar?
-Eu adoraria.
No tinha dado nem trs passos na pista quando Sloan se aproximou com Cordy e trocaram dse casal.
-Podia haver me pedido para danar -murmurou Amanda quando ele deslizou os braos por sua cintura.
-J lhe pedi isso antes. Parabns. Fez um excelente trabalho com este casamento.
-Obrigado. Espero que seja o ltimo que tenha que organizar em muito tempo.
-Voc no pensa em se casar?
Amanda perdeu o passo, nervosa, e esteve a ponto de tropear.
-No, isto ... sim, mas no...
-Isso que chamo de uma resposta clara.
-O que quero dizer  que  algo que no entra em meus planos a curto prazo. Durante os prximos anos vou estar muito ocupada com o hotel. Sempre quis dirigir um 
hotel de primeira classe.  para isso que estive me preparando, e agora que Trent me deu a oportunidade, no posso me permitir dividir minhas obrigaes.
-Uma interessante maneira de pensar. Em meu caso, sempre que me comprometi em alguma relao, em qualquer dos lugares que visitei em minhas viagens, terminei descobrindo 
que se tratava de um engano.
-Sim, tambm corro este risco -aliviada ao ver que no estavam discutindo, sorriu-. Nunca lhe perguntei isso, mas suponho que ter viajado muito.
-Sim. Oua, por que no vamos a um lugar tranqilo onde possamos falar de tudo isto?
-Sinto muito, mas tenho coisas a fazer -parou de danar-. E se quer ser de alguma ajuda, poderia procurar mais garrafas de champanha na cozinha. Eu tenho que ir 
pegar as serpentinas.
-Para que?
-Para decorar o carro. Esto em meu quarto.
-Vou lhe propor uma coisa -disse Sloan enquanto se dirigiam para a cozinha-. Se eu subir com voc at seu quarto, eu a ajudo com as serpentinas.
-No, porque quero decorar o carro antes que voltem de sua lua de mel -respondeu, rindo, e se afastou dele.
J tinha percorrido a metade do corredor do segundo piso quando ouviu ranger uma tabua no cho da planta superior, e se deteve. Passos. Sim, eram passos, sem dvida. 
Perguntando-se se algum dos convidados teria decidido dar uma volta pela casa por sua prpria conta, retornou s escadas. No patamar do terceiro piso viu Fred, feito 
um novelo, dormindo placidamente.
-Que guardio! -murmurou, agachando-se para acarici-lo. O co apenas se moveu-. Fred? -sacudiu-o, mas seguia quase imvel. No momento em que o pegou no colo, a 
cabecinha lhe caiu sobre o brao, inerte.
Ainda no tinha se levantado quando algum surgiu a suas costas e a empurrou contra a parede. Aturdida, ajoelhou-se no cho. Quem quer que a tenha empurrado estava 
descendo as escadas correndo. Rapidamente se levantou, pegou o cachorro e correu atrs dele.
Acabava de chegar ao piso principal quando tropeou com Sloan.
-Porque tanta pressa? -perguntou-lhe, sorridente-. E o que est fazendo com o Fred?
-Viu-o? -perguntou-lhe, pondo-se a correr para a porta.
-Quem?
-Havia algum l em cima -o corao batia a toda velocidade, e  as pernas tremiam. At naquele instante no tinha se dado conta-. Algum estava andando pelo piso 
do andar superior. E no sei o que fizeram a Fred...
-Espera, deixe-me ver -se inclinou sobre o cachorrinho e, depois de lhe levantar uma plpebra, soltou uma palavro. Quando se voltou para Amanda, havia um brilho 
escuro em seus olhos que ela nunca antes tinha visto-. Algum o drogou.
-Drogado? -Amanda apertou o cachorro contra o peito-. Quem poderia drogar a um cachorrinho indefeso?
-Algum que no queria que latisse, imagino. Conte-me o que aconteceu.
-Escutei alguns no terceiro piso e subi para ver. Encontrei Fred, deitado no cho-. Quando fui peg-lo, algum me empurrou por trs, contra a parede.
-Est ferida? -segurou-lhe imediatamente o rosto entre as mos.
-No. Se no fosse o empurro, acredito que o teria agarrado.
-E no lhe ocorreu pedir ajuda? Meu deus, Amanda, no se d conta de que essa pessoa pde fazer algo pior que empurr-la?
Ela no tinha pensado nisso. Mesmo assim no mudou de atitude.
-Posso cuidar de mim mesma. J  bastante ruim ter que suportar que haja gente que bata a nossa porta perguntando pelo colar, ou se dedique a rondar pelos arredores, 
e alm de tudo isso entrem na casa. Bom, pelo menos eu tambm lhe dei um bom susto-acrescentou, satisfeita-.  velocidade que saiu correndo, nesnte momento estar 
quase no povoado. No acredito que volte. O que faremos com o Fred?
-Eu me encarregarei de -lhe tirou cuidadosamente o cachorrinho dos braos-. A nica coisa que precisa  dormir. E voc precisa chamar  polcia.
-Depois do casamento. No vou estragar a festa de minha irm e de Trent somente porque algum estpido escolheu este dia para invadir a casa. O que farei ser revisar 
o terceiro piso para comprovar se levaram algo. Logo retornarei para me despedir dos noivos. E, por ltimo, chamarei  polcia.
-J pensou em tudo. To metdica como sempre -disse Sloan, irritado-. Mas as coisas no so to fceis.
-J resolverei.
-Claro que sim. Como poderiam um intento de roubo e um pequeno assalto alterar seus planos a curto prazo? De maneira nenhuma. E tambm no pode permitir que algum 
como eu se meta em seus planos a longo prazo.
-No sei por que est to zangado.
-No sabe? Ouve passos de um desconhecido na casa e o sujeito a empurra contra a parede, mas voc nem pensa em me chamar. No lhe ocorre me pedir ajuda, nem sequer 
quando sabe que estou apaixonado por voc.
Amanda voltou a sentir aquele familiar n de tenso no peito.
-Eu sozinha fiz o que tinha que fazer.
-Claro -assentiu lentamente-. Pois continue e faa o que tem que fazer agora. Fica tranqila, que eu no a incomodarei.
 

Captulo 8
 
E Sloan prometeu a si mesmo que no a incomodaria mais. Aquela mulher j tinha transtornado bastante seu crebro. Muito.
Saiu no terrao de seu quarto para desfrutar daquela clida tarde primaveril. Abandonaria As Torres quanto antes possvel.  obvio, primeiro concluiria seu trabalho. 
Amanda no era a nica pessoa capaz de fazer sempre o que se esperava dela. Com a ajuda da Suzanna e dos meninos, tinha decorado o carro dos recm casados. Forando 
um sorriso, tinha-lhes jogado arroz junto com todos outros. Inclusive tinha dado a Cordy seu leno para que enxugasse as lgrima sde felicidade que corriam por seu 
rosto. E, em companhia de uma preocupada Lilah, tinha esperado que Fred despertasse e soltasse seu primeiro latido.
E depois saiu a toda pressa dali.
Amanda no precisava dele. O fato de que at ento no tivesse se dado conta do muito que precisava que ela o precisasse lhe servia de pouco consolo. E ali estava 
ele, esperando ajud-la e proteg-la, enquanto ela saa correndo atrs de algum ladro ou se encontrava com um sujeito chamado William. Pois bem, j estava farto 
de fazer papel de ridculo.
Tinha um trabalho que fazer, e o faria. Amanda tinha uma vida que viver, e ele tambm. J era hora de contemplar sua situao com um pouco de perspectiva. Um homem 
tinha que estar louco para enredar-se, com uma mulher assim. Logo tiraria Amanda Calhoun da cabea e...
-Sloan.
Com uma mo ainda apoiada no corrimo, voltou-se. Amanda estava na soleira. Tinha trocado o  vestido de seda por uma blusa e calas de algodo.
-O chamei -comeou a dizer, entrando na terrao-. Mas temia que no quissesse abrir, assim utilizei minha chave mestra.
-Isso no  contra as regras?
-Sim. Sinto muito, mas em casa foi impossvel falar com voc. Depois que a polcia partiu, continuava inquieta -suspirou. Disse-se que, evidentemente, ele no ia 
facilitar lhe as coisas. Continuava  ali, ainda com as calas do fraque e a camisa branca desabotoada, descalo, olhando-a com expresso pensativa-. Suponho que 
no me sentia cmoda... com este assunto, o nosso, sem terminar.
-De acordo -depois de acender um charuto, apoiou-se no corrimo.
-No  to simples. Antes estava zangada e furiosa porque... porque algum entrou na casa. Em minha casa. Sei que estava preocupado por mim, e que fui muito brusca 
com voc. E, s depois que me tranqilizei um pouco dei-me conta de que se sentia aborrecido porque no tinha ocorrido lhe pedir ajuda.
-No se preocupe -soltou uma baforada de fumaa-. O superarei.
-No  somente isso... -interrompeu-se e comeou a caminhar de um lado a outro do estreito terrao. No, ele no iria facilitar as coisas para eles-. Estou acostumada 
a enfrentar sozinha s coisas. Sempre fui a nica capaz de encontrar uma soluo lgica para tudo, ou o caminho mais curto para solucionar um problema. Faz parte 
de meu carter. Quando tenho que fazer algo, fao-o. Suponho que no tenho mais remdio. No  que no queira pedir ajuda. , mas bem... que estou acostumada a que 
me peam isso , mais que pedi-la eu mesma.
-Uma das coisas que admiro em voc, Amanda,  sua eficcia, a maneira que tem de fazer as coisas. Por que no me diz o que vai fazer comigo?
-Porque no sei -se esforou para manter a calma e continuou caminhando pelo terrao-. E  isso que me irrita mais. Eu sempre sei o que fazer, mas no seu caso. Por 
mais que eu esquente a cabea, nunca sei o que fazer.
-Possivelmente seja porque dois e dois no sempre so quatro.
-Mas deveriam ser quatro -insistiu-. Ao menos para mim. A nica coisa que sei  que voc me faz sentir... diferente de como me sentia antes. E isso me assusta -quando 
se voltou para ele, tinha o olhar obscurecido pela fria-. J sei que para voc  fcil, mas para mim no.
-Que para mim  fcil? -repetiu Sloan-. Acredita que  fcil para mim? -em um impulso, atirou o charuto ao cho e o esmagou com o p-. Estive me queimando em fogo 
baixo desde da primeira  vez que a vi. Isso, para um homem, no  nada fcil, Amanda. Acredite em mim.
Como era difcil at respirar, sua voz  saiu em um murmrio:
-Ningum tinha me desejado tanto quanto voc. Isso me assusta -apertou os lbios-. E nunca desejei ningum como desejo voc. E isso me aterroriza.
Sloan estendeu uma mo e passou pelos seus cabelos.
-No espere me dizer uma coisa assim, ou me olhar como me est olhando agora mesmo, e logo me pedir que a deixe em paz.
Presa em uma mescla de pnico e excitao, Amanda negou com a cabea.
-No  isso o que estou pedindo.
-Ento , o que ?.
-Maldio, Sloan. No quero que seja razovel. No quero pensar. Quero que deixe de me fazer pensar, agora mesmo -com um gemido jogou os braos em torno de seu pescoo 
e o beijou nos lbios.
Tinha medo. Temia estar dando um gigantesco passo na beira de um profundo penhasco. E sentia jbilo, tambm. Porque estava dando aquele passo com os olhos bem abertos. 
E ele estava com ela naquela queda. Seu corpo caa com o seu.
-Sloan...
-No diga nada -a abraou com fora enquanto deslizava os lbios por seu pescoo. Seu pulso acelerado  estava no mesmo ritmo que seu corao. Deu-se conta de que 
jamais antes tinha experiente aquela sensao de unidade, de fuso, com nenhuma outra mulher-. Nenhuma s palavra.
A fez entrar no quarto, deixando a porta do terrao aberta para que a brisa do mar entrasse, perfumada pelo aroma das flores. Acariciou-lhe primeiro o cabelo, deleitando-se 
com sua textura. Logo, muito brandamente, como se fosse a carcia de uma pluma, roou-lhe o lbio com os seus. No, no queria escutar nenhuma palavra dela, porque 
no estava seguro de poder encontrar, por sua vez, as palavras necessrias para lhe dizer que a tinha dentro do corao. Mas  ira demonstrar.
Vacilante, Amanda se abraou a seu peito. No queria mostrar-se fraca naquele momento, e sim forte. Mas mesmo assim, ao sentir seus lbios em seu rosto, estremeceu.
Com deliciosa lentido, tocando-a apenas, Sloan lhe desabotoou a blusa e a deslizou pelos ombros. Usava embaixo uma camiseta branca de algodo. Sem deixar de olh-la 
nos olhos soltou as calas, que caram ao cho. Logo, quando ela se dispunha a acarici-lo, tomou as mos.
-No, me deixe toc-la.
Indefesa, fechou os olhos enquanto Sloan delineava com as pontas dos dedos a curva de seus seios. Acariciando-a como se parecesse do cristal mais fino e delicado 
do mundo. Elegantemente ertica aquela muito leve carcia lhe inflamou o sangue at que, por um instante, acreditou morrer de puro prazer.
Jogou a cabea para trs, e um gemido escapou de sua garganta enquanto Sloan prosseguia sua lnguida explorao com paciente ternura. Podia ver o escuro brilho que 
resplandecia em seus olhos, sentir o tremor que percorria seu corpo. Cada vez mais excitado, comeou a acariciar com os polegares seus mamilos que se enrrijeciam 
contra o tecido. Logo sua lngua substituiu a suas mos, e Amanda se agarrou freneticamente a seus ombros para sustentar-se.
-Por favor... no posso...
Naquele instante j se sentia caindo rapidamente no vazio, mas ele estava ali para recolh-la. Quando sentiu que os joelhos dobravam, Sloan a levantou nos braos 
e a tombou sobre a cama.
-Ningum... -murmurou ela contra seus lbios-... ningum nunca fez amor comigo assim.
-Eu ainda no comecei.
E o demonstrou. Com deliciosa pacincia foi acariciando e excitando sensveis zonas de seu corpo que ela nem sequer sabia que existiam. Com cada carcia era como 
se descobrisse portas at esse momento firmemente fechadas, abrindo as de par em par para que entrasse a luz, o ar.
No se detinha nunca. Quando sentia a tentao de apressar-se, de se entregar aquele desafogo, se controlava, dizia a si mesmo para aproveitar cada momento. Deslizou 
as mos por seus quadris subindo a camiseta, at tir-la pela cabea. E ao fim pde saborear a pele sedosa de seus seios. Amanda enterrou os dedos em seu cabelo, 
estreitando-o contra seu peito com verdadeiro desespero. "Queimando-me a fogo baixo"; no era isso o que lhe havia dito antes? Perguntou-se freneticamente enquanto 
os lbios de Sloan desciam pouco a pouco por seu corpo. Agora podia entend-lo, quando o corpo ardia por dentro cada vez mais, grau a grau.
Ai ento Sloan j estava tirando a ltima barreira de roupa, e ela no podia fazer outra coisa que se retorcer sob seus dedos, ofegante.
Quando comeou a acarici-la com a lngua, arqueou-se contra ele, agarrando com fora os lenis. Inefveis sensaes assaltavam seu crebro, muito rpidas, muito 
agudas. E por muito que se esforasse no conseguia mais pensar em nada, pareciam atar-se em um confuso matagal sem princpio nem final.
Era consciente de que estava gritando seu nome uma e outra vez? Perguntou-se. Sabia que seu corpo se movia com vontade prpria, com um ritmo lento e sinuoso, como 
se j tivesse entrado nela? Sloan continuava excitando-a incansvel, gradualmente, saboreando cada instante, cada necessidade, cada desejo.
Amanda abriu os olhos, aturdida. S podia ver seu rosto, to perto do dele, com aquele olhar to intenso. Ergueu as mos para lhe abrir a camisa e acarici-lo to 
lenta e meticulosamente como ele a tinha acariciado a ela. Logo se inclinou para lhe beijar o peito e deslizar os lbios lentamente at sua garganta.
Entardecia, e a luz ficava a cada instante mais fraca, at converter-se em uma penumbra. Agilmente Amanda comeou despi-lo, e foi semeando o corpo de beijos, sentindo-o 
tremer sob seus lbios.
Pouco depois, com um suspiro, Sloan deslizava para seu interior. Amanda conteve o flego, e foi relaxando pouco a pouco. Comearam a mover-se juntos, a um ritmo 
deliberadamente lento, deliciosamente suave. Era uma sensao to doce que os olhos se encheram de lgrimas, que ele enxugou beijo a beijo.
Mas gradualmente a doura foi se transformando em ardor, e o ardor em um verdadeiro incndio. Com o olhar nublado de paixo, sentiu que Sloan tomava suas mos entrelaando 
os dedos com os seus e apertava-as conforme a arrastava  cpula do prazer. E seu nome explodiu em seus lbios no instante em que se reuniu naquela mesma culminao 
com ela.
Sloan jazia na cama com os lbios ainda em contato com a pele de seu pescoo, deleitado com seu sabor. A respirao de Amanda era firme, regular. Perguntando-se 
se estaria dormindo, comeou a afastar-se. Mas ela ergueu os braos e o atraiu para si.
-No -sua voz era um rouco murmrio que lhe acelerou novamente o pulso-. No quero que isto termine.
Sloan mudou de postura, colocando-a em cima dele.
-Gostou?
-Claro que sim. Foi lindo. Lindo de verdade. Sabe? Acredito que nunca em toda minha vida me havia sentido to relaxada.
-Bem -lhe afastou o cabelo dos olhos para contemplar seu rosto-. S que est muito escuro para ver algo -estendeu um brao e acendeu a luz.
-Por que fez isso? -perguntou-lhe Amanda, protegendo os olhos.
-Porque quero ve-la quando fazermos amor outra vez.
-Outra vez? -rindo, deixou cair a cabea contra seu ombro-. Tem que estar brincando.
-Claro que no. Acredito que poderia continuar at o amanhecer.
Saboreando aquela deliciosa frouxido, se aconchegou contra ele.
-No posso ficar a noite toda.
-Quer apostar?
-No, de verdade -se arqueou como um gato quando Sloan lhe acariciou as costas-. Quem dera se pudesse, mas tenho muitas coisas que fazer pela manh. Oh... -estremeceu-se 
sob seu contato-. Sabe? Tem umas mos maravilhosas... -murmurou enquanto se perdia em um longo, sonhador beijo.
-Fique.
-Bom possivelmente um pouquinho mais...

Pouco a pouco foi despertando, e abriu os olhos, amanhecia. A luz do sol entrava no quarto. Estava sozinha na cama. Tirando o cabelo dos olhos, levantou-se.
"Como ele tinha falado.", pensou, esboando um sorriso. Tinha passado a noite com Sloan, e no se saciou, e nem ele dela, at o amanhecer. Tinha sido a noite mais 
maravilhosa de toda sua vida.
Mas onde diabos estava Sloan?
Como se tivesse escutado seus pensamentos, entrou de repente no dormitrio, empurrando um carrinho com uma bandeja.
-Bom dia.
-Bom dia -sorriu, embora se sentisse um tanto incmoda com ele vestido e ela ainda nua, na cama.
-Pedi que nos trouxessem o caf da manh -percebendo seu dilema, entregou-lhe sua camisola e lhe deu um beijo-. Oua, por que no tomamos o caf da manh no terrao?
-Esta bem. D-me um minuto.
Quando voltou a reunir-se com ele na terrao, a mesa j estava posta, inclusive decorada com uma solitria rosa vermelha em uma taa. E se sentiu comovida ao ver 
que estava se mostrando to terno na manh seguinte como durante a noite anterior.
-Pensou em tudo.
-Tudo  pouco se tratando de voc -sorriu, sentando-se na sua frente-. Podemos considerar isto como nosso primeiro encontro, j que nunca pude convence-la a sarmos 
juntos.
- verdade -serve as duas taas de caf-. Isso no chegou a consegui-lo.
Comeou a comer. Pensou, admirada, que estava tomando o caf da manh tranqilamente depois de uma longa noite de prazer. E, entretanto, conheciam-se to pouco... 
No pde evitar sentir um tanto assustada.
-Sloan, j sei que  um pouco estpido a estas alturas, mas... eu no tenho costume de passar a noite com um homem em um quarto de hotel. No estou acostumado a 
ser to ntima de algum a quem conheo a to pouco tempo.
-No h necessidade de me dizer isso -  disse Sloan, fechando uma mo sobre a sua-. Isto foi muito rpido para ambos. Possivelmente seja porque o que aconteceu entre 
ns  especial. Estou apaixonado por voc, Amanda. No, no se retraia -lhe apertou a mo-. Habitualmente sou um homem paciente, mas com voc tenho que me conter 
muito. Desta vez farei todo o possvel para lhe dar tempo.
-Se eu dissesse que estou apaixonada por voc... o que aconteceria a seguir?
Viu em seus olhos uma estranha expresso, que lhe acelerou o pulso.
-Algumas vezes ter que viver sem saber de antemo as respostas. Tem que ter vontades de jogar, de se arriscar.
-Nunca gostei de riscos -mordeu o lbio, decidida a sobrepor-se a seu medo. No teria vindo aqui ontem  noite se no tivesse apaixonada por voc.
Sloan ergueu sua mo para lev-la aos lbios, e sorriu.
-Eu sei.
Amanda soltou uma gargalhada que era tanto de alvio como de diverso.
-Sabia, mas tinha que ouvir me dizer isso...
-Exato -de repente ficou srio-. Tinha que ouvir de seus lbios.
-Amo voc, mas ainda estou um pouco assustada. Eu gostaria que fssemos lentamente, passo a passo.
-Parece-me justo. Assim sigamos desfrutando de nosso primeiro encontro antes que esfrie o caf da manh.
Mais relaxada, passou manteiga em uma torrada.
-Sabe? Desde que comecei a trabalhar aqui, nenhuma s vez me sentei em um destes terraos para contemplar a baa.
-Alguma vez se meteu em um quarto e se fez passar por cliente? -riu Sloan- No, claro. Nunca pensei nisso. Bom, e o que sente em estar do outro lado?
-Bom, a cama  cmoda, e a vista maravilhosa -respondeu em tom alegre-. Entretanto, no Refgio de Das Torres, ofereceremos muito mais que isso. Ginsios privados, 
lareiras romnticas, uma garrafa do melhor champanhe com cada reserva, deliciosas comidas cordon bleu preparadas por Cordy... e tudo isso em um ambiente do princpios 
de sculo, adornado com fantasmas e a lenda de um tesouro oculto -apoiou o queixo em uma mo-. A no ser que encontremos as esmeraldas antes de abrir o hotel.
-De verdade acredita que esse colar existe ainda?
-Sim, mas no por uma questo de misticismo, como Cordy e Lilah. Por simples lgica. O colar existiu. Se algum da famlia o tivesse vendido, teria se sabido. Assim 
continua existindo. Um quarto de milho em jias no pode desaparecer de qualquer jeito.
-To valioso assim? -inquiriu Sloan, assombrado.
-Oh, provavelmente mais... e isso sem contar com seu valor histrico.
Sloan pensou que aquele dado mudava completamente sua viso dos fatos.
-Assim temos  cinco mulheres e dois meninos vivendo sozinhos em uma casa cheia de antiguidades, mais uma fortuna em jias. E sem sistema algum de alarme.
-No est precisamente cheia de antiguidades... -disse Amanda, franzindo levemente o cenho... dado que, com os anos, tivemos que vender muitas. E isso nunca foi 
um problema. No estamos indefesas.
-J sei. As mulheres da famlia Calhoun sempre se arrumaram sozinhas. Estou comeando a pensar que, alm de duras, so tolas.
-Hei, espera um momento...
-No, espera voc -para sublinhar o que ia dizer, acusou-a com seu garfo-. A primeira coisa  que vamos fazer esta manh  procurar um bom sistema de alarme.
Amanda j tinha tomado essa mesma deciso depois do incidente do dia anterior. Mas isso no significava que ele tivesse que lhe dizer o que devia ou no fazer.
-Oua, no vas comear agora a tomar as rdeas de minha vida...
-Ento continue sendo teimosa, ignora o bvio e se arrisque at que algum volte a entrar na casa e faa mal aos meninos.
-Sou consciente de tudo isso. Para sua informao, estive h duas semanas olhando sistemas de alarme.
-E por que no me disse isso?
-Porque estava muito ocupado me dando ordens -podia ter seguido lhe fazendo recriminaes, mas a distraiu o som da sirene de um dos navios de turistas-. Que horas 
so?
-Uma
-Uma? -abriu muito os olhos-. Uma da tarde? No  possvel, se acabamos de nos levantar.
- muito possvel quando passamos toda a manh dormindo.
-Tenho um milho de coisas que fazer -levantou da mesa-. Tenho que arrumar e ordenar a casa que deve ter ficado um caos depois do casamento. O pai do Trent ia almoar 
conosco h uma hora, e William aparecer as trs...
-Espera um pouco -Sloan tambm se levantou-. Vai continuar vendo-o?
-O senhor St. James? Suponho que h est horas j partiu. Como pude ser to...?
-A William -a interrompeu-. Ao homem inteligente e atraente com quem jantou a outra noite.
-William? Bom, claro que vou ve-lo.
-No. No ir.
-J disse que no vai tomar as rdeas de minha vida.
-No me importa o que me disse. No vou consentir que pule da minha cama para ver outro homem.
-Posso fazer o que quiser; E alm disso, no se trata de um encontro. William Livingston  negociante de antiguidades, e lhe prometi que mostraria algumas peas 
de Las Torres. J estou indo-saiu do terrao e se dirigiu ao banheiro. Sem deixar de murmurar entre dentes, tirou a camisola. Acabava de ajustar a temperatura da 
gua, entrar na ducha e fechar a cortina, quando ele a abriu de um puxo-. Maldito seja, Sloan!
- negociante de antiguidades?
-Isso  o que me disse.
-E quer ver o mobilirio?
-Exatamente.
- Vou acompanh-los-pronunciou, enganchando os polegares nos bolsos de seu jeans.
-Estupendo -encolhendo os ombros, entornou um pouco de sabo na mo e comeou a esfregar os ombros-. Agora vai representar o papel de marido possessivo.
-De acordo.
Amanda tentou dizer-se que no achava  graa nenhuma naquela situao. De repente o viu tirando a camisa.
-O que est fazendo?
-Adivinha?-sorriu-. Uma dama to inteligente como voc deveria adivinhar  primeira.
Procurou conter uma gargalhada enquanto via como desabotoava seus jeans.
-De acordo -no pde resistir mais e o salpicou de gua, rindo-. Mas antes me ensaboe as costas.
Antes de sair do carro, Livingston revisou a pequena filmadora e a diminuta cmara fotogrfica que levava no bolso. Era um apaixonado das novas tecnologias e pensava 
que aquele sofisticado equipamento acrescentava certa superioridade a seu trabalho. Desde do momento que tinha lido as primeiras notcias sobre as esmeraldas das 
Calhoun, obcecou-se com elas possivelmente mais que com qualquer outra jia que tivesse roubado em sua carreira. Estava sendo procurado pela Interpol como um dos 
ladres mais inteligentes e escorregadios dos dois mundos.
Aquelas esmeraldas constituam um desafio ao que no podia resistir. No estavam expostas em um museu, nem no pescoo de alguma dama milionria. Estavam escondidas 
em algum pedao daquela estranha casa, esperando a que algum as encontrasse. E ele pretendia ser esse algum.
Embora no se opunha a empregar a violncia como mtodo, poucas vezes a utilizava. Lamentava ter tido que us-la com 'Amanda no dia anterior, masi lamentava mais 
ainda que ela tivesse interrompido suas investigaes.
Era culpa dela, pensou enquanto se dirigia  porta principal de Das Torres. Impaciente que estava, tinha pensado que as bodas seria a distrao ideal que lhe permitiriam 
investigar no interior da casa. Neste dia, entretanto, ia entrar no edifcio em qualidade de convidado.
Chamou e esperou. O latido do co foi a primeira resposta que obteve, e estreitou os olhos, contrariado. Detestava ces, e aquela pequena criatura tinha estado a 
ponto de delat-lo antes de que conseguisse lhe administrar uma dose de sonfero.
Quando Cordy abriu a porta, William j tinha preparada seu encantador sorriso.
-Senhor Livingston,  um prazer v-lo outra vez -Cordy se disps a lhe estender a mo, mas julgou mais prudente colocar a coleira em Fred antes que o cozinho mordesse 
uma perna do homem-. Fred, quieto. Esses maneiras... -sorriu fracamente-.  um bichinho muito bom. Geralmente no se comporta assim, mas ontem sofreu um acidente 
e  como se j no fosse o mesmo -depois de tomar ao cachorrinho em braos, chamou o Lilah-. Passemos ao salo, por favor.
-Espero no ter atrapalhado seus planos para  tarde do domingo, senhora McPike. No pude resistir e pedir a Amanda que me mostrasse sua fascinante casa.
-Estamos encantadas em lhe mostrar  - disse Cordy, cada vez mais desconcertada pela agressiva reao do Fred, que seguia grunhindo e ladrando-. Amanda ainda no 
chegou, e no sei por que atrasou tanto. Sempre  to pontual...
Descendo as escadas, Lilah soltou uma gargalhada.
-Eu j estou imaginando o que pde ret-la -entretanto, no havia humor algum em seus olhos quando olhou o visitante-. Ol, senhor Livingston.
-Senhorita Calhoun.
-Temo-me que hoje Fred est um pouco nervoso -voltou a desculpar-se Cordy, entregando o cachorrinho a Lilah-. Por que no o leva isso a cozinha? Talvez lhe viria 
bem uma infuso de ervas.
-Eu me encarrego -quando se dirigia pelo corredor com o cochorro nos braos, murmurou em voz baixa-: Tampouco eu gosto, Fred. Por que ser?
-Bom -aliviada, Cordy sorriu-. Gostaria de um clice de xerez? Vou lhe mostrar primeiro um lindo armrio laqueado. Parece-me que Carlos II o usou.
-Eu adoraria -tambm se sentiu encantado ao descobrir que usava um valioso colar de prolas.
Quando vinte minutos depois Amanda chegou, acompanhada de Sloan, encontrou  sua tia relatando a Livingston a histria da famlia enquanto admiravam um mvel com 
pequenas gavetas do sculo XVIII.
-William, lamento chegar to tarde.
-Oh, no se preocupe -com apenas  um olhar que Livingston lanou ao Sloan, desprezou imediatamente a possibilidade de utilizar Amanda para seus propsitos-. Sua 
tia  a anfitri mais sbia e encantadora que conheci.
-Tia Cordy sabe mais desses mveis que qualquer um de ns. Apresento Sloan O'Riley.  o arquiteto que est desenhando as obras de restaurao.
-Senhor O'Riley. Essas obras devem representar um desafio.
O aperto de mos foi muito breve. Sloan sentiu uma imediata averso por aquele pomposo negociante de antiguidades.
-Oh, vou me arrumando.
-Estava contando a William como  tedioso revirar todos esses velhos papis da famlia. Muito menos to excitante como acreditam os jornalistas - comentou Cordy-. 
Mas decidi organizar outra sesso de espiritismo. Amanh a noite,  a primeira lua cheia do ms.
-Tia Cordy... -protestou Amanda-... estou segura de que William no est interessado nessas coisas.
-Ao contrrio -concentrou todo seu encanto em Cordy enquanto um plano se formava em sua mente-. Adoraria participar dessa sesso, se no estivesse to ocupado com 
meu trabalho...
-Em outra ocasio, ento. Possivelmente queira subir ao andar de cima...
Mas antes que pudesse terminar a frase, Alex entrou correndo procedente do terrao, seguido de Jenny e de Suzanna, que no deixavam de rir. Os trs levavam as mos 
e os jeans cheios de p. Entrecerrando os olhos com ar desconfiado, Alex se deteve diante de Livingston.
-Quem ?
-Alex, no seja mal educado -lhe recriminou Suzanna-. Sinto muito. Estvamos no jardim... e cometi o engano de lhes sugerir que tomssemos um sorvete.
-No se desculpe -Livingston forou um sorriso. Se havia algo que o desgostasse ainda mais que os ces, eram os meninos-. So... encantadores.
-No, no o so -brincou Suzanna-, mas ter que agent-los. Bom, vamos.
Enquanto os levava at a cozinha, Alex se voltou para olhar  uma ltima vez para o visitante.
-Tem olhos de mau -disse a sua me.
-No seja tolo -o despenteou carinhosamente.
Mas Alex ficou  muito srio para Jenny, que por sua vez assentiu.
-Sim, tem olhos como de serpente...
 

Captulo 9
 
-Viu? -Amanda deu ao Sloan um rpido beijo na face-. No foi to mau.
Mas ele no parecia muito satisfeito.
-Ficou nada menos que cinco horas aqui. No sei por que Cordy teve que convid-lo para almoar.
-Porque  um homem encantador, e solteiro -brincou, jogando os braos ao redor do seu pescoo-. Lembre-se das xcaras de ch...
Achavam-se na galeria alta da casa, de frente para o mar.
-Que xcaras de ch? -mordiscou-lhe levemente o lbulo da orelha.
-Hum... Aquelas que tia Cordy leu que viria um homem que seria muito importante para todas ns.
-Sim. Eu acreditava que esse era eu.
-Possivelmente -deu um pulo quando Sloan a mordeu-. Selvagem.
-s vezes o ndio cherokee que h em mim desperta.
Amanda se separou um pouco para contemplar seu rosto.  luz do crepsculo, sua tez era quase acobreada, e o verde de seus olhos virtualmente negros. Sim, naquele 
momento podia ver os dois ramos de sua descendncia, a celta e a cherokee.
-Sabe? A verdade  que no sei grande coisa sobre voc. S que  um arquiteto de Oklahoma que se graduou no Harvard.
-Sabe tambm que eu gosto de cerveja e de mulheres de pernas longas.
-Sim, isso tambm.        
Como sabia que aquilo era importante para ela, Sloan se apoiou no muro, de costas ao mar.
-De acordo, Calhoun, o que quer saber?
-No quero submete-lo a um interrogatrio -explicou. Sem poder evit-lo, voltava a sentir-se inquieta-. O que acontece  que voc sabe tudo sobre mim. Conhece minha 
famlia, o ambiente em que vivo, meus sonhos.
Sloan tirou um charuto, acendeu-o e comeou a contar:
-Meu tatarav deixou a Irlanda para vir ao Novo Mundo, e emigrou para o oeste para dedicar-se  caa de castores. Um autntico homem das montanhas. casou-se com 
uma mulher cherokee, com a que teve trs filhos. Um dia saiu de caada e no voltou nunca mais. Os filhos montaram um estabelecimento comercial, e foram bem. Um 
deles conseguiu uma esposa por correio, uma bonita garota irlandesa. Teve um monto de filhos, includo meu av. O era, e , um velho e ardiloso diabo que comprou 
umas terras aproveitando-se dos preos baratos, e as vendeu depois tirando um suculento benefcio. Para seguir a tradio familiar se casou com uma irlandesa, uma 
explosiva ruiva que supostamente o ps louco. Devia an-la muito, porque ps seu nome em seu primeiro poo de petrleo.
-Deu um nome a um poo de petrleo?
-Chamou-o  de Maggie -pronunciou Sloan com um sorriso enquanto soltava uma baforada de fumaa- E seguiu batizando tambm os outros poos.
-Os outros poos...
-Meu pai tomou o controle da companhia nos anos sessenta, mas o velho ainda continua tocando algumas reas da empresa. Incomodou-o que eu no me metesse nela, mas 
eu queria ser arquiteto, e suponho que as Indstrias Sun tampouco precisava de mim.
-Indstrias Sun? -repetiu, assombrada. Era uma das maiores corporaes do pas-. Voc... ignorava que tivesse tanto dinheiro.
-Bom, minha famlia tem. Algum problema?
-No. S que eu no gostaria que pensasse que eu... -interrompeu-se, sem saber como diz-lo.
-Que voc anda atrs do dinheiro de minha famlia? -ps-se a rir-. Querida, sei perfeitamente que anda atrs de meu corpo, e no de outra coisa.
Amanda pensou que tinha a desconcertante habilidade de faz-la amaldioar e rir ao mesmo tempo.
-Verdadeiramente  um canalha presunoso.
-Mas me ama -jogou o charuto fora antes de atrai-la para si.
-Possivelmente... -com fingida relutncia, deslizou os braos em torno de sua cintura-... um pouco rindo, beijou-o nos lbios.
Sloan comeou tentar seduzi-la. Suas mos se mostravam to logo ternas como insistentes, at que finalmente Amanda se esqueceu de tudo naquele beijo.
-Como pode me fazer isso? -murmurou, aturdida.
-Fazer o que?
-Fazer-me deseja-lo at doer.
-Vamos entrar -a beijou no pescoo-. Assim poder me mostrar o quarto.
-Que quarto?
-O quarto em que simularemos dormir quando eu me mudar para c.
-Do que est falando?
-Estou falando de que faamos amor at que nos falte o ar. E do fato de que ficarei aqui at que o sistema de alarme da casa esteja funcionando.
-Mas no precisa...
-Oh, preciso-e a beijou novamente para lhe demonstrar quanto o precisava.
Enquanto o esperava, Amanda se recriminava por seu nervosismo: quase parecia uma noiva em sua noite de bodas. Vestiu um leve vestido azul, transparente, um capricho 
que se permitiu uns meses atrs. Guardava vrias velas na mesinha para uma emergncia, e quando as acendeu o ambiente adquiriu uma atmosfera intima, romntica. Suzanna 
tinha decorado o quarto com flores, como tinha por costume. Nessa ocasio eram delicadas lils, que despediam um fragrante aroma. E tinha aberto as portas do terrao, 
de forma que pudesse ouvir o rumor do mar contra as rochas.
Finalmente Sloan chegou. Ela o esperava de p na soleira, com a negra noite a suas costas.
Ao v-la, esqueceu-se de tudo. S podia olh-la fixamente, com o corao na garganta. T-la ali, esperando-o, to desejvel  luz das velas, ver aquele sorriso de 
boas - vindas... isso era tudo o que podia desejar no mundo.
Queria mostrar-se terno com ela, tanto como tinha sido a noite anterior. Mas quando se aproximou, o lento fogo que o abrasava por dentro terminou por consumi-lo.
-Acreditava que no viria nunca -lhe disse Amanda antes de beij-lo nos lbios.
Sloan se perguntou como poderia sobreviver a ternura ante semelhante ardor. Ou a pacincia ante tanta urgncia. Sentia seu corpo vibrando de desejo sob seus dedos, 
amoldando-se  perfeio dos dele. O fino tecido de seu vestido parecia tentar seu peito nu, provocando-o a que o rasgasse e jogasse para um lado. Seu delicioso 
aroma tinha impregnado seu crebro, embriagando-o com escuros segredos, seduzindo-o com febris promessas.
Naquele preciso instante se sentiu to cheio dela, que no pde encontrar-se a si mesmo. Sem flego, desorientado, ergueu a cabea. Sabia que seu desejo era intenso, 
e que podia lhe fazer mal se no conservasse o controle.
-Espera -precisava recuperar o flego e a prudncia, mas viu que ela negava com a cabea.
-No -enterrando os dedos em seu cabelo, atraiu-o para si.
Amanda no soube quando aquela terrvel necessidade se apoderou dela; S que o arrastou  cama e, agressiva e desesperada, comeou a acarici-lo. Desta vez no houve 
fraqueza alguma de sua parte. Nem submisso. Queria poder, o poder de saber que podia lhe fazer perder todo o controle, e convert-lo em um ser to vulnervel como 
ele a convertia.
Eram um matagal de braos e pernas rodando sobre a cama. Cada vez que Sloan tentava refre-la, ela se adiantava, ansiosa, com uma gargalhada de jbilo ressonando 
em suas veias. Desabotoou-lhe a toda pressa o jeans, deslizando-o pelas coxas. Os msculos de seu estmago se tensionaram sob o contato daqueles dedos. Sloan amaldioou 
entre dentes, segurando lhe as mos, antes que fosse tarde
Respirando rapidamente, olhou-a, sem lhe soltar as mos. Seus olhos tinham a cor do cobalto, brilhantes em meio da penumbra. Podia escutar, por cima do rumor de 
seus respectivos ofegos, o tictac do relgio da mesinha.
Ento sorriu. Foi um lento sorriso, que indicava que a tinha compreendido. Ardendo de desejo, beijou-a nos lbios. E ela respondeu, demanda por demanda, prazer por 
prazer. O controle estourou em mil pedaos. Sloan quase pde ouvir o estalo de uma corrente rompida enquanto se saciava com ela. Desesperado por senti-la, rasgou-lhe 
a camiseta. Seu gemido de surpresa s serviu para excit-lo ainda mais.
Apanhada naquele redemoinho de sensaes, Amanda se deixou levar, rendeu-se  fria. Nada de pensamentos. Nem de perguntas. Com os olhos cravados nos seus, Sloan 
se afundava uma e outra vez nela, deixando que o estupor do prazer imundasse ambos.


-Sim, senhor Stenerson -murmurou Amanda enquanto suportava o interminvel sermo de seu chefe. Pacincia. S faltavam dez minutos para que sua jornada trabalhista 
chegasse a seu fim. Nem sequer a iminente sesso de espiritismo podia apagar aquele prazer.
Muito em breve se reuniria com o Sloan. Possivelmente tivessem tempo para dar um passeio antes de jantar.
-No parece ter a mente posta em seu trabalho, senhorita Calhoun.
Aquele comentrio a fez sentir uma pontada de culpa.
-Fico muito preocupada que um de nosso garons tenha deixado uma bandeja cair no colo da senhora Wicken.
-Sim, entendo-o, senhor. J levamos a sua roupa para a tinturaria e oferecemos um jantar por conta da casa para ela e seu marido. E, no final, os dois ficaram satisfeitos.
-E despediu o garom?
-No, senhor.
-Posso perguntar por que... -arqueou as sobrancelhas-... quando lhe ordenei especificamente que o fizesse?
-Porque Tim esta conosco a trs anos, e dificilmente podemos jogar a culpa do acontecido nele quando foi o filho do casal Wicken o culpado de sua queda, por haver 
lhe dado uma rasteira. Outros garons e vrios clientes viram o que aconteceu.
-Talvez, mas eu lhe dei uma ordem muito concreta.
-Sim, senhor. Mas depois de conhecer as circunstncias do caso, decidi atuar de maneira distinta.
-Preciso recordar quem est no comando deste hotel, senhorita Calhoun?
-No, senhor, mas pensava que depois de todos os anos que estou trabalhando no BayWatch, voc confiaria em meu bom julgamento -respirou profundamente, e decidiu 
assumir um grande risco-. Mas se no for assim, ser melhor que eu escreva minha demisso.
O senhor Stenerson piscou vrias vezes.
-No parece que essa reao  um tanto... drstica? -perguntou-lhe, depois de molhar a garganta.
-No, senhor. Se no tenho competncia suficiente para tomar certas decises, no ser possvel continuar aqui.
-No se trata de um assunto de competncia, mas sim de falta de experincia. Entretanto... -acrescentou, erguendo uma mo-... estou seguro de que, neste caso especfico, 
fez o que julgou ser o melhor.
-Sim, senhor Stenerson.
Quando abandonou seu escritrio, doa-lhe a mandbula de tanto apert-la. Obrigou-se se a relaxar quando William a abordou no vestbulo.
-S queria agradecer novamente pelo o prazer que foi a visita a sua casa, e tambm pelo maravilhoso jantar.
-Foi um prazer.
-Sabe? Tenho a impresso que seu eu a pedisse para jantarmos juntos, voc se negaria com uma desculpa distinta da que me deu quando citou as normas do hotel.
-William, eu...
-No, no -lhe deu um carinhoso tapinha na mo-.Compreendo. Estou desolado, mas compreendo. Suponho que o senhor O'Riley participar da sesso de espiritismo desta 
noite, verdade?
Amanda se ps a rir.
-Certamente. Gostando ou no.
-Lamento sinceramente no poder participar. Ser as oito, no ?
-No, s nove. A essa hpra tia Cordy nos ter reunido em torno da mesa de jantar, para que nos demos as mos e emitamos ondas alfa, ou o que seja...
-Confio em que me far saber isso se receber alguma mensagem de... do outro lado.
-Prometo-lhe isso. Boa noite.
-Boa noite -enquanto ela partia, William olhou seu relgio. Dispunha de tempo mais que de sobra para preparar-se.
-Sabia que te encontraria aqui -Amanda entrou na grande sala circular que a famlia denominava "a torre da Bianca". Lilah estava sentada no batente da janela, abraando-as 
joelhos, com o olhar fixo nos escarpados.
-Sim, a mim e ao feroz Fred -. Nos estamos pondo a tom para a sesso de espiritismo -quando sua irm se sentou a seu lado e pde olhar de perto, comentou-lhe-: Vejo 
que se apagou o sorriso que tinha esta manha... Discutiu com o Sloan?
-No.
-Ah, ento deve ser esse Stenerson. Por que o suporta, Mandy? Esse sujeito no  um homem,  um rato.
-Porque trabalho para ele.
-Pois se demita.
-Para voc  muito fcil -lanou ao Lilah um impaciente olhar-. No  todo mundo  que pode passar os dias inteiros vagando por a como duendes de bosque... -de repente 
se interrompeu, suspirando-. Me perdoe.
Lilah encolheu os ombros.
-Fico com a impresso que no  somente Stenerson o que a incomoda.
-Foi ele quem comeou a me amargurar o dia. Me disse que no tinha a mente posta em meu trabalho, e tinha razo.
-Assim voc se distraiu em seu trabalho!
-Eu gosto de meu trabalho, e me faz bem. Mas no estive me concentrando, nem nisso nem no colar, nem em nada desde que...
-Desde que apareceu esse vaqueiro do Oklahoma.
-No tem graa.
-Claro que tem -Lilah abraou os joelhos-. Assim perde um pouco a concentrao ou se esquece de alguma entrevista ou outra. E o que?
-Olhe, Sloan me est fazendo mudar, e eu no sei o que fazer. Eu tenho responsabilidades, obrigaes. Maldito seja, tenho objetivos na vida. Tenho que pensar no 
amanha -o problema era que, quando o fazia, sempre pensava em Sloan-. E se no se tratar mais que de uma aventura? Uma maravilhosa e excitante aventura que acaba 
atrapalhando todos meus planos? Imagine que dentro de umas semanas termina seu trabalho aqui e ele volta para o Oklahoma. E minha vida fica um desastre...
-E se ele a pedi para que o acompanhe?
-Isso seria pior -ruborizada, Amanda levantou e comeou a caminhar, nervosa-. O que se supe que tenho que fazer? Renunciar tudo aquilo pelo que estive trabalhando, 
a tudo o que espero h anos?
-Faria isso?
-Temo que sim -fechou os olhos com fora.
-Ento por que no fala com ele?
-No posso -sentou-se de novo-. Nunca falamos do futuro. Suponho que nenhum dos dois quer pensar nisso. O que acontece  que hoje eu comecei a pensar... e me dei 
conta de que, apenas um ms atrs, nem sequer o conhecia.  uma loucura comear a planejar minha vida em torno de algum a quem conheo h to pouco tempo.
-Mas voc sempre foi a mais razovel da famlia -disse Lilah.
-Bom, sim.
-Ento relaxe -lhe deu umas palmadas no ombro, carinhosa-. Quando chegar o momento, tomar a deciso mais sensata.
-Espero que tenha razo -murmurou Amanda, se obrigou a assentir com deciso. No tenho mais remdio-. Claro que tem. Bom, vou trabalhar no estoque.
-Bem. J vejo que voltou a ser a mesma de sempre... -ps-se a rir quando sua irm abandonava a torre. Logo, quando j no podia ouvi-la, acrescentou-: Venha, Fred. 
Vamos ver se podemos desbaratar um pouco seus planos...
Sloan entrou no deposito, provido de uma garrafa de champanhe, uma cesta de vime e um sbio conselho do Lilah: "Transtorna-a. No permita que seja lgica e razovel 
com voc".
Ali estava Amanda, inclinada sobre seu escritrio, com os culos de leitura, na ponta do nariz e o cabelo preso. A seu lado tinha uns arquivos novos cuidadosamente 
etiquetados, e dzias de caixas empoeiradas e grossos maos de documentos frente a ela.
-Hei, Calhoun, o que acha de descansar um pouco?
-O que? -ergueu bruscamente a cabea, e demorou um momento em foca-lo com o olhar-. Oh, ol. No o ouvi entrar.
-Onde estava?
-Em 1929 -lhe mostrou um livro de contabilidade-. Parece que meu ilustre bisav fez uma fortuna com o contrabando de lcool do Canad durante a Lei Seca.
-O bom Fergus...
-O mesquinho do Fergus -o corrigiu-. Mas tambm um meticuloso homem de negcios. Se guardou todos esse papis sobre suas atividades ilegais, suponho que deve ter 
guardado tambm a nota de venda...se tivesse vendido as esmeraldas.
-Eu acreditava que Bianca as tinha escondido.
-Isso  o que diz a lenda -se recostou na cadeira, esfregando-os olhos doloridos de tanto forar a vista-. Mas eu preferiria me ater aos fatos. Cheguei a pensar 
que possivelmente as guardou em algum esconderijo, e que no contou para ninguem. Mas tampouco pude encontrar nenhum dado sobre isso.
-Possivelmente esteja olhando no lugar errado -deixou a garrafa e a cesta de lado e se colocou a suas costas. Brandamente comeou a lhe dar uma massagem nos msculos 
do pescoo-. Possivelmente deveria se concentrar em Bianca. Depois de tudo, tratava-se de seu colar.
-Tampouco temos muita informao sobre Bianca. Meu bisav destruiu todos seus desenhos, suas cartas, tudo o que era dela.
-Deve ter ficado completamente louco.
-Sim. E de dor, eu temo.
-No -Sloan se inclinou para lhe beijar a cabea-. Se tivesse sofrido realmente por ela, teria guardado tudo.
-Possivelmente lhe doa record-la.
-Se a tivesse amado de verdade, teria querido record-la. Haveria sentido essa necessidade. Quando se ama algum, tudo relativo ao ser amado se converte em algo 
precioso -sentiu-a tensa sob seus dedos-. O que houve, Amanda? Est muito tensa.
-Fiquei muito tempo sentada, isso  tudo.
-Ento esta  a ocasio perfeita -se afastou para pegar o champanhe.
-Para que?
Depois de abrir a garrafa, voltou a beij-la.
-No sei voc, mas eu trabalhei muito hoje. Pensei que poderamos descansar juntos.
Amanda pensou que no necessitava do champanha para que o crebro se nublasse. Para conseguir esse efeito s bastava Sloan. Mas era isso precisamente, recordou-se 
enquanto se levantava, o que se propunha evitar.
-Agradeo, mas tenho que ajudar tia Cordy com o jantar.
-Lilha, j esta ajudando.
-Lilah? -arqueou as sobrancelhas-. Tem que estar de brincadeira.
-No -abriu a cesta de vime e tirou duas taas de haste longa-. Suzanna est ajudando os meninos a fazer os deveres, e voc e eu vamos jantar sozinhos.
-Sloan, no estou vestida para sair...
-Eu gosto tal como est -serve as taas-. E no vamos a nenhuma parte.
-Mas acaba de dizer...
-Acabo de dizer que vamos jantar sozinhos. Aqui mesmo.
-Aqui? No estoque?
-Sim. Trouxe um pouco de pat de sua tia, um pouco de frango frio e aspargos, e morangos frescas de sobremesa -chocou sua taa contra a dela-. Passei o dia todo 
pensando em voc.
Amanda pensou que, quando lhe dizia aquelas coisas to doces, derretia-se por dentro. De puro amor.
-Sloan,  temos que falar.
-Claro -mas se inclinou para lhe roar os lbios com o seus-. Por que antes no ficamos mais a vontade?
-O que? -aturdida, viu com assombro que estendia uma manta no cho.
-Vamos.
-Realmente acredito que seria melhor que... -mas Sloan j a estava atraindo para si.
Tirou-lhe a taa da mo e a deixou no cho antes de beij-la nos lbios.
-Assim est melhor -murmurou-. Muito melhor.
-Os meninos esto em casa -protestou enquanto deslizava as mos sob a camisa-. Se algum entrar...
-Fechei a porta com chave -com deliciosa delicadeza, comeou a lhe acariciar os mamilos com os polegares-. Preste a ateno, Calhoun, porque vou ensin-la a relaxar.
Estava to relaxada, que nem sequer podia pensar em mover-se. Sentia as plpebras pesadas enquanto Sloan lhe punha na ponta da lngua um pouco de pat.
-Est muito gostoso -disse para depois colocar um pouquinho sobre as costas das mos e faze-la lamber-a atraiu para si, estreitando-a contra seu peito antes de lhe 
entregar sua taa de champanhe. Imagino que primeiro devamos beber isto, mas me distra.
Sabia deliciosamente bem. Amanda tomou outro gole, e abriu obediente a boca quando lhe ofereceu mais pat, desta vez sobre uma bolacha salgada.
-Mais?
Assentiu, suspirando. E se alimentaram mutuamente entre beijos e beijos.
-Vamos chegar tarde  sesso de espiritismo.
-No -fez que apoiasse comodamente a cabea sobre seu peito-. Cordy decidiu na ltima hora que as vibraes no eram adequadas. Parece que percebeu a intromisso 
de uma presena obscura.
-Isso  muito prprio de minha tia.
-Agora quer esperar  ltima noite da lua nova -lhe acariciou o pescoo-. Assim podemos ficar aqui toda a noite.
Amanda estava comeando a acreditar que, com ele, tudo era possvel.
-Eu, nunca tinha desfrutado antes de um piquinique noturno,  este ser o primeiro.
-Depois que nos casarmos, vamos transforma-lo em um costume.
Quando sua mo tremeu parte do champanhe caiu sobre sua perna.
-Hei, tome cuidado, Calhoun. No o desperdice.
-O que quer dizer com isso? -voltou-se para olh-lo.
-J sabe. Nos casar, marido e mulher, esse tipo de coisas...
Com delicioso cuidado, Amanda baixou sua taa. "Sim", pensou, to furiosa como aterrorizada. Estivera esperando por isso.
-De onde tirou a idia de que vamos nos casar?
Sloan no gostou nada da maneira que franzia o cenho.
-Eu te amo, voc me ama. Voc  a mais lgica dos dois, Amanda. Do meu ponto de vista, o passo seguinte  o matrimnio.
-Do seu ponto de vista isto  um simples passo, mas do meu  um grande salto. No podemos resolver as coisas assim, to rpido.
-Por que no?
-Porque no podemos. Em primeiro lugar, no penso me casar at dentro de alguns anos. Tenho que pensar em minha carreira.
-O que tem que ver uma coisa com outra?
-Tudo. J tem me desconcentrado bastante, e atrapalhado minhas prioridades -de repente se interrompeu, passando uma mo pelo cabelo-. Olhe para mim-pediu-. Simplesmente 
me olhe. Estou aqui no cho do deposito, nua, e discutindo sobre matrimnio com um homem que s conheo a duas semanas. Esta no sou eu.
Sloan se separou levemente para olh-la de cima a baixo.
-Ento quem diabos ?
-No sei -nervosa, levantou-se e comeou a vestir-se-. J no sei quem sou, e isso  devo isso a voc. Desde que irrompeu em minha vida,  nada parece ter sentido.
-Foi voc quem irrompeu na minha.
-Sonho acordada quando se supunha que deveria estar trabalhando. Fao amor com voc quando deveria estar em reunio, e me dedico a desfrutar de um piquinique, e 
nua, quando deveria estar ordenando papis. Isto tem que terminar.
-Por que no se senta e resolvemos isto tranqilamente?
-No, no me sentarei. Vai me seduxir novamente e no serei capaz de pensar. No vai fazer nenhum plano para o resto de minha vida sem me consultar, ou sem sequer 
ter a cortesia de me perguntar, vou recuperar o controle de minha prpria vida.
Sloan tambm se levantou, nu e furioso.
-Est zangada porque desejo casar com voc.
-E voc  um estpido -retrucou, com os dentes apertados. Dirigiu-se para a porta e lutou com a fechadura at que conseguiu abri-la-. V para o inferno, voc e seu 
romntico sonho de matrimnio.


A calorosa e abafadia tarde era perfeita para o prazer. Christian me surpreendeu com uma pequena cesta de vinho e carne fria. Juntos nos sentamos no campo, atrs 
das rochas, e contemplvamos os navios a navegar o mar. Sempre  assim quando estou com ele. Nesta maravilhosa fantasia de entardecer, no h nada mais que luz clara 
de sol e ar limpo, fragrante.
Falamos de tudo e de nada enquanto me desenhava. Desde que comeou o vero, j fez dois retratos meus. Sem risco de pecar pela inmodstia, posso afirmar que me converteu 
em uma bela mulher. Que mulher no o seria estando apaixonada? E foram seus sentimentos os que guiaram seu pincel. Se no tivesse sabido antes quo profundo e verdadeiro 
era seu amor por mim, o teria descoberto nesses retratos.
Algum comprara meu retrato? Entristece-me pens-lo. E de uma vez me orgulha. Essa seria, talvez, a nica maneira de poder proclamar meus sentimentos. Pendurado 
na parede de alguma casa, o retrato de uma mulher cujo olhar estava cheia de amor pelo homem que a pintou.
J disse que falamos de tudo e de nada. Mas no mencionamos a rapidez com que os dias se convertem em semanas. Faltam poucas semanas para que tenha que deixar a 
ilha, e a Christian. Acredito que, quando chegar esse momento, algo morrer dentro de mim.
Fergus e eu demos um baile esta noite. Foi tudo muito alegre, embora tenha se falado muito da guerra. Fergus chegou a comentar que os homens inteligentes sabem que 
sempre haver guerra, e que as guerras produzem dinheiro. Fiquei surpreendida ao ouvi-lo falar assim, mas no lhe dei nenhuma importncia.
-Voc pensa em como gastar o dinheiro, e eu penso em como consegui-lo -foi o que me disse.
E isso me desgosta porque no foi por dinheiro que me casei com ele, nem pelo que sigo a seu lado, mas sim por sentido do dever. Por isso vivi sob seu telhado, comi 
sua comida, aceito seus presentes sem pensar em nada mais.
Remi-me a conscincia pensar que apreciei muitssimo mais o singelo piquinique que Christian me presenteou, que todos os suntuosos jantares pagos com o dinheiro 
de Fergus. Como isso sempre lhe agrada, no baile desta noite usarei as esmeraldas. As esmeraldas que me evocam tanto dor como alegria.
Se no fosse pelos meninos... mas no tenho que pensar nisso. Por muitos pecados que cometa, jamais abandonarei  meus filhos. Eles tm necessidades que nem Christian 
nem eu temos direito a ignorar. Sei que, na imensa solido que me espera, sero meu consolo e minha distrao. Sendo como so um bendito presente do cu, no tenho 
direito a me lamentar pelo menino que Christian e eu nunca poderemos, nem devemos, conceber.
Mas, mesmo assim, di-me.
Esta noite, quando apagar o abajur, tentarei dormir rapidamente. Porque logo chegar a manh, e com a manh a tarde dourada, quando poderei voltar a ver Christian.
 

Captulo 10
 
A nica coisa que impediu Amanda  de bater a porta foi o fato de que Suzanna j tinha posto os meninos para dormir.
Amaldioando entre dentes, caminhou apressada pelo corredor. A essas alturas, j no sabia se estava mais furiosa com Sloan por ter dado por certo que se casaria 
com ele, ou consigo mesma por ter querido aceitar sua proposta. O matrimnio no tinha entrado em seus planos, mas, maldito fosse, ela sempre tinha sido o suficientemente 
rpida de reflexos para aceitar o inesperado. Embora isso no significava que fosse lhe dar a satisfao de aceitar facilmente sua vontade...
Deteve-se ante a porta de seu dormitrio, com o corao acelerado. Claro que queria casar-se com Sloan. Apesar de todas suas slidas e sensatas razes contra, casar-se 
com ele era exatamente o que desejava. Com a mo no trinco, vacilou, pensando em voltar para o deposito e ceder ao impulso de lanar-se a seus braos para lhe responder... 
sim!
Mas no. Resolutamente, abriu a porta. No lhe facilitaria tanto as coisas. Se Sloan a queria realmente, ento teria que se esforar um pouco mais.
De repente, quando j tinha fechado a porta, um brao lhe rodeou a garganta. Lutou instintivamente, utilizando as duas mos para libertar-se e ao mesmo tempo tomar 
ar. At que sentiu na tmpora o frio e duro contato do cano de uma pistola.
-No se mova -lhe sussurrou uma voz ao ouvido-. Fique quieta, muito quieta. Por seu prprio bem.
Obediente, Amanda deixou cair lentamente os braos aos lados, mas sua mente estava trabalhando a toda velocidade. Os meninos estavam abaixo. Sua segurana era o 
primeiro. E Sloan... estava segura de que Sloan apareceria a qualquer momento, furioso, com inteno de prosseguir a discusso.
-Assim est melhor -a presso do cano se atenuou um pouco-. Se gritar, haver pessoas feridas... comeando por voc. E no acredito que queira isso -viu que ela 
negava com a cabea-. Bem. E agora...
De repente, amaldioando entre dentes, agarrou-a novamente com fora. Sloan se aproximava pelo corredor.
-Calhoun! Ainda no terminei com voc.
-No se mova nem um millmetro -advertiu o homem a Amanda, arrastando-a para trs-. Ou o matarei.
Amanda fechou os olhos e rezou.
Sloan abriu a porta. O quarto estava s escuras, e em silncio. Enquanto permanecia na soleira, resmungando, Amanda se apertava contra um canto consciente de que 
a pistola estava apontando em sua direo. Nem sequer se atrevia a respirar, rezando com todas suas foras para que desse meia volta e partisse.
Mas quando o fez, quando ouviu seus passos ressonando no corredor, no pde ao menos se perguntar se alguma vez voltaria a v-lo.
-Bem. Agora que j podemos desfrutar de um pouco de intimidade, voc e eu vamos falar... disse a voz, que seguia agarrando-a pela garganta e lhe mirando a tmpora-... 
das esmeraldas.
-No sei onde esto.
-Sim. Ao princpio me custava acreditar nisso, mas agora j estou convencido de que no sabe. Assim faremos outra coisa. Teremos que nos mover com rapidez. Primeiro, 
o deposito. Levarei os papis que ainda faltam para olhar e ordenar. Logo, para rentabilizar algo esta excurso, levarei tambm o colar de prolas de Cordy e alguma 
outra jia mais...
-Nunca conseguir sair da casa.
-Voc me ajudar  -havia um leve matiz de prazer em sua voz, como se estivesse desfrutando do desafio que aquela situao entranhava-. Vamos de sigilosa e rpida 
ao deposito. Se tentar algum herosmo, asseguro-a que se arrepender.
Evidentemente Amanda no se atrevia a tentar, com os meninos to perto. Mas no deposito, pensou enquanto se dirigiam pra l... era outro assunto.
Sloan tinha deixado a luz acesa. Os restos de seu improvisado piquinique continuavam no cho. O ar cheirava levemente a morangos e champanhe.
-Que bonito -murmurou Livingston, e fechou a porta a suas costas-. Gostaria bem mais que estivessem realizando a sesso de espiritismo, mas d no mesmo -a soltou, 
mas sem deixar de mir-la.
Amanda o olhou. Se vestia todo de negro, com uma bolsa de couro cruzada sobre o peito. Usava luvas de plstico.
-No vai fazer me nenhuma recriminao, Amanda? -arqueou uma sobrancelha ao ver que no dizia nada-. Esperava que voc e eu pudssemos desfrutar de algo enquanto 
eu realizava meu trabalho, mas... Basta de bate-papo: no percamos tempo -tirou de sua bolsa de couro um saco, que desdobrou rapidamente-. Coloque aqui todos os 
documentos dessas caixas.
Amanda se inclinou para recolher o saco, que tinha jogado ao cho.
-Vejo que perdeu seu sotaque britnico.
-J no tem sentido conserv-lo. Ande tenho pressa -entrecerro os olhos-. Muita pressa.
Comeou a introduzir os papis na bolsa. Estava roubando a histria de sua famlia, pensou furiosa.
-Estes papis no lhe serviro de nada.
-Mentira, porque caso contrrio voc no estaria perdendo o tempo com eles -Adotou uma postura quase relaxada, enquanto permanecia de p, entre ela e a porta-.  
muito prtica. Sabe? Conheo bastante a sua famlia. Por isso decidi me concentrar em voc, a mais eficaz e simples,  das mulheres da famlia Calhoun.
Amanda decidiu atac-lo atravs de seu ego, pensando que talvez fosse esse seu ponto vulnervel.
-Espero que no chegasse a imaginar que eu iria apaixonar por voc -lhe lanou um olhar carregado de frieza-. Voc no  meu tipo. Nunca foi.
Aquele comentrio produziu o efeito desejado. Ao parecer, sua vaidade era to enorme como sua ambio.
- uma pena que a falta de tempo me impea de comprovar essa afirmao. Possivelmente, quando voltar, retomemos o que deixamos pendente.
-Se voc conseguir escapar, jamais voltar para esta casa.
-Veremos -sorriu-. Ter topado contigo esta noite complicou um pouco meus planos, mas isso no me impedir de alcanar meu objetivo final. O colar. Morro de vontade 
de te-lo. Algumas jias tm poderes, e tenho a sensao de que esse colar tambm.  como um forte pressentimento.
Mas, de repente, o ambiente do deposito parecia haver-se tornado frio, gelado. A expresso dos olhos do Livingston mudou tambm.
-Correntes de ar -murmurou, incmodo-. Este lugar est cheio de correntes de ar.
Amanda tambm o sentia. E a reconheceu, como boa Calhoun que era.
- Bianca -pronunciou, e apesar da pistola, e de suas escassas possibilidades de escapar, sentiu-se completamente a salvo-. No acredito que ela queira que leve 
seus papis. Nem seu colar.
-Fantasmas? -ps-se a rir. Embora pudesse ver com seus prprios olhos que nada tinha mudado no deposito, j no estava seguro de encontrar-se completamente a ss 
com a Amanda-. Isso no  muito prprio de voc.
-Ento, por que est to assustado?
-No estou assustado, simplesmente tenho pressa. J basta -sentiu uma vontade desesperada de sair daquele lugar, daquela casa. Um suor frio lhe corria pelo rosto-. 
Voc carrega o saco. Dado que isto nos levou mais tempo de que tinha calculado, vamos agora pegar as prolas de Cordy. Vamos, pelo terrao.
Amanda se exps por um instante para arrumar o saco e sair correndo. Mas, se fugia, Livingston ficaria com os papis. Com o saco ao ombro, tentou abrir a porta.
-Est travada.
To nervoso estava Livingston, que se adiantou para lutar com a velha fechadura. Amanda esperou, e no instante em que se abriu a porta, deu-lhe uma rasteira, empurrou-o 
com todas suas foras e depois ps-se a correr.
Com a idia de afasta-lo de sua familia, dirigiu-se para a ala oeste. Enquanto subia o primeiro lance de escadas de pedra, chamou aos gritos Sloan. O pesado saco 
dava botes a cada passo. Podia ouvir William atrs dela, aproximando-se cada vez mais, e conseguiu dobrar uma esquina ao mesmo tempo que a primeira bala se embutia 
em um muro.
No se deteve para recuperar o flego, embora os pulmes ardessem. Aquela noite de maio era terrivelmente calorosa depois do repentino frio que tinha feito no deposito. 
O ar estava sufocante, carregado da ameaa de chuva.
A sensao de segurana, que antes tinha experimentado no deposito, evaporou-se. J no contava com nenhuma vantagem, exceto seu conhecimento daquele complexo labirinto 
de escadas e terraos. A cada segundo estava mais nervosa, lutando por abrir-se passo na escurido e com a crescente certeza de que jamais conseguiria escapar por 
seus prprios meios...
Mas foi ento que viu Sloan ao fundo do corredor, dirigindo-se para ela em sentido oposto. Seu alvio durou somente um instante, at que ouviu um novo tiro.
Sloan gritou algo, antes de pr-se a correr como um touro furioso; sem armas, cego de fria, corria contra um homem armado. Sem vacilar, Amanda girou sobre si mesma 
e acertou o saco cheio de papis em Invingston. Enquanto William agarrava o saco e dava meia volta para fugir, ela comeou a escutar vozes procedentes da casa: o 
pranto do Jenny, os frenticos latidos de Fred. Ansiando proteg-lo tanto como procurando seu amparo, seguiu correndo para Sloan.
Mas quando o alcanou, com os braos estendidos, ele a separou bruscamente.
-Fique em casa. Vou atrs dele.
- Ele tem uma arma! -disse-lhe, agarrando-se desesperada a seu brao-. No v.
-Eu disse para que se refugie na casa -e, liberando-se, ps-se a correr.
Com o corao na garganta, Amanda viu que saltava por uma janela para chegar at o terrao inferior. Decidida a alcan-lo, dispunha-se a descer pelas escadas quando 
se abriu uma porta e apareceu Lilah.
-Que diabos est acontecendo?
-Chame a polcia -ordenou, sem deter-se.
Mas ento soou outro disparo, procedente do exterior da casa. Temendo pela vida de Sloan, desceu correndo as escadas, seguindo o som de uns passos apressados e dos 
latidos de Fred. Saiu para o quintal. Tudo estava escuro, sem uma s luz. Em sua pressa tropeou uma vez, machucando-as mos com o cascalho do atalho. Ouviu uma 
maldio e o chiado de pneus. Logo, por um instante, um aterrador instante, somente pde ouvir o rugido do mar e do vento, por cima do ensurdecedoras batidas do 
seu corao.
As pernas lhe tremiam enquanto descia pela costa, to cega pelo medo que nem sequer viu Sloan at que se chocou contra seu peito.
-OH, Meu deus! -embalou-lhe o rosto entre as mos-. Pensei que ele havia matado voc.
Mas Sloan estava muito preocupado com a fuga de Livingston para apreciar devidamente sua preocupao.
-Est bem?
-Sim, sim, estou bem.
-Est sangrando -exclamou, consternado-. Tem sangue nas mos.
-Ca-apoiou a cabea sobre seu ombro-. Estava to escuro que no podia ver nada -lutando por conter as lgrimas, agarro-se a ele enquanto Fred uivava a seus ps. 
De repente, ao tomar conscincia do acontecido, separou-se bruscamente-. Voce st louco de correr atrs dele assim? No falei que ele tinha uma arma?
-E - retrucou Sloan-. No disse que se encondesse na casa?
-Eu no aceito ordens suas.
-Esto os dois vivos -exclamou naquele instante Lilah, correndo para eles com uma lanterna na mo-. Ouvi-lhes discutir do final do atalho -de repente descobriu um 
monte de papis na estrada-. O que  tudo isto?
-Oh, ele deve ter deixado cair -Amanda se agachou para recolh-los.
-Deve ser quando Fred lhe mordeu a perna -comentou Sloan, ajudando-a.
-Fred o mordeu? -perguntaram Amanda e Lilah em unssono.
-E bastante, a julgar pelo escndalo que se armou. Poderamos t-lo capturado, mas o carro  estava estacionado na estrada.
-E tambm podia ter lhe matado -lhe recordou de novo Amanda.
-Quem era? -perguntou-lhes Lilah, ajudando-os a recolher os papis.
-Livingston -respondeu Sloan, e soltou uma fileira de pragas-. Sua irm poder contar todos os detalhes.
-Sim, mas l dentro -sugeriu Lilah-. A famlia est muito nervosa.
-Chamou  polcia?
Lilah tinha sado de casa descala. Ao ouvir ladrar ao cachorrinho, sorriu.
-Sim, e eu diria que esto a caminho, porque Fred j ouviu as sirenes.
Amanda entregou uma braada de documentos e seguiu recolhendo mais. Na porta de casa apareceu de repente Suzanna, armada com um rifle.
-Todo mundo se encontra bem?
-Sim, perfeitamente -respondeu Amanda, cansada-. E os meninos?
-No salo, com tia Cordy. OH, querida, suas mos...
-S so uns arranhes.
-Vou procurar um pouco de anti-sptico.
-E um pouco de brandy tambm, por favor -acrescentou Lilah, antes de deixar os papis sobre a mesa do vestbulo.
Vinte minutos depois, e uma vez informada a polcia de tudo, a famlia voltou a reunir-se para analisar o acontecido.
-E pensar que convidamos A... a esse ladro para jantar -pronunciou Cordy, com o olhar fixo em sua taa de brandy-. Preparei-lhe inclusive um souffl de chocolate. 
E ele, durante todo o tempo, estudando a maneira de nos roubar...
-A polcia o agarrar -interveio Alex.
-Acredito que j foram emoes suficientes por esta noite -o beijou Suzanna.
-Levou a maior parte dos papis -suspirando, Amanda olhou os documentos que tinham conseguido reunir, empilhados sobre a mesa do salo-. Espero que Fred tenha lhe 
dado uma boa dentada.
-Bem feito  -Lilah embalava ao cachorrinho em seu colo-. E no acredito que esses papis sirvam de algo para Livingston. No ser ele, e sim ns, que encontraremos 
as esmeraldas.
-Nem sequer lhe daremos essa oportunidade -comentou Sloan, sombrio-. No com o sistema de alarme que vou instalar -olhou a Amanda, como desafiando-a a que o contradissesse, 
mas ela tinha o olhar cravado em um dos documentos.
- uma carta -murmurou-. Uma carta da Bianca para Christian.
-Oh, Meu deus! -Cordy se inclinou para ela-. O que diz?

Meu amor,
Escrevo-te esta carta enquanto a chuva segue caindo, me afastando de voc. Pergunto-me o que estar fazendo, se estar pintando hoje com esta luz to cinza, pensando 
em mim. Quando me fecho s aqui, em minha torre, longe da realidade de minhas obrigaes, deixo-me levar pelas lembranas. Lembranas da primeira vez que o vi, de 
p nos escarpados. Da ltima vez que o toquei. Estou rezando para que saia o sol, Christian, para que possamos seguir criando mais lembranas. No pode imaginar 
o muito que me tem feito mudar, o muito que agora podem ver meus olhos, agora que vem com o corao. Que vazia teria sido minha vida sem estes momentos que passamos 
juntos! Agora sei que o amor  um bem escasso, estranho, de inestimvel valor.  algo digno de ser guardado e conservado com carinho. Lembre-se, inclusive quando 
acabar nosso tempo de estar juntos, que sempre guardarei seu amor. Seu amor, que viver em meu corao ainda muito tempo depois que ele parar de pulsar.
Bianca

Cordy soltou um suspiro nostlgico, sonhador.
-Oh, como eles devem ter se amado!
Amanda alisou cuidadosamente a carta, lamentando que estivesse to amassada.
-Suponho que nunca teve oportunidade lhe enviar. Durante todos estes anos esteve misturadas com faturas e recibos.
-E esta noite a encontramos, e no Livingston -recordou Lilah.
-Sorte -murmurou Amanda.
- Destino -insistiu Lilah.
Quando soou o telefone, Amanda foi primeira em responder.
- a polcia -informou, antes de escutar atentamente-. Entendo. Sim, obrigado por nos avisar -pendurou, suspirando-. Parece que escapou. No voltou para o BayWatch 
para recolher suas coisas.
-A polcia acredita que ele voltar? -alarmada Cordy levando uma mo ao peito.
-No, mas mantero vigiada a casa at assegurar-se de que tenha deixado a ilha.
-Suponho que a estas alturas j estar caminho de Nova Iorque -comentou Suzanna-. E se lhe ocorre voltar, estaremos preparadas.
-Mais que preparadas -assentiu Amanda-. J esto dando ao pblico sua descrio fsica, mas... bom, suponho que j no podemos fazer nada mais por esta noite.
-No -Sloan lhe aproximou-. Ainda fica algo -levantando-a do sof, a levou para fora do salo. Tero que nos desculpar.
-Elas lhe desculparo, mas eu no -protestou Amanda-. Me Solte.
-De acordo -lhe soltou o brao, mas depois  a ergueu no colo e a carregou ao ombro-. Com voc temos sempre que escolher o jeito mal.
-Hei, no deixarei que me carregue como um saco de batatas! -lutou quando Sloan comeou a subir com ela as escadas.
-Tnhamo-nos deixado alguns cabos soltos antes que escapasse do deposito para se encontrar com aquele sujeito. E agora vamos at-los. Lembre-se que sempre gostou 
de esclarecer as coisas, Calhoun.
-Voc no sabe o que eu gosto ou o que eu no gosto  -conseguiu lhe dar um murro nas costas-. Voc no sabe nada.
-Ento j  hora de saber -abriu com um chute a porta de seu dormitrio, entrou e a deixou cair sobre a cama-. Sente-se. Vamos resolver isto de uma vez por todas.
Mas Amanda cobriu o rosto com as mos e explodiu em soluos. Os acontecimentos das ltimas horas tinham acumulado em seu interior uma tenso que se transbordou de 
repente. Com um gemido, Sloan se aproximou.
-No faa isso, Mandy.
Amanda se limitou a negar com a cabea e continuou soluando.
-Oh, por favor -insistiu com voz suave, ajoelhando-se frente a ela-. Sinto muito, querida. Sei que esta noite no foi o melhor momento. Sei que deveria ter esperado, 
mas... -amaldioando-se, acaricio-lhe um brao-. Olhe, me bata, se assim se sentir melhor.
Amanda aspirou profundamente e lhe deu um forte murro, que o tombou de costas. Atravs de um vu de lgrimas,  o viu passar o dorso na mo pela boca-Nossa, tinha-me 
esquecido de quo literal  -ficou sentado no cho-. J terminou de chorar?
-Acredito que sim -tirou um leno do bolso. Seu lbio est sangrando.
-Certo -ia pegar o leno mas Amanda j estava limpado o lbio. Riu- Nossa, voc tem um soco bem forte.
-Que engraadpo voc levar isso como uma brincadeira. Teve sorte de no acabar de barriga para baixo na estrada, com um tiro na cabea.
-Por isso est to zangada? Por que sa em perseguio do Livingston?
-Eu disse que no o fizesse.
-Hei -pegou-a pelo queixo, olhando-a aos olhos-. Acredita que  eu ia ficar de braos cruzados depois de v-lo disparando contra voc? S me arrependo de no t-lo 
caado.
-Essa  uma estpida atitude machista -lhe disse, embora se deixar de acariciar sua face.
- a segunda vez na  noite que me chama estpido. Eu gostaria de voltar para a primeira vez que me chamou disto.
Amanda se retraiu instantaneamente.
-No quero falar sobre isso.
- uma pena. Mas o assunto segue pendente. Por que reagiu com tanta agressividade quando mencionei o matrimnio?
-Mencionou? Parece  ordenou isso.
-Eu somente disse que...
-Voc deu por certo -o interrompeu, levantando-se-. Somente porque te amo, porque fizemps amor, isso no lhe d direito a dar nada por certo. J havia dito que tinha 
meus prprios planos.
-Eu tambm tenho planos, e necessidades. E voc figura em todos eles. Amo-a, maldita seja. Voc  a nica mulher que realmente necessitei em minha vida. A nica 
com a que desejei compartilhar minha vida, ter filhos, fundar um lar. Deus sabe por que, quando  to teimosa quanto uma mula, mas mesmo assim no posso evitar.
-Ento por que no me pediu?
Desconcertado, sacudiu a cabea.
- Pedir o que?
Amanda ficou a andar pelo quarto, inquieta.
-Olhe, no espero que se ajoelhe diante mim com uma mo no corao. Mas possivelmente um pouco de msica de violinos no faria nenhum mal -murmurou-. Ou algumas 
velas...
-Violinos?
-Esquea- deteve-se para olh-lo, com as mos nos quadris-. Acredita que porque sou uma mulher sensata e racional no preciso um pouco de romantismo? Aparece, muda 
toda minha vida, me faz am-lo at a loucura, e nem sequer tem o cuidado de faz-lo bem, corretamente.
-Espera um pouco -ergueu uma mo-. Est-me dizendo que est zangada porque no fiz um pedido de casamento mais elaborada, ao estilo tradicional?
-Nem sequer me pediu -Amanda disse isso com os olhos brilhantes-. Por que teria que faz-lo? J sabia a resposta, no ?
-Espere um momento -disse e saiu do quarto.
-Tpico -gritou Amanda, e se deixou cair na cama. Seguia ruminando sua fria quando Sloan voltou-. O que  agora? -perguntou.
-S ser um momento -deixou sobre a cmoda a gravadora que levava na mo, e tirou do bolso uma caixa de fsforos. Sistematicamente comeou a acender todas as velas 
que tinha trago. Uma vez realizada essa tarefa, apagou as luzes.
-O que est fazendo?
-Criando o ambiente adequado para encenar meu pedido de casamento sem que me jogue isso na cara.
Amanda saltou da cama, com um sorriso nos lbios.
-E agora esta rindo de mim.
-No, nem pensar. Maldio, Amanda, vai continuar discutindo comigo durante toda  noite ou vai me deixar que arrume as coisas?
Havia tanto desespero em sua voz que Amanda se calou, refletindo. Percebeu que ele no parecia muito cmodo com aquela situao, e no pde impedir o sorriso. Estava 
fazendo tudo aquilo por ela. Porque a amava.
-Vou deixar voc tentar. O que  isso? -assinalou a gravadora.
- de Lilah -pulsou o boto do play. Uma suave melodia de violinos ressonou na habitao. O sorriso da Amanda se ampliou, ao mesmo tempo que seu corao acelerava 
.
- muito bonita.
-Voc tambm, e devia ter dito isso mais vezes -pegou sua mo.
-No  um mau momento para comear -a aceitou.
-Amo-a, Amanda -com deliciosa delicadeza, acariciou seus lbios com os dele-. Amo todas as mulheres que h em voc. A que faz listas de tudo e guarda cuidadosamente 
seus sapatos no armrio. A que gosta de nadar na gua gelada, e desfrutar de alguns momentos de solido.  mulher incrivelmente sexy que descobri na cama, e  mulher 
firme e decidida, que sabe o que quer.
-Eu tambm te amo. Falava a srio quando disse que tinha mudado minha vida.
Esta noite, quando li a carta da Bianca, compreendi o que deve ter sentido. E eu nunca voltarei a sentir por ningum o que agora sinto por voc.
Sorrindo, Sloan depositou um beijo sobre sua palma.
-Ento, vai se casar comigo?
Amanda jogou os braos em seu pescoo, rindo.
-Acreditava que nunca me pediria isso...
 
